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Capítulo 6 Antes do amanhecer

Você receberá de volta depois.

Não toque nas minhas coisas.

Sua prioridade deveria ser continuar respirando.

E a sua deveria ser aprender que não pode me dar ordens.

Cole abriu a porta.

Estamos perdendo tempo.

Emily olhou para os homens no chão.

Não podemos deixá-los aqui.

Um telefonema anônimo trará uma ambulância.

E se morrerem?

Um deles tentou cortar sua garganta.

Isso não significa que eu queira ser responsável pela morte dele.

Cole a observou como se ela tivesse dito alguma coisa incompreensível.

Você ainda está preocupada com eles?

Estou preocupada comigo. Não quero me tornar alguém que olha para uma pessoa ferida e decide que ela merece morrer.

Por um instante, Emily viu algo nos olhos dele.

Reconhecimento.

Talvez inveja.

Cole pegou o telefone do invasor e digitou rapidamente.

Uma ambulância chegará em seis minutos.

Como sabe?

Porque conheço a resposta de emergência desta região.

Claro que conhece.

Ele guardou o aparelho e conduziu Emily ao corredor.

Os vizinhos começavam a abrir as portas.

Uma mulher idosa do apartamento em frente apareceu usando um robe.

Emily? Está tudo bem?

Emily abriu a boca.

Cole respondeu antes:

Um cano estourou. Ela ficará fora por alguns dias.

A vizinha olhou para o rosto dele, depois para Emily.

Tem certeza?

Emily poderia pedir ajuda.

Poderia gritar.

Mas ouviu as sirenes aproximando-se e lembrou-se da seringa.

Lembrou-se da facilidade com que os homens entraram no prédio.

Tenho — respondeu.

A senhora continuou desconfiada, mas fechou a porta.

Cole levou Emily pelas escadas dos fundos.

Você mente com muita facilidade — disse ela.

Você entrou em uma festa usando uma identidade falsa.

Para investigar um crime.

Todo mundo acredita que suas próprias mentiras são justificadas.

A frase pareceu mais pessoal do que deveria.

No beco, um carro preto esperava com o motor ligado.

Emily parou.

Não entro nesse carro.

Cole abriu a porta do passageiro.

Entre.

Não.

Emily.

Diga alguma coisa verdadeira.

Ele ficou imóvel.

O quê?

Desde que apareceu, você só me deu ordens, ameaças e meias respostas. Quer que eu entre no carro? Diga alguma coisa verdadeira.

A chuva fina voltara a cair.

Gotículas se acumulavam nos cabelos de Cole.

Ele olhou para a rua, para as janelas do prédio, para qualquer lugar que não fosse ela.

Eu não sabia que mandariam matá-la.

Emily sentiu a respiração prender.

Mas sabia que viriam.

Sim.

Por causa do dispositivo?

Por causa do que você ouviu.

E por causa do meu pai?

Cole finalmente a encarou.

Talvez.

Você o conheceu.

Silêncio.

Você estava envolvido na morte dele?

O maxilar de Cole se contraiu.

Entre no carro.

Responda.

Agora não.

Então não vou.

Emily deu um passo para trás.

Cole fechou a porta devagar.

Por um momento, ela achou que ele usaria a força novamente.

Em vez disso, aproximou-se até ficar diante dela.

Há homens procurando por você — disse. — Eles sabem seu nome, seu endereço e o que seu pai investigava. Seu apartamento não é seguro. Seu editor pode não estar seguro. A polícia pode não ser segura. E eu sou a única pessoa neste momento que sabe como essas pessoas pensam.

Porque é uma delas.

Sim.

A resposta direta atingiu Emily.

Cole não tentou suavizá-la.

Essa é a verdade que queria — continuou. — Não sou um homem bom. Não sou inocente. E não deveria confiar em mim.

Então por que eu entraria nesse carro?

Ele se inclinou um pouco, mantendo os olhos presos aos dela.

Porque todos os outros querem você morta.

O som de pneus surgiu no fim do beco.

Dois carros escuros dobraram a esquina.

Cole olhou para eles.

Agora.

Emily hesitou apenas um segundo.

Entrou.

Cole contornou o carro e assumiu o volante. Antes mesmo de fechar completamente a porta, acelerou.

Os dois veículos vieram atrás.

Emily agarrou o cinto.

Quem são eles?

Ainda não sei.

Você parece dizer isso com frequência.

Cole virou bruscamente à direita, lançando-a contra a porta.

Segure-se.

Estou tentando!

O carro atravessou uma avenida com o sinal prestes a fechar. Buzinas explodiram ao redor deles.

Os perseguidores continuaram próximos.

Emily olhou pelo vidro traseiro.

Eles estão armados?

Provavelmente.

Isso é o tipo de informação que você deveria saber antes de sequestrar alguém.

Cole desviou de um caminhão e entrou em uma rua estreita.

