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Capítulo 3 A testemunha marcada

Qual é o seu verdadeiro nome?

O medo voltou com força.

Está na credencial.

Madeline Walsh não trabalha para a senadora Holloway.

Emily não conseguiu esconder a surpresa.

Cole continuou:

A assessora legislativa da senadora tem cinquenta e dois anos e esteve no salão há menos de dez minutos.

Ele já desconfiava dela antes mesmo de encontrá-la no corredor.

Talvez a senadora tenha duas assessoras.

Talvez.

Então estamos de acordo.

Emily tentou passar, mas Cole apoiou a mão na parede, bloqueando-a.

O que você tirou do escritório?

Nada.

Mostre a bolsa.

Não.

Os olhos dele se estreitaram.

Você não entende onde se meteu.

Conheço homens como você. Sempre dizem isso quando querem assustar alguém.

Você não conhece homens como eu.

A frase não foi pronunciada como ameaça.

Soou como aviso.

Isso a perturbou mais.

Tem razão — respondeu Emily. — Normalmente, os criminosos que investigo fazem algum esforço para parecer humanos.

Algo duro atravessou o rosto de Cole.

Emily soube que acertara.

Por baixo daquela frieza havia uma ferida.

Não sabia qual.

Não importava.

Você é jornalista — disse ele.

Não era uma pergunta.

Ela permaneceu calada.

E veio atrás de alguma coisa específica.

Silêncio.

Quem é você?

Emily ouviu vozes ao longe.

Seguranças.

Talvez procurando por ela.

Precisava sair.

Uma mulher que está ficando cansada desta conversa.

Você deveria estar com medo.

Talvez eu esteja.

Cole observou-a por um longo segundo.

Não parece.

Aprendi a não oferecer esse tipo de satisfação a homens poderosos.

O olhar dele desceu por um instante até sua boca.

Foi rápido.

Quase imperceptível.

Mas Emily viu.

O ar entre os dois mudou novamente.

Cole afastou-se primeiro.

Desça pela escada de serviço. Há uma saída atrás da cozinha.

Emily não se moveu.

Está me deixando ir?

Ainda não decidi.

Isso não faz sentido.

Poucas coisas nesta noite farão.

Ele retirou um cartão magnético do bolso e o entregou.

Emily não pegou imediatamente.

Por que está me ajudando?

Não estou.

Então o que está fazendo?

Descobrindo se você é mais útil viva.

A resposta trouxe toda a ameaça de volta.

Emily arrancou o cartão da mão dele.

Que reconfortante.

Ela começou a se afastar.

Jornalista.

Parou, mas não se virou.

Seja o que for que você roubou — disse Cole —, não leve para casa.

Uma onda gelada percorreu sua coluna.

Emily olhou para ele.

Isso foi uma ameaça?

Foi a única oportunidade que terá de continuar viva.

Antes que pudesse responder, dois seguranças apareceram na extremidade do corredor.

Cole mudou de postura instantaneamente.

Algum problema, senhor Blackwood? — perguntou um deles.

Nenhum.

Ouvimos um disparo.

Uma garrafa caiu na cozinha.

O segurança olhou para Emily.

E ela?

Cole não hesitou.

Está comigo.

A frase teve um efeito estranho.

Os homens baixaram a guarda imediatamente.

Emily percebeu a autoridade silenciosa que Cole exercia sobre todos ao redor. Ninguém fazia perguntas quando ele falava.

O segurança inclinou a cabeça.

Seu pai está procurando pelo senhor.

Diga a ele que descerei em breve.

Os homens se afastaram.

Cole voltou o olhar para Emily.

Vá.

Desta vez, ela obedeceu.

Não por confiar nele.

Mas porque o medo em seus olhos, cuidadosamente escondido sob camadas de controle, pareceu real.

Emily entrou na escada de serviço.

Somente quando a porta se fechou permitiu que as pernas tremessem.

Desceu dois lances quase correndo. Na cozinha, atravessou funcionários ocupados demais para questionar uma mulher descalça e assustada.

A saída de serviço dava para um beco molhado.

A chuva atingiu seu rosto.

Emily respirou o ar gelado como se estivesse emergindo debaixo d’água.

Precisava sair dali.

Um táxi passou no fim da rua. Ela correu, ergueu o braço e conseguiu fazê-lo parar.

Entrou no banco traseiro e informou um endereço três quarteirões distante de seu prédio. Não queria levar ninguém diretamente para casa.

Enquanto o carro avançava, Emily retirou o celular.

A gravação do assassinato estava parcialmente corrompida. O disparo aparecia, mas o rosto do atirador continuava oculto.

Ainda assim, havia a voz.

E havia Daniel Harper dizendo o nome de seu pai.

Emily segurou o telefone com força.

Daniel estava morto.

Ela testemunhara um assassinato.

E Cole Blackwood a deixara escapar.

Por quê?

