Mundo ficciónIniciar sesiónAriana Moretti nasceu princesa. Única herdeira de uma das famílias mais temidas da máfia italiana, cresceu sob luxo, proteção e poder absoluto. Até a noite em que tudo queimou. Traída pelos aliados do pai, viu sua família ser executada e seu império virar cinzas. Ariana desapareceu. Mas a morte não era o plano. Meses depois, ela ressurge como peça principal do leilão clandestino mais exclusivo do mundo onde mulheres viram prêmios para os homens mais ricos e letais do planeta. De herdeira a mercadoria. De filha a troféu. De pessoa a propriedade. O Sheik Zayn Al-Rashid vence. Paga o preço mais alto da noite e a leva para seu palácio no deserto. Ariana espera outra prisão. Encontra um homem de gelo que só reconhece uma coisa nela: Fogo. Resistência. Coragem. Desafio. Quanto mais Zayn se aproxima, mais Ariana se torna uma ameaça. Principalmente para Nadia a favorita que reinou anos ao lado dele. No harém, sorrisos têm veneno. Elogios são ameaças. Beleza esconde monstros. Quando Ariana descobre que carrega o herdeiro do sheik, a guerra silenciosa explode. Envenenada pela rival, luta pela própria vida e pela do filho que ainda nem nasceu. Mas sobreviver não basta. Segredos sobre o massacre dos Moretti começam a vazar. A traição que destruiu sua família foi só o primeiro lance de uma conspiração ainda em jogo. Quem vendeu uma princesa vai descobrir: Algumas mulheres não nascem para quebrar. Nascem para governar. "Vendida pelo inimigo. Comprada pelo destino. E temida pelo homem mais perigoso do deserto."
Leer másO Último Aniversário.
O Imperial Milano parecia feito para momentos inesquecíveis.
Lustres de cristal derramavam luz dourada sobre mesas impecáveis. Rosas brancas e orquídeas misturavam perfume doce ao aroma dos pratos e às notas do piano. Pelas janelas, o sol de Milão incendiava carros de luxo como promessas.
Na mesa junto ao vidro, Ariana Romano sorria.
Não era educado. Nem contido.
Era daqueles que transbordam quando a felicidade não cabe no peito.
Dezoito anos.
A idade que o pai sempre citou quando dizia que ela entraria no mundo como mulher, não como herdeira.
Chegou. E ela estava onde queria: entre os dois que mais amava.
— Para de me olhar assim — Ariana apontou o garfo para a mãe. — Me deixa nervosa.
Isabella levou a mão ao peito, teatral.
— Olho para minha filha. Tenho autorização legal.
— Não desse jeito. Como se eu fosse embora amanhã.
Isabella riu baixo, olhos brilhando.
Lorenzo observava em silêncio.
O homem que fazia a Itália engolir seco era outro ali.
Não existia o chefe da organização Romano.
Só um pai. Orgulhoso. Apaixonado pela filha.
— Sua mãe chora desde o café — disse ele. — Chorou escolhendo o vestido. Chorou vendo suas fotos.
— Lorenzo!
— Chorou na sobremesa também — acrescentou Ariana. — Quatro vezes.
— Foram três.
— Quatro.
— Três.
Os três riram. Leve. Quente. Familiar.
Por minutos, o mundo sumiu. Sem negócios. Sem máfia. Só família.
Ariana olhou os pais. O pai segurava a mão da mãe sobre a mesa, gesto antigo. Como se ainda fosse o garoto que se apaixonou por Isabella.
Talvez fosse.
— O que foi? — Isabella notou.
— Nada. Só pensei que tenho sorte.
O silêncio foi breve, mas denso. Isabella marejou. Lorenzo desviou o rosto para a janela. Hábito antigo quando a emoção batia forte.
— Não — a voz dele saiu rouca. — Nós é que temos sorte. Você foi a melhor coisa da nossa vida. Desde o primeiro choro, mudou tudo.
Ariana piscou rápido. Perdeu.
— Papai...
— É verdade — ele segurou a mão dela. — Cada dia.
— Agora ela chora também — Isabella riu entre lágrimas.
— Culpa sua. Você começou.
O garçom trouxe uma caixa com fita dourada.
— Seu presente — disseram juntos.
Dentro, um colar de diamantes e esmeraldas. No verso do pingente:
_Para nossa eterna princesa._
_Com amor,_
_Mamãe e Papai._
Ariana levou a mão à boca.
— Eu amo vocês — sussurrou.
Isabella a abraçou. Lorenzo fechou o círculo.
Os três. Inteiros.
Sem saber que eram os últimos segundos inteiros que teriam.
Uma hora depois, o Imperial ficou para trás.
Ariana caminhava entre os pais até o estacionamento. Sol acendia seus cabelos loiros. A caixa do colar ia junto ao peito. Tesouro.