Abra o porta-luvas.

Por quê?

Abra.

Emily encontrou uma arma.

Fechou imediatamente.

Você é louco.

Há também um telefone.

Ela pegou o aparelho.

Ligue para quem?

Ninguém. Tire o cartão e quebre.

Você quer destruir meu telefone?

O seu está sendo rastreado.

Como sabe?

Porque eu faria isso.

Emily removeu o chip do telefone dela, que Cole havia colocado no console, e o partiu.

Os carros continuavam atrás.

Para onde estamos indo?

Para fora da cidade.

Não.

Não temos alternativa.

Eu tenho uma vida aqui.

Tinha.

A palavra a feriu mais do que deveria.

Você não pode apagar minha vida em uma noite.

Eu não fiz isso.

Sua família fez.

Cole não respondeu.

Emily olhou pela janela.

As ruas de Chicago passavam em manchas de luz. Tudo o que conhecia estava ficando para trás: o apartamento, o trabalho, Noah, as caixas do pai, a rotina que levara anos para construir.

Ela segurou o casaco contra o corpo.

Para onde exatamente?

Um lugar seguro.

Isso não é uma resposta.

Colorado.

Emily virou-se para ele.

Colorado?

Sim.

Você pretende me levar para outro estado?

Pretendo mantê-la viva.

Contra minha vontade.

Se necessário.

Isso continua sendo sequestro.

Você já mencionou.

Um dos carros se aproximou pela lateral.

Cole desviou e bateu contra ele.

Metal raspou contra metal.

Emily gritou.

O veículo perseguidor perdeu o controle por alguns segundos, mas voltou.

Cole apertou o volante.

Abaixe-se.

O quê?

O vidro traseiro explodiu.

Emily se jogou para frente.

Fragmentos caíram sobre o banco.

Cole acelerou.

Eles estão atirando!

Eu percebi.

Pare de dizer isso!

Ele fez uma curva brusca e entrou em um estacionamento subterrâneo. Desceu dois níveis em alta velocidade, apagou os faróis e parou atrás de uma fileira de colunas.

Emily respirava de forma irregular.

Cole desligou o motor.

O silêncio pareceu enorme.

Eles vão nos encontrar — sussurrou ela.

Talvez.

Essa palavra não ajuda.

Cole retirou a arma e observou o retrovisor.

Luzes surgiram na rampa.

Um carro entrou no primeiro nível.

Depois o segundo.

Emily sentiu o pânico apertar seu peito.

Cole tocou seu braço.

Olhe para mim.

Ela obedeceu.

Quando eu mandar, saia pela porta e corra até a escada vermelha.

E você?

Vou atrasá-los.

Não.

Cole pareceu surpreso.

Não vou deixá-lo aqui.

Há dez minutos você me chamou de assassino.

E ainda acho que é.

Então vá.

Não vou carregar mais uma morte causada por essa investigação.

Algo atravessou o rosto dele.

Você não é responsável pelo que essas pessoas fazem.

Foi o que disseram sobre meu pai. Que procurou problemas. Que foi longe demais. Que deveria ter parado.

Cole apertou a arma com mais força.

Seu pai não morreu porque foi longe demais.

Emily parou.

O que isso significa?

As luzes do veículo perseguidor se aproximaram.

Cole abriu a porta.

Significa que alguém decidiu que ele sabia demais.

Quem?

Ele saiu do carro.

Emily segurou seu braço.

Quem decidiu?

Cole olhou para ela.

A resposta parecia presa em sua garganta.

Então um disparo atingiu a coluna ao lado.

Cole empurrou Emily para baixo e revidou.

O estacionamento encheu-se de ecos.

Ele fechou a porta e voltou ao volante.

Mudança de plano.

O motor rugiu.

Cole acelerou em direção à saída oposta. O carro atravessou uma cancela e subiu para a rua.

Os perseguidores ficaram para trás.

Por alguns minutos, nenhum dos dois falou.

Emily mantinha as mãos fechadas sobre o colo, tentando controlar o tremor.

Cole dirigia em silêncio, olhando constantemente para os retrovisores.

Quando finalmente alcançaram uma estrada mais vazia, ele reduziu a velocidade.

Chicago começou a desaparecer atrás deles.

Meu editor — disse Emily. — Preciso avisá-lo.

Não pode usar telefone.

Noah pode estar em perigo.

Enviarei alguém.

Alguém seu?

Sim.

Não quero ninguém da Blackwood perto dele.

Neste momento, meus homens são a melhor chance que ele tem.

Emily virou o rosto para a janela.

O dispositivo de Thomas continuava no bolso de Cole.

Devolva o que pegou.

Não.

É meu.

Não sabemos isso.

Traz as iniciais do meu pai.

E estava no escritório do meu pai.

O que só prova que sua família roubou dele.

Cole apertou o volante.

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