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CAPÍTULO 3 — O Gosto de Uma Primeira Impressão.

Ponto de vista de Aléxia

No sábado de manhã, eu acordei pensando que a semana finalmente tinha acabado.

Por alguns segundos, fiquei olhando para o teto, aproveitando o silêncio do apartamento.

Nenhum despertador.

Nenhum e-mail urgente.

Nenhuma reunião esperando por mim.

Era exatamente o que eu precisava.

Levantei sem pressa e fui até a cozinha.

Enquanto preparava meu café, minha mente começou a organizar automaticamente tudo o que eu precisava fazer durante o fim de semana.

Lavar algumas roupas.

Organizar os documentos que estavam espalhados pela sala.

Revisar uma apresentação que eu tinha prometido terminar na segunda-feira.

Parei.

Não.

Era sábado.

A apresentação podia esperar.

Peguei a xícara e me sentei à mesa.

Foi quando percebi que estava sorrindo.

Não por causa do trabalho.

Nem por causa do fim de semana.

Por causa de uma lembrança.

Um carro.

Um estranho.

Um café.

Revirei os olhos para mim mesma.

Dominic.

Era impressionante como aquele homem tinha conseguido ocupar um espaço tão grande na minha cabeça depois de tão pouco tempo.

Eu nem sabia praticamente nada sobre ele.

Sabia o nome.

Sabia que trabalhava no centro financeiro.

Sabia que dirigia com uma calma quase irritante.

Sabia que gostava daquele restaurante.

E sabia que tinha um sorriso capaz de fazer uma situação completamente absurda parecer menos estranha.

Era pouco.

Muito pouco.

E, ainda assim, parecia suficiente para despertar minha curiosidade.

Terminei o café e levantei.

Decidi que não pensaria mais nisso.

Pelo menos naquele dia.

No domingo, levei o carro para verificar o pneu.

Depois de toda a confusão de sexta-feira, eu não queria correr o risco de ter outro problema durante a semana.

O mecânico examinou o pneu por alguns minutos.

— Vai precisar trocar.

Suspirei.

— Claro que vai.

Ele sorriu.

— Pelo menos você percebeu antes de acontecer alguma coisa pior.

Assenti.

Era exatamente o que eu queria ouvir.

Saí dali com a sensação de que tinha resolvido mais uma pendência.

E, enquanto dirigia de volta para casa, pensei novamente na sexta-feira.

Se eu não tivesse tido aquele problema...

Não teria conhecido Dominic.

Era uma linha de pensamento simples.

Mas estranha.

Minha vida estava cheia de pequenas decisões que pareciam insignificantes no momento.

Escolher um caminho diferente.

Entrar em determinado restaurante.

Sair alguns minutos mais cedo.

Aceitar uma carona.

Talvez fosse por isso que eu sempre gostei de acreditar que certas coisas simplesmente acontecem.

A vida era cheia de pequenos desvios.

Alguns não significavam nada.

Outros mudavam completamente o caminho.

Não sabia em qual categoria Dominic se encaixava.

E talvez fosse cedo demais para descobrir.

Na segunda-feira, voltei ao trabalho.

A rotina ocupou minha cabeça rapidamente.

Projetos.

Prazos.

Reuniões.

Clientes.

Tudo voltou ao lugar.

Era quase reconfortante.

Eu gostava da sensação de saber exatamente o que precisava fazer.

Arquitetura exigia atenção constante.

Um detalhe errado podia comprometer um projeto inteiro.

Por isso, eu costumava confiar mais em planejamento do que em improviso.

Talvez fosse justamente por isso que aquela sexta-feira tivesse me deixado tão intrigada.

Nada tinha acontecido como planejado.

Meu carro tinha parado.

Nenhum motorista aceitava minha corrida.

Um estranho apareceu.

Eu aceitei a carona.

E, algumas horas depois, ainda estava pensando nele.

Era o tipo de situação que normalmente me deixaria desconfortável.

Mas não deixou.

