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Capítulo 5 A morte que parecia acidente

Porque você invadiu o escritório do meu pai, roubou documentos e testemunhou um assassinato.

Um assassinato cometido por alguém da empresa de vocês.

Você viu o rosto do atirador?

Emily pensou no homem de luvas pretas.

Não.

Então não sabe quem cometeu.

Daniel Harper disse o nome do meu pai antes de morrer.

A frase pareceu atingir Cole.

Muito rápido.

Mas atingiu.

O que exatamente ele disse?

Por que se importa?

Responda.

Não me dê ordens dentro da minha casa.

Cole olhou ao redor.

O apartamento estava destruído. Uma cadeira virada. Vidros espalhados. Dois homens caídos no chão.

Este lugar não é mais seguro.

Graças à sua família.

Graças à sua investigação.

Emily avançou até ficar a poucos centímetros dele.

Meu pai morreu por causa da Blackwood Defense. Daniel Harper morreu por causa da Blackwood Defense. E dois homens invadiram minha casa procurando arquivos roubados da Blackwood Defense. Não tente transformar isso em culpa minha.

Você entrou em um território que não compreende.

Você continua repetindo isso como se fosse uma resposta.

Porque continua agindo como se a verdade a tornasse intocável.

E você age como se o medo desse à sua família o direito de controlar todo mundo.

Os olhos de Cole escureceram.

Minha família não controla todo mundo.

Só aqueles que ainda estão vivos?

O silêncio que seguiu foi pesado.

Emily percebeu que havia ultrapassado alguma linha.

Não se arrependeu.

Cole aproximou-se.

Ela precisou erguer o rosto para manter o contato visual.

Você acredita que sabe quem eu sou — disse ele.

Sei o suficiente.

Não sabe nada.

Sei que trabalha para Victor Blackwood.

Isso não significa o que você pensa.

Significa exatamente o que parece.

Aparências enganam.

Seu pai acabou de organizar uma festa beneficente enquanto um homem era assassinado a poucos metros. Não me fale sobre aparências.

Por um instante, a raiva de Cole pareceu romper o controle.

Ele segurou o pulso dela.

Não com força suficiente para machucá-la.

Apenas para impedir que se afastasse.

Escute com atenção — disse ele. — Os homens que entraram aqui não pertencem à equipe que estava no hotel.

Como sabe?

Porque eu conheço cada homem que trabalha para meu pai.

Que reconfortante.

Eles também não tinham ordens para interrogá-la por muito tempo.

Emily olhou para o invasor caído.

Você conhece os dois?

Não.

Então como sabe quais eram as ordens?

Porque um deles estava carregando isso.

Cole retirou do bolso do homem desacordado uma pequena seringa lacrada e mostrou a ela.

Emily sentiu um enjoo.

O que é?

Algo para fazer sua morte parecer acidental.

A sala pareceu inclinar-se.

Acidental como a do meu pai?

Cole não respondeu.

A ausência de resposta era uma resposta.

Emily puxou o pulso, mas ele não soltou imediatamente.

O que você sabe sobre Thomas Carter?

Cole fitou-a.

Aquela mesma sombra do hotel voltou aos seus olhos.

Culpa.

Emily tinha certeza agora.

Ele sabia de alguma coisa.

Cole.

Foi a primeira vez que pronunciou o nome dele.

A reação foi sutil, mas existiu. Os dedos dele afrouxaram em torno de seu pulso.

O que aconteceu com meu pai?

Este não é o lugar.

É a minha casa.

E haverá mais homens aqui em poucos minutos.

Então fale depressa.

Não.

Você não pode entrar na minha vida, tirar documentos de mim e decidir o que tenho o direito de saber.

Posso impedir que seja morta antes de descobrir.

Você não está tentando me proteger. Está tentando controlar o que eu sei.

Cole soltou-a.

Onde estão as cópias?

Emily riu sem humor.

Finalmente.

Não temos tempo para isso.

Essa era a pergunta desde o início, não era? Você não veio me salvar. Veio recuperar os arquivos.

As duas coisas podem ser verdadeiras.

Para homens como você, sempre são.

Ela caminhou até a bolsa e começou a recolher seus pertences.

Precisava sair dali.

Precisava encontrar Noah.

Cole observava cada movimento.

Para quem enviou os arquivos?

Não é problema seu.

Se enviou para alguém, essa pessoa está em perigo.

As mãos de Emily pararam.

Noah.

O desaparecimento ainda não acontecera, mas a ameaça já existia. O simples pensamento de os Blackwood chegarem até ele fez seu peito apertar.

Você está me ameaçando?

Estou dizendo como isso funciona.

Para sua família?

Para pessoas que não deixam testemunhas.

Você é uma delas?

Cole permaneceu em silêncio.

Emily ergueu o olhar.

Quantas pessoas você já silenciou?

