Mundo de ficçãoIniciar sessão( Ponto de vista dela )
Alguns dias parecem desenhados apenas para testar os seus nervos. Eu já tinha acordado atrasada, meu cabelo se recusava a colaborar e, para coroar a manhã perfeita, meu pneu traseiro direito decidiu estar completamente murcho. Fiquei encarando aquela borracha vazia no chão, sentindo uma vontade intensa de chorar de pura frustração. Peguei meu celular com os dedos trêmulos, tentando desesperadamente abrir um aplicativo de corrida, mas a tarifa dinâmica estava uma loucura absoluta e nenhum motorista aceitava a viagem. Eu ia perder a reunião matinal mais importante da minha semana.
Foi exatamente nesse momento que o som suave de um motor desacelerando quebrou o meu desespero.
Um carro cinza, elegante e impecável, com vidros fortemente fumê, parou bem na minha frente. O vidro do lado do passageiro desceu suavemente, revelando um homem. E que homem. Ele tinha traços marcantes e afiados, um olhar intenso e um sorriso caloroso que parecia pertencer a um comercial de TV de alto padrão, era levemente preocupado e perfeitamente educado.
— Problemas com o pneu? — a voz dele era firme e encorpada,o tom reconfortante exato de um bom samaritano aparecendo no momento perfeito.
Pisquei, completamente pega de surpresa. Normalmente, sou uma pessoa muito desconfiada, mas o desespero puro de estar atrasada e a postura impecavelmente educada dele falaram mais alto do que a minha cautela.
— Completamente murcho — respondi, soltando um suspiro pesado e guardando o celular. E nenhum dos aplicativos de corrida está aceitando viagens hoje.
— O trânsito da cidade está um pesadelo absoluto lá fora — disse ele, destravando a porta do passageiro pelo lado de dentro com um clique suave. — Olha, eu já estou indo em direção ao centro. Se você não se importar em aceitar uma carona de um estranho temporário, posso facilmente te deixar no seu escritório. Prometo que não sou perigoso.
Ele riu baixinho, um som limpo e genuíno. Chequei meu relógio de pulso. Eu tinha exatamente quinze minutos antes do início da minha reunião. Mordi o lábio inferior, hesitando por dois segundos, mas a extrema necessidade venceu a minha dúvida.
— Você está literalmente salvando a minha vida agora — eu disse, ajeitando a bolsa no ombro e entrando no veículo.
A atmosfera lá dentro era um mundo completamente diferente. O ar-condicionado fresco aliviou instantaneamente o calor intenso da manhã que eu sentia na rua, e o aroma rico de couro caro misturado a uma colônia amadeirada e sofisticada era totalmente inebriante. Fechei a porta, e o motorista calmamente engatou a marcha, afastando-se do meio-fio com facilidade.
— Sou o Dominic — ele se apresentou, oferecendo um aperto de mão rápido e educado, sem tirar os olhos da estrada.
— Aléxia — respondi enquanto apertava a mão dele. A pele dele estava quente, e o aperto era notavelmente firme, estável e reconfortante.
— Prazer em conhecer você, Aléxia. Fique tranquila, resgatar pessoas com pneus furados é apenas parte do meu pacote de boas ações do ano.
Sorri, finalmente relaxando as costas contra o confortável banco de couro. Foi então que notei o console central. Havia um copo térmico elegante bem ali, e o aroma rico que escapava dele era maravilhoso e deliciosamente familiar. Baunilha? Não... canela.
Dominic olhou brevemente para onde meus olhos estavam vagando e soltou um suave "Ah!", como se de repente se lembrasse de algo.
— Pode pegar se quiser. Um colega me pediu para buscar esse café na cafeteria da esquina, mas ele acabou de me enviar uma mensagem cancelando nossa reunião da manhã. É um espresso duplo, com um toque de canela e quase nada de açúcar. Está completamente intocado. Se você gostar desse tipo de mistura, sinta-se à vontade para beber.
Paralisei por um segundo, olhando do copo direto para o rosto dele.
— Você está brincando comigo? — perguntei, pegando o copo térmico morno. O metal parecia reconfortante contra as minhas mãos. — Este é exatamente o meu café favorito. Meu pedido exato e específico de todas as manhãs.
Dominic ergueu as sobrancelhas, fingindo uma expressão impecável de surpresa, embora seus olhos escuros brilhassem com uma intensidade profunda e oculta pelo canto do olho.
— Sério? Que coincidência louca e inacreditável — comentou suavemente, com o tom de voz completamente calmo. — Acho que o destino realmente queria que você entrasse neste carro hoje.
Dei um gole lento. O sabor estava absolutamente perfeito. Era forte, com a quantidade exata de amargor que eu amava, e o aroma rico de canela preencheu o carro inteiro. Uma onda de conforto me invadiu. Olhei para o perfil marcado e bonito daquele homem, sua mandíbula forte, suas mãos firmes no volante, e pensei na sorte incrível que eu tinha dado. Quais eram as chances de um estranho lindo oferecer uma carona e ter exatamente a minha receita de café ali?
Mal sabia eu que, enquanto eu desfrutava alegremente da bebida quente, Dominic me vigiava intensamente pelo canto do olho. Ele controlava a velocidade do carro não pelo fluxo do trânsito, mas para fazer aquela viagem durar o maior tempo possível. A mentira era incrivelmente doce, o café estava perfeitamente quente, e eu estava caindo direto na armadilha dele, sem sequer saber que uma teia existia.







