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CAPÍTULO 4 - Café, Vinho e Coincidências

(Ponto de vista dela)

— Dominic?

Ele sorriu.

Dessa vez, não parecia o homem impecável da camisa social e postura corporativa que eu tinha conhecido na semana anterior. Usava uma camisa escura, com alguns botões abertos no colarinho, as mangas dobradas até os antebraços.

Parecia mais relaxado.

Mais acessível.

— Desculpa interromper sua noite — ele disse. — Eu estava passando pelo salão e achei que era você.

Olhei ao redor, ainda surpresa.

— Que coincidência.

Um sorriso apareceu no rosto dele.

— Parece que a cidade insiste em cruzar nossos caminhos.

Balancei a cabeça, divertida.

— Você ainda está falando de destino?

Ele riu.

— Talvez eu esteja começando a acreditar.

Revirei os olhos, mas sorri.

— Você é sempre tão convencido assim?

— Só quando as coincidências ajudam minha defesa.

A resposta me arrancou uma risada. Ele olhou para a cadeira vazia na minha frente.

— Você está esperando alguém?

Balancei a cabeça.

— Não.

Ele hesitou por um segundo.

— Posso me sentar?

Olhei para ele. A pergunta parecia simples. E, sinceramente, eu não tinha motivo para negar. Ele tinha sido gentil comigo na semana anterior. Não havia feito nada para me deixar desconfortável.

Fiz um gesto indicando a cadeira.

— Claro.

Dominic se sentou. Por alguns minutos, conversamos sobre coisas simples. O restaurante. A comida. A semana de trabalho. Descobri que ele também gostava daquele lugar pelo mesmo motivo que eu.

Não era pelo luxo.

Era pela tranquilidade.

— Eu gosto daqui porque ninguém parece estar tentando impressionar ninguém — ele comentou.

Olhei para ele.

— Interessante ouvir isso de alguém que parece sair de uma revista de negócios.

Ele soltou uma risada.

— Isso foi um elogio ou uma crítica?

Pensei por alguns segundos.

— Ainda estou decidindo.

Ele sorriu.

A conversa era fácil. Esse era o problema. Eu não costumava me sentir tão confortável perto de pessoas que eu mal conhecia. Normalmente, eu observava. Analisava. Mantinha uma distância segura.

Mas com Dominic parecia diferente.

Talvez fosse porque ele não tentava preencher todos os silêncios. Ele apenas estava ali.

Presente.

Quando o garçom passou pela mesa, Dominic pediu uma bebida. E foi nesse momento que percebi uma coisa.

Ele já sabia qual vinho escolher.

Já conhecia o cardápio.

Conhecia os detalhes do lugar.

Nada absurdo. Apenas pequenos detalhes. Mas eu percebia detalhes. Era parte do meu trabalho.

— Você vem muito aqui? — perguntei.

Ele me olhou por um instante. Uma pausa pequena demais para parecer estranha. Mas suficiente para eu notar.

— Às vezes.

Assenti. Talvez fosse apenas uma resposta normal. Não havia motivo para procurar problemas onde não existiam.

Continuei conversando. A noite passou mais rápido do que eu esperava.

— E você, o que faz? — perguntou em determinado momento, girando a taça devagar entre os dedos. — Além de aceitar caronas de estranhos.

Ri.

— Sou arquiteta. Trabalho numa firma no centro.

— Arquiteta.

Ele repetiu a palavra como se estivesse guardando aquela informação em algum lugar.

— Deve ser satisfatório. Ver um projeto sair do papel e virar alguma coisa real.

— É a melhor parte — admiti. — E a mais frustrante, dependendo do cliente.

Ele riu.

— Imagino que sim.

Quando percebi, já era hora de ir embora. Peguei minha bolsa e me levantei. Antes de me despedir, abri a carteira e tirei um cartão.

— Se um dia sua empresa precisar de uma arquiteta — falei, estendendo o cartão — já sabe onde me encontrar.

Ele pegou o cartão e olhou por um instante antes de guardar no bolso do casaco.

— Vou guardar bem guardado.

— Obrigada pela companhia.

Dominic também se levantou.

— Eu que agradeço.

Caminhei até a saída. Antes de abrir a porta, olhei para trás. Ele ainda estava me observando. Não de uma forma invasiva. Apenas atento. Como se estivesse tentando memorizar aquele momento.

Por um segundo, achei aquela sensação estranha.

Depois ignorei.

Eu tinha acabado de conhecer alguém interessante, de novo. Só isso. Nada mais.

Pelo menos era o que eu acreditava.

Porque algumas pessoas entram na nossa vida como uma coincidência.

E só depois descobrimos que elas já estavam esperando pela oportunidade de aparecer...

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