Seguranças alinhavam o comboio. Carros blindados, homens atentos. Rotina Romano.
Lorenzo abriu a porta do veículo principal. Antes de entrar, Isabella segurou o rosto da filha. Olhou como quem decora. Os olhos verdes. O sorriso. A vida.
— Mamãe? O que foi?
— Nada. Só estou te olhando.
— Como se eu fosse sumir.
Isabella riu, mas algo vacilou no olhar. Rápido demais pra Ariana notar.
— Isso nunca vai acontecer — beijou a testa dela. — Nunca esqueça o quanto é amada.
Ariana sorriu. Sem saber que guardaria aquelas palavras como relíquia.
Minutos depois, Milão ficou no retrovisor. A festa na mansão esperava. O futuro esperava.
O comboio Romano cortava as montanhas do norte da Itália enquanto o sol descia. Luz dourada tingia vinhedos e encostas de irreal. Sombras longas deitavam no asfalto. Uma tranquilidade enganosa.
Dentro do blindado, Ariana tocava o colar sem perceber. Precisava confirmar: era real. A tarde existia. Os pais estavam ali. Tudo estava bem.
Isabella observava a filha. O mesmo olhar carregado de amor.
— Você tá fazendo de novo — Ariana sorriu.
— O quê?
— Me olhando como se eu fosse a oitava maravilha do mundo.
— Pra mim, você é.
— Mamãe...
— Sou sua mãe. Tenho licença.
Lorenzo riu baixo.
— Sua mãe perdeu a objetividade quando você nasceu.
— E você não? — retrucou Isabella.
— Eu tento manter a dignidade.
— Mentira — Ariana riu. — Você guarda até meus desenhos.
— Arquivo histórico. Patrimônio da família.
A risada dela encheu o carro. Leve. Espontânea.
Lorenzo a observou e o sorriso murchou. Não por tristeza. Por emoção.
Tão feliz. Tão viva.
Um aperto estranho surgiu no peito dele. Pequeno. Quase nada. Mas presente.
Seus olhos foram pra janela. Instinto. Lorenzo nunca ignorava instinto.
A estrada seguia normal. Escolta em posição. Tudo certo.
Ainda assim, não gostou.
O maxilar contraiu. Isabella percebeu na hora. Sempre percebia.
— Lorenzo — chamou baixo. — O que foi?
— Nada.
Mas não era nada.
Ariana sentiu. A felicidade continuava, mas uma sombra mínima riscou o ar. Um detalhe.
As montanhas cresceram. A estrada ficou isolada. Curvas fechadas, árvores densas.
O rádio do motorista chiou. Mensagem baixa. Ele respondeu, olhos na estrada.
— Algum problema? — Lorenzo inclinou-se.
— Não, senhor — resposta rápida. Profissional. Mas tensa.
O coração de Ariana acelerou. Pouco.
O rádio chiou de novo. Vozes confusas, cortadas.
— Perdemos comunicação com a equipe à frente — disse o motorista.
Silêncio pesado.
Isabella endireitou-se. Encontrou a mão de Ariana. Gesto protetor.
— Talvez seja só sinal.
— Talvez — Lorenzo respondeu. Não parecia convencido.
Quando Lorenzo Romano ficava alerta, existia motivo.
O comboio avançou. Segundos longos. A felicidade da tarde virava pressentimento. Frio estranho na coluna de Lorenzo.
Então aconteceu.
O primeiro carro da escolta freou brusco. O segundo também.
O blindado principal parou com força. Ariana foi jogada pra frente, o cinto segurou.
— O que foi? — Isabella perguntou.
Ninguém respondeu. Todos olhavam a estrada.
Um caminhão atravessado. Bloqueando tudo. Abandonado. Sem explicação.
O ar mudou. Instantâneo.
Lorenzo se moveu. O pai sumiu. Surgiu o homem que ergueu um império. Frio. Rápido. Perigoso.
— Travas. Agora.
Mecanismos blindados trancaram.
— Papai...
— Fica abaixada.
Medo real. Cruel. Visceral.
Lorenzo sacou a arma do paletó. Movimento automático.
O inferno começou.
Explosão à esquerda. O chão tremeu. O carro balançou.
Tiros. Centenas. Talvez milhares. Vidros blindados vibraram. Metal foi perfurado.
Escolta revidou, mas estava em desvantagem. Homens armados surgiam entre árvores, encostas, pedras. Fantasmas.
Cheiro de pólvora. Gosto metálico de medo.
— MÃE!
Isabella a envolveu.
— Tá tudo bem — mentiu, voz tremendo. — Vai ficar tudo bem.
Outro impacto. Mais forte. O carro girou. Ariana bateu o ombro na porta. Dor.
— Eles sabiam da rota — Lorenzo rosnou. Traição.
Explosão destruiu um carro da escolta. Clarão. Fogo. Corpos. Metal.
Ariana nunca esqueceria aquela imagem.
