Mundo de ficçãoIniciar sessão(Ponto de Vista Dela)
O trajeto até o centro da cidade correu com uma facilidade que parecia até mentira, considerando o caos típico daquele horário. Dominic dirigia muito bem, mudando de faixa com uma calma impressionante, como se tivesse todo o tempo do mundo. Enquanto eu tomava os últimos goles daquele café perfeito com canela, todo o estresse que havia esmagado o meu peito logo cedo simplesmente sumiu.
Quando olhei pela janela e vi a fachada espelhada do prédio do meu trabalho, soltei um suspiro de puro alívio. O relógio no painel do carro mostrava que faltavam exatamente dois minutos para a minha reunião começar.
— Entregue sã e salva, e rigorosamente no horário — anunciou Dominic, parando o carro com suavidade bem na porta da entrada principal.
Ele se virou um pouco no banco, apoiou o braço no volante e me deu aquele mesmo sorriso educado, charmoso e perfeitamente alinhado.
— Eu nem sei como te agradecer, Dominic — eu disse, colocando o copo térmico vazio de volta no suporte do console e ajeitando a minha bolsa no ombro. — Você não me deu apenas uma carona, você salvou o meu emprego hoje.
— Não precisa agradecer, Aléxia. Como eu disse antes, o destino parecia bem decidido a fazer os nossos caminhos se cruzarem hoje ,ele respondeu. Por um breve segundo, o tom da voz dele pareceu mais sério e profundo, mas logo ele sorriu de novo. — Vai lá. Não quero ser o responsável por te atrasar depois de todo esse esforço.
Abri a porta do carro e senti o vento quente da rua me atingir, mas antes de sair totalmente, olhei para trás. Parecia falta de educação só ir embora assim, sem oferecer nada em troca de tanta gentileza.
— Eu... posso te pagar um café de verdade uma hora dessas? Para compensar esse que eu tomei? — perguntei, sentindo minhas bochechas esquentarem um pouco de vergonha.
Dominic deu uma risada baixinha e gostosa de ouvir, um som incrivelmente charmoso que fez meu estômago dar uma reviravolta estranha.
— Seria um prazer. Mas não se preocupe com isso agora. Quem sabe a gente não se esbarra por aí de novo? A cidade é grande, mas as coincidências são astutas.
Sorri, balancei a cabeça e fechei a porta. Corri para o elevador com o coração batendo acelerado, metade pela adrenalina da reunião que já ia começar, metade pelo magnetismo daquele homem misterioso. A reunião foi um sucesso total, mas confesso que, durante o resto da semana, a minha mente toda hora voltava para o aroma de couro e canela daquele carro.
O que eu nem desconfiava era que a nossa próxima "coincidência" já estava com data, hora e local marcados por ele. E não tinha absolutamente nada a ver com destino.
Na sexta-feira à noite, eu estava exausta. Depois de uma semana cansativa de trabalho, tudo o que eu queria era relaxar. Decidi ir a um restaurante italiano pequeno e bem aconchegante que eu adorava. O lugar era lindo, com luzes baixas, música suave de fundo e mesas de madeira que davam um clima super acolhedor. Era o refúgio perfeito para tomar uma taça de vinho e esquecer os problemas.
O garçom havia acabado de servir o meu prato quando uma sombra elegante se projetou sobre a minha mesa.
— Com licença... Aléxia?
Ergui os olhos rapidamente e meu coração deu um salto de surpresa. Parado ali, vestindo uma camisa escura com os primeiros botões abertos e as mangas levemente dobradas, estava Dominic. Ele segurava um copo com gelo e tinha uma expressão de completo espanto no rosto, como se estivesse vendo um fantasma.
— Dominic! — deixei escapar, arrumando a minha postura na cadeira e sorrindo. — Meu Deus, que surpresa!
— Eu não queria incomodar, mas olhei de longe e tive certeza de que era você. Que loucura te encontrar logo aqui — ele disse, com os olhos escuros brilhando intensamente. — Este é o meu restaurante favorito para encerrar a semana. Pelo visto, o nosso gosto para comida também é o mesmo.
— Pelo visto sim! — dei risada, ainda impressionada com o acaso. — O espaguete daqui é maravilhoso.
— É o melhor da cidade, ele concordou com a voz mansa, olhando para a cadeira vazia na minha frente. — Você está esperando alguém, ou eu posso me sentar com você por alguns minutos para fazermos companhia um ao outro?
Olhei para o espaço vazio. O Dominic estava sendo, mais uma vez, um perfeito cavalheiro, e eu me sentia completamente segura e lisonjeada com a presença dele. Com um sorriso no rosto, fiz um gesto para que ele se sentasse.
Mal sabia eu que aquele encontro não tinha nada de casual. Dominic não costumava frequentar aquele lugar, e o terno impecável que ele usava escondia as garras de um lobo que havia mapeado cada passo meu. Eu achava que estava controlando a minha própria noite, mas a verdade é que eu estava puxando a cadeira para o meu próprio predador, entrando ainda mais fundo em uma teia que ele tecia com extrema paciência.