A pergunta ficou entre os dois.

Ele poderia mentir.

Poderia demonstrar indignação.

Poderia dizer que ela estava errada.

Cole não fez nada disso.

Mais do que gostaria — respondeu.

A honestidade foi pior do que qualquer ameaça.

Emily sentiu medo dele de verdade pela primeira vez.

No corredor, ouviu-se uma porta abrir.

Vozes.

Alguém reclamava do barulho.

Cole caminhou até a entrada e olhou pela fresta.

A polícia será chamada.

Ótimo.

Não.

Dois homens invadiram meu apartamento.

E você estava com documentos roubados de uma empresa de defesa.

Sou jornalista.

Invadir um escritório continua sendo crime.

Testemunhei um assassinato.

Sem imagem do atirador.

Emily apertou a bolsa contra o corpo.

Tenho a gravação da conversa.

Cole virou-se lentamente.

Mostre.

Não.

Emily.

Ouvir seu nome na voz dele causou um efeito que ela não queria compreender.

Não confio em você.

Deveria confiar menos ainda na polícia que chegará aqui.

Por quê?

Porque alguém conseguiu colocar dois homens dentro deste prédio sem acionar nenhuma câmera. Alguém sabia quando você voltaria. Alguém sabia exatamente o que procurar.

Você está dizendo que a polícia está envolvida?

Estou dizendo que não sei quem está envolvido.

Mas espera que eu entre em um carro com você?

Sim.

Você enlouqueceu.

Cole se aproximou e pegou o casaco dela sobre a cadeira.

Pegue o que precisar.

Não vou a lugar nenhum com você.

Vai.

Tente me obrigar.

Ele parou diante dela.

A diferença de altura e força era evidente. Ainda assim, Emily não recuou.

Não quero machucá-la — disse Cole.

Que nobre.

Mas não vou deixá-la aqui.

Você não decide.

Hoje, decido.

Emily levantou a mão e o acertou no rosto.

O som seco atravessou a sala.

Cole permaneceu imóvel.

O rosto virou-se alguns centímetros com o impacto. Quando voltou a encará-la, havia uma marca vermelha surgindo em sua face.

Emily esperou uma reação.

Qualquer reação.

Ele apenas passou a língua discretamente pelo interior da boca.

Terminou?

Nem comecei.

Ela tentou passar.

Cole segurou-a pela cintura e a ergueu do chão.

Emily soltou um grito de indignação.

Coloque-me no chão!

Você pediu que eu tentasse.

Seu desgraçado!

Ela golpeou as costas dele com os punhos enquanto Cole a carregava em direção à porta.

Eu vou chamar a polícia!

Pode explicar a eles no carro.

Isso é sequestro!

Considere uma mudança temporária de endereço.

Emily acertou o ombro dele.

Cole nem diminuiu o passo.

Você é sempre tão insuportável? — perguntou.

Só quando sou sequestrada por assassinos arrogantes.

Então não tem experiência suficiente para comparar.

Ele a colocou no chão apenas para vestir o casaco sobre seus ombros.

Emily tentou correr.

Cole segurou seu braço e a puxou de volta.

A proximidade repentina fez os dois pararem.

Ela sentiu a respiração dele junto ao rosto.

Cole olhou para sua boca por uma fração de segundo.

Emily percebeu.

E odiou perceber.

Solte-me — disse, mais baixo.

Assim que estivermos seguros.

Eu nunca estarei segura com você.

A frase fez alguma coisa se fechar no rosto dele.

Provavelmente não.

Antes que Emily pudesse responder, o homem desacordado atrás deles gemeu.

Cole soltou-a e voltou à sala.

Ajoelhou-se ao lado do invasor, agarrou-o pela gola e o forçou a abrir os olhos.

Quem enviou você?

O homem sorriu com sangue nos dentes.

Vá para o inferno.

Cole pressionou dois dedos contra o ferimento no ombro dele.

O sorriso desapareceu.

Emily desviou o olhar.

Quem deu a ordem? — repetiu Cole.

Você sabe.

Quero ouvir.

O homem respirou com dificuldade.

Ela não pode sair viva.

Cole aumentou a pressão.

Quem?

O invasor riu outra vez, apesar da dor.

Pergunte ao seu pai.

O corpo de Cole ficou rígido.

Emily sentiu o coração acelerar.

O homem continuou:

Victor quer a garota morta antes do amanhecer.

Cole o soltou.

O invasor caiu de lado, ainda rindo.

Seu próprio pai — disse Emily.

Cole ficou de pé.

Ele pode estar mentindo.

Você acredita nisso?

Cole não respondeu.

As sirenes começaram ao longe.

A polícia.

Ou homens disfarçados de polícia.

Emily já não sabia.

Cole pegou o dispositivo preto, a arma do invasor e o celular dela.

Ei!

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