O motorista tentou manobrar. Tarde.
Uma caminhonete veio na lateral, velocidade máxima. Colisão devastadora.
O carro dos Romano perdeu o controle.
Isabella gritou. Lorenzo chamou a filha.
O mundo girou. Uma vez. Duas. Três.
Vazio.
O blindado atravessou a proteção da estrada e despencou.
Capotando pela encosta. Metal contra pedra. Vidros explodindo. Sangue. Escuridão.
Até parar.
Brutal. Violento. Definitivo.
Silêncio. Assustador. Impossível.
O carro, de cabeça pra baixo. Rodas girando devagar acima deles, rangido metálico.
Sangue escorreu pela testa de Ariana. Visão escurecendo.
A última coisa que ouviu foi a respiração irregular da mãe.
E uma palavra. Fraca. Quase inaudível.
— Ariana...
Então, escuro.
O anúncio foi feito três dias depois. Três dias de olhares evitados. Três dias de encontros interrompidos. Três dias durante os quais Ariana e Zayn tentaram convencer a si mesmos de que ainda tinham controle sobre os próprios sentimentos. Nenhum dos dois conseguiu. Naquela manhã, o palácio de Al Nur despertou em uma agitação incomum. Criados atravessavam os corredores carregando arranjos florais. Tapeçarias antigas eram cuidadosamente posicionadas nos grandes salões. Lustres de cristal eram limpos até brilharem como estrelas suspensas. Cozinheiros trabalhavam desde o amanhecer preparando pratos destinados aos convidados mais importantes do reino. Um grande banquete seria realizado naquela noite. Ministros. Empresários. Líderes tribais. Representantes diplomáticos. Membros da nobreza. Todos estariam presentes. E, pela primeira vez desde sua chegada ao reino,
A guerra começou sem gritos. Sem ameaças. Sem confrontos diretos.Como todas as guerras verdadeiramente perigosas, ela nasceu em silêncio.Nadia compreendia algo que muitas pessoas jamais aprendiam: Destruir alguém raramente exigia força. Na maioria das vezes bastava paciência. Uma palavra dita no momento certo. Um olhar. Um boato. Uma dúvida cuidadosamente plantada. Uma humilhação executada com precisão. E Ariana Romano sequer imaginava que havia acabado de se tornar alvo de uma mulher que passara anos sobrevivendo dentro de um ambiente onde o poder era conquistado através da manipulação.Naquela manhã, depois do encontro no corredor entre Ariana e Zayn, Nadia recolheu-se aos próprios aposentos. Não para descansar. Não para refletir. Mas para planejar.O amplo quarto refletia perfeitamente sua personalidade. Cortinas escuras de seda caíam do teto até o chão como cascatas negras. Os móveis ornamentados em ouro envelhecido brilhavam sob a luz suave que atravessava os vitrais colori
A manhã seguinte ao beijo nasceu quente demais, clara demais, viva demais para uma mulher que passara a noite inteira tentando convencer o próprio coração de que nada havia mudado.Ariana despertou antes do sol atravessar completamente as cortinas de seda de seus aposentos. Ficou imóvel por alguns segundos, olhando para os desenhos dourados do teto, sentindo o corpo ainda preso à memória da noite anterior. O pavilhão de mármore branco. O perfume das rosas do deserto. A lua derramando prata sobre o jardim. A voz baixa de Zayn. O toque de seus dedos em seus cabelos. O beijo. Principalmente o beijo. A lembrança veio tão forte que sua respiração falhou, e ela levou a mão ao próprio peito, como se pudesse impedir o coração de reagir outra vez.Não podia estar acontecendo. Não com ele. Não com o homem que a comprara em um leilão.Não com o príncipe que possuía um harém, concubinas, favoritas e uma vida inteira construída sobre regras que ela mal compreendia.Ariana levantou-se rapidament
As palavras de Ariana permaneceram suspensas entre eles como se o próprio vento do deserto se recusasse a levá-las embora."Perto de você eu consigo esquecer, por alguns instantes, tudo aquilo que vivi."Ela abaixou os olhos imediatamente, tomada por um misto de vergonha e vulnerabilidade. Não costumava permitir que ninguém enxergasse tão claramente aquilo que acontecia dentro dela. Desde o massacre de sua família, aprendera a esconder sentimentos atrás da necessidade constante de permanecer forte. Revelar qualquer fragilidade significava correr o risco de ser ferida novamente.Mas, diante de Zayn, as defesas pareciam perder a força pouco a pouco.Ele permaneceu em silêncio durante alguns segundos.Não porque não soubesse o que responder. Mas porque compreendia o peso daquela confissão.Ariana não estava apenas agradecendo por um passeio ou por uma noite agradável. Estava admitindo que, pela primeira vez desde que perdera tudo, encontrara alguém diante de quem conseguia respirar sem





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