Mundo ficciónIniciar sesión— Porque você invadiu o escritório do meu pai, roubou documentos e testemunhou um assassinato.
— Um assassinato cometido por alguém da empresa de vocês.
— Você viu o rosto do atirador?
Emily pensou no homem de luvas pretas.
— Não.
— Então não sabe quem cometeu.
— Daniel Harper disse o nome do meu pai antes de morrer.
A frase pareceu atingir Cole.
Muito rápido.
Mas atingiu.
— O que exatamente ele disse?
— Por que se importa?
— Responda.
— Não me dê ordens dentro da minha casa.
Cole olhou ao redor.
O apartamento estava destruído. Uma cadeira virada. Vidros espalhados. Dois homens caídos no chão.
— Este lugar não é mais seguro.
— Graças à sua família.
— Graças à sua investigação.
Emily avançou até ficar a poucos centímetros dele.
— Meu pai morreu por causa da Blackwood Defense. Daniel Harper morreu por causa da Blackwood Defense. E dois homens invadiram minha casa procurando arquivos roubados da Blackwood Defense. Não tente transformar isso em culpa minha.
— Você entrou em um território que não compreende.
— Você continua repetindo isso como se fosse uma resposta.
— Porque continua agindo como se a verdade a tornasse intocável.
— E você age como se o medo desse à sua família o direito de controlar todo mundo.
Os olhos de Cole escureceram.
— Minha família não controla todo mundo.
— Só aqueles que ainda estão vivos?
O silêncio que seguiu foi pesado.
Emily percebeu que havia ultrapassado alguma linha.
Não se arrependeu.
Cole aproximou-se.
Ela precisou erguer o rosto para manter o contato visual.
— Você acredita que sabe quem eu sou — disse ele.
— Sei o suficiente.
— Não sabe nada.
— Sei que trabalha para Victor Blackwood.
— Isso não significa o que você pensa.
— Significa exatamente o que parece.
— Aparências enganam.
— Seu pai acabou de organizar uma festa beneficente enquanto um homem era assassinado a poucos metros. Não me fale sobre aparências.
Por um instante, a raiva de Cole pareceu romper o controle.
Ele segurou o pulso dela.
Não com força suficiente para machucá-la.
Apenas para impedir que se afastasse.
— Escute com atenção — disse ele. — Os homens que entraram aqui não pertencem à equipe que estava no hotel.
— Como sabe?
— Porque eu conheço cada homem que trabalha para meu pai.
— Que reconfortante.
— Eles também não tinham ordens para interrogá-la por muito tempo.
Emily olhou para o invasor caído.
— Você conhece os dois?
— Não.
— Então como sabe quais eram as ordens?
— Porque um deles estava carregando isso.
Cole retirou do bolso do homem desacordado uma pequena seringa lacrada e mostrou a ela.
Emily sentiu um enjoo.
— O que é?
— Algo para fazer sua morte parecer acidental.
A sala pareceu inclinar-se.
— Acidental como a do meu pai?
Cole não respondeu.
A ausência de resposta era uma resposta.
Emily puxou o pulso, mas ele não soltou imediatamente.
— O que você sabe sobre Thomas Carter?
Cole fitou-a.
Aquela mesma sombra do hotel voltou aos seus olhos.
Culpa.
Emily tinha certeza agora.
Ele sabia de alguma coisa.
— Cole.
Foi a primeira vez que pronunciou o nome dele.
A reação foi sutil, mas existiu. Os dedos dele afrouxaram em torno de seu pulso.
— O que aconteceu com meu pai?
— Este não é o lugar.
— É a minha casa.
— E haverá mais homens aqui em poucos minutos.
— Então fale depressa.
— Não.
— Você não pode entrar na minha vida, tirar documentos de mim e decidir o que tenho o direito de saber.
— Posso impedir que seja morta antes de descobrir.
— Você não está tentando me proteger. Está tentando controlar o que eu sei.
Cole soltou-a.
— Onde estão as cópias?
Emily riu sem humor.
— Finalmente.
— Não temos tempo para isso.
— Essa era a pergunta desde o início, não era? Você não veio me salvar. Veio recuperar os arquivos.
— As duas coisas podem ser verdadeiras.
— Para homens como você, sempre são.
Ela caminhou até a bolsa e começou a recolher seus pertences.
Precisava sair dali.
Precisava encontrar Noah.
Cole observava cada movimento.
— Para quem enviou os arquivos?
— Não é problema seu.
— Se enviou para alguém, essa pessoa está em perigo.
As mãos de Emily pararam.
Noah.
O desaparecimento ainda não acontecera, mas a ameaça já existia. O simples pensamento de os Blackwood chegarem até ele fez seu peito apertar.
— Você está me ameaçando?
— Estou dizendo como isso funciona.
— Para sua família?
— Para pessoas que não deixam testemunhas.
— Você é uma delas?
Cole permaneceu em silêncio.
Emily ergueu o olhar.
— Quantas pessoas você já silenciou?