Talvez porque Dominic tivesse respeitado meu espaço.

Talvez porque ele não tivesse tentado transformar aquela carona em algo maior do que era.

Ou talvez porque, apesar de tudo, eu tivesse gostado da companhia dele.

Essa última possibilidade era a que eu menos queria admitir.

Durante os dias seguintes, minha rotina continuou normalmente.

E foi justamente isso que me fez perceber uma coisa.

Eu não estava esperando que Dominic aparecesse novamente.

Não de verdade.

Eu apenas tinha gostado de conhecê-lo.

Gostado da conversa.

Gostado da sensação de passar alguns minutos longe da minha própria rotina.

Era simples.

Não precisava significar nada.

E, quanto mais eu repetia isso para mim mesma, mais fácil ficava acreditar.

Na sexta-feira, depois de uma semana particularmente cansativa, percebi que não queria voltar direto para casa.

Fechei o último arquivo do computador e encostei na cadeira.

Eu precisava sair.

Não para algum lugar barulhento.

Não para uma festa.

Só queria uma noite tranquila.

Uma boa comida.

Uma taça de vinho.

Algumas horas sem pensar em trabalho.

Peguei minha bolsa e saí do escritório.

Enquanto dirigia, comecei a pensar em onde poderia jantar.

Foi quando lembrei de um pequeno restaurante italiano que eu gostava.

Era um lugar simples, aconchegante e discreto.

Nada chamativo.

Talvez fosse justamente por isso que eu gostava tanto.

Eu não precisava me preocupar com nada ali.

Podia simplesmente sentar, comer e esquecer que existiam prazos.

Estacionei algumas ruas depois e caminhei até o restaurante.

A noite estava agradável.

O movimento da cidade já começava a diminuir, embora as ruas ainda estivessem cheias.

Entrei.

O ambiente estava exatamente como eu lembrava.

Luzes baixas.

Música suave.

Mesas ocupadas por casais e pequenos grupos.

O cheiro da comida vindo da cozinha.

Um garçom me recebeu com um sorriso e me conduziu até uma mesa mais afastada.

Sentei.

Tirei o blazer e coloquei sobre a cadeira.

Pela primeira vez naquela semana, senti que conseguia respirar sem pensar no que precisava fazer depois.

Pedi uma taça de vinho.

Enquanto esperava, observei o movimento do restaurante.

Uma mulher ria em uma mesa próxima.

Um casal conversava em voz baixa.

O garçom passava entre as mesas carregando pratos.

Tudo parecia comum.

Tranquilo.

Exatamente o que eu queria.

Quando minha bebida chegou, agradeci e peguei a taça.

Tomei um pequeno gole.

Fechei os olhos por um instante.

Talvez eu realmente precisasse de uma noite assim.

Sem trabalho.

Sem preocupações.

Sem pensar em homens que eu mal conhecia.

Sorri sozinha.

Porque, é claro, mesmo quando eu tentava não pensar nele, Dominic conseguia aparecer de alguma forma.

Balancei a cabeça.

Era apenas uma lembrança.

Uma boa lembrança.

Nada mais.

Eu não tinha motivo para esperar outro encontro.

Não tinha motivo para imaginar que aquela história continuaria.

E, sinceramente, talvez fosse melhor assim.

Algumas pessoas entram na nossa vida por alguns minutos.

Deixam uma impressão.

Depois desaparecem.

É assim que normalmente acontece.

Peguei o cardápio e comecei a escolher o que pedir.

Foi então que ouvi meu nome.

— Aléxia?

Meu coração pareceu parar por um segundo.

Levantei os olhos.

E o mundo ao redor perdeu um pouco da importância.

Dominic estava parado ao lado da minha mesa.

Por um instante, apenas fiquei olhando para ele.

Aquela mesma calma.

Aquele mesmo olhar.

O mesmo homem que eu tinha decidido esquecer durante toda a semana.

Ele sorriu.

E eu não consegui evitar o meu próprio sorriso.

— Dominic?...

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