Abriu a bolsa para verificar a pasta de Thomas.

Vazia.

Emily procurou outra vez.

A pasta desaparecera.

Seu coração afundou.

Cole.

Ele a revistara quando a puxou contra o corpo?

Não se lembrava de sentir a mão dele perto da bolsa.

Então notou algo no fundo.

Um pequeno dispositivo de armazenamento preto.

Não era dela.

Emily o retirou lentamente.

Havia apenas uma marca gravada na superfície.

As iniciais T.C.

Thomas Carter.

Ela sentiu os olhos arderem.

Cole trocara a pasta pelo dispositivo.

Ou alguém fizera isso antes de ela sair do escritório.

O táxi parou.

Emily pagou, esperou o carro desaparecer e caminhou os últimos quarteirões sob a chuva.

A cidade parecia diferente.

Cada carro parado poderia esconder alguém.

Cada reflexo nas vitrines parecia segui-la.

O aviso de Cole repetia-se em sua cabeça.

Não leve para casa.

Ela deveria ter procurado Noah.

Deveria ter ido à polícia.

Deveria ter escolhido qualquer lugar que não fosse seu apartamento.

Mas precisava de roupas, dinheiro e o computador seguro escondido sob uma tábua do quarto.

Subiu os três andares do prédio pela escada.

O corredor estava silencioso.

Emily retirou a chave da bolsa.

Parou diante da porta.

Alguma coisa estava errada.

O capacho estava alguns centímetros fora do lugar.

Ela sempre o alinhava com a borda da parede.

A luz da sala estava apagada, mas havia uma sombra sob a porta.

Emily recuou lentamente.

Então ouviu um ruído do lado de dentro.

Um passo.

Alguém estava em seu apartamento.

Antes que pudesse correr, a porta se abriu.

Uma mão surgiu da escuridão e a puxou para dentro.

A mão fechou-se em torno do braço de Emily e a arrancou para dentro do apartamento.

A porta bateu atrás dela.

O escuro a engoliu.

Por um segundo, Emily não viu nada. Sentiu apenas o cheiro de chuva preso em seu vestido, a pressão dolorosa dos dedos apertando seu braço e a presença de um corpo masculino às suas costas.

Então uma voz desconhecida murmurou junto ao seu ouvido:

Não grite.

Emily reagiu antes de pensar.

Enterrou o salto do sapato no pé do homem e lançou a cabeça para trás com toda a força. Ouviu um grunhido quando seu crânio atingiu o rosto dele.

O aperto afrouxou.

Ela se soltou e correu em direção à sala.

Não chegou longe.

Outro homem surgiu da escuridão e acertou seu pulso. A bolsa caiu no chão, espalhando o conteúdo sobre o tapete.

Chaves.

Batom.

Credencial falsa.

O pequeno dispositivo marcado com as iniciais de seu pai.

Emily viu quando os olhos do invasor se fixaram nele.

Está ali — disse ele.

O primeiro homem recuperou-se atrás dela.

Emily tentou alcançar o dispositivo, mas o segundo segurou-a pelos ombros e a empurrou contra a parede.

O impacto tirou o ar de seus pulmões.

Uma luminária caiu da mesa, quebrando-se no chão.

A luz do corredor entrava por uma fresta da cortina, revelando os rostos apenas em fragmentos. Ambos vestiam roupas escuras. Nenhum usava máscara.

Não esperavam que ela continuasse viva tempo suficiente para reconhecê-los.

A percepção atravessou Emily como gelo.

Onde estão as cópias? — perguntou o homem que a segurava.

Ela respirou com dificuldade.

Não sei do que está falando.

Ele apertou seus ombros.

Você levou arquivos do hotel.

Eu não levei nada.

Nós vimos você sair.

Emily lutou para controlar a expressão.

Cole a ajudara a escapar.

Se aqueles homens a tinham visto, ele também poderia estar comprometido.

Ou aquilo fazia parte de algum plano dele.

Talvez Cole a tivesse deixado partir apenas para segui-la até os arquivos.

A frase dele voltou à sua mente.

Não leve para casa.

Ele sabia que iriam procurá-la.

Talvez tivesse sido ele quem os enviara.

Onde estão os documentos? — repetiu o invasor.

Não existem documentos.

O homem ergueu a mão.

Emily fechou os olhos por reflexo, preparando-se para o golpe.

Ele não veio.

O outro homem, ainda pressionando o nariz ferido, aproximou-se.

Não marque o rosto. Ainda precisamos descobrir para quem ela enviou.

Emily abriu os olhos.

Já enviei tudo.

Era mentira.

Mas os dois hesitaram.

Ela aproveitou.

Os arquivos estão com meu editor. Se alguma coisa acontecer comigo, serão publicados.

Nome.

Vá para o inferno.

O homem a soltou apenas para agarrá-la pelos cabelos.

A dor fez os olhos de Emily se encherem de lágrimas.

Nome.

Não.

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