Narrado por Zalea Baranov
Os dias se misturavam em um borrão indistinto, mas o que aconteceu naquela noite continuava vívido na minha mente, como uma cicatriz recente. Eu me forçava a acreditar que nada havia mudado, que podia retomar a rotina como se nada tivesse acontecido. Mas algo havia mudado. Eu havia mudado.
A imagem dele — o homem do gelo, o olhar cortante como navalha, os traços marcados pela violência e o poder — grudou em mim como um vício silencioso. Eu não deveria me lembrar. Não d