O ar de Yorkshire não possuía o gosto metálico de Londres, nem o cheiro de fumaça e segredos que impregnava as ruas de Mayfair. Ali, o vento soprava livre, carregando o aroma de terra úmida, urze e a promessa de uma primavera que não pedia licença para florescer. Diante da imponente fachada de pedra da propriedade Sterling, Lara observava o horizonte, onde o céu parecia abraçar as colinas verdes com uma ternura que ela finalmente sentia em sua própria vida.
Sentada na varanda de mármore — o mesmo mármore que outrora representava sua prisão e agora era apenas o alicerce de seu lar —, Lara pousou a mão sobre o ventre, sentindo o movimento sutil da vida que crescia dentro dela.
“Quem diria, papai,” pensou ela, os olhos fixos em uma árvore de carvalho centenária. “Sua memória não é mais uma corrente que me arrasta para o fundo, mas uma raiz que me sustenta. Eu passei tanto tempo odiando o mundo por ter nos tirado tudo, que quase esqueci que a maior riqueza não estava nas escrituras qu