A pergunta ficou entre os dois.
Ele poderia mentir.
Poderia demonstrar indignação.
Poderia dizer que ela estava errada.
Cole não fez nada disso.
— Mais do que gostaria — respondeu.
A honestidade foi pior do que qualquer ameaça.
Emily sentiu medo dele de verdade pela primeira vez.
No corredor, ouviu-se uma porta abrir.
Vozes.
Alguém reclamava do barulho.
Cole caminhou até a entrada e olhou pela fresta.
— A polícia será chamada.
— Ótimo.
— Não.
— Dois homens invadiram meu apartamento.
— E você estava com documentos roubados de uma empresa de defesa.
— Sou jornalista.
— Invadir um escritório continua sendo crime.
— Testemunhei um assassinato.
— Sem imagem do atirador.
Emily apertou a bolsa contra o corpo.
— Tenho a gravação da conversa.
Cole virou-se lentamente.
— Mostre.
— Não.
— Emily.
Ouvir seu nome na voz dele causou um efeito que ela não queria compreender.
— Não confio em você.
— Deveria confiar menos ainda na polícia que chegará aqui.
— Por quê?
— Porque alguém conseguiu colocar dois homens dentro deste prédio sem acionar nenhuma câmera. Alguém sabia quando você voltaria. Alguém sabia exatamente o que procurar.
— Você está dizendo que a polícia está envolvida?
— Estou dizendo que não sei quem está envolvido.
— Mas espera que eu entre em um carro com você?
— Sim.
— Você enlouqueceu.
Cole se aproximou e pegou o casaco dela sobre a cadeira.
— Pegue o que precisar.
— Não vou a lugar nenhum com você.
— Vai.
— Tente me obrigar.
Ele parou diante dela.
A diferença de altura e força era evidente. Ainda assim, Emily não recuou.
— Não quero machucá-la — disse Cole.
— Que nobre.
— Mas não vou deixá-la aqui.
— Você não decide.
— Hoje, decido.
Emily levantou a mão e o acertou no rosto.
O som seco atravessou a sala.
Cole permaneceu imóvel.
O rosto virou-se alguns centímetros com o impacto. Quando voltou a encará-la, havia uma marca vermelha surgindo em sua face.
Emily esperou uma reação.
Qualquer reação.
Ele apenas passou a língua discretamente pelo interior da boca.
— Terminou?
— Nem comecei.
Ela tentou passar.
Cole segurou-a pela cintura e a ergueu do chão.
Emily soltou um grito de indignação.
— Coloque-me no chão!
— Você pediu que eu tentasse.
— Seu desgraçado!
Ela golpeou as costas dele com os punhos enquanto Cole a carregava em direção à porta.
— Eu vou chamar a polícia!
— Pode explicar a eles no carro.
— Isso é sequestro!
— Considere uma mudança temporária de endereço.
Emily acertou o ombro dele.
Cole nem diminuiu o passo.
— Você é sempre tão insuportável? — perguntou.
— Só quando sou sequestrada por assassinos arrogantes.
— Então não tem experiência suficiente para comparar.
Ele a colocou no chão apenas para vestir o casaco sobre seus ombros.
Emily tentou correr.
Cole segurou seu braço e a puxou de volta.
A proximidade repentina fez os dois pararem.
Ela sentiu a respiração dele junto ao rosto.
Cole olhou para sua boca por uma fração de segundo.
Emily percebeu.
E odiou perceber.
— Solte-me — disse, mais baixo.
— Assim que estivermos seguros.
— Eu nunca estarei segura com você.
A frase fez alguma coisa se fechar no rosto dele.
— Provavelmente não.
Antes que Emily pudesse responder, o homem desacordado atrás deles gemeu.
Cole soltou-a e voltou à sala.
Ajoelhou-se ao lado do invasor, agarrou-o pela gola e o forçou a abrir os olhos.
— Quem enviou você?
O homem sorriu com sangue nos dentes.
— Vá para o inferno.
Cole pressionou dois dedos contra o ferimento no ombro dele.
O sorriso desapareceu.
Emily desviou o olhar.
— Quem deu a ordem? — repetiu Cole.
— Você sabe.
— Quero ouvir.
O homem respirou com dificuldade.
— Ela não pode sair viva.
Cole aumentou a pressão.
— Quem?
O invasor riu outra vez, apesar da dor.
— Pergunte ao seu pai.
O corpo de Cole ficou rígido.
Emily sentiu o coração acelerar.
O homem continuou:
— Victor quer a garota morta antes do amanhecer.
Cole o soltou.
O invasor caiu de lado, ainda rindo.
— Seu próprio pai — disse Emily.
Cole ficou de pé.
— Ele pode estar mentindo.
— Você acredita nisso?
Cole não respondeu.
As sirenes começaram ao longe.
A polícia.
Ou homens disfarçados de polícia.
Emily já não sabia.
Cole pegou o dispositivo preto, a arma do invasor e o celular dela.
— Ei!







