O sol de Londres parecia ter decidido, por um breve momento de ironia meteorológica, cooperar com a farsa que se desenrolava. Através das janelas em arco do ateliê de Madame Beaumont — o epicentro da moda para as damas de Mayfair —, a luz incidia sobre os metros de seda, cetim e renda que agora rodeavam Lara Sterling. No entanto, para ela, aquela opulência não era um sonho de Cinderela; era uma jaula dourada, pesada e claustrofóbica.— Mantenha as costas eretas, mademoiselle — solicitou a modista, uma mulher de gestos rápidos e olhos que julgavam tecidos e linhagens com a mesma precisão. Ela falava com a boca cheia de alfinetes, o que dava à sua voz um tom metálico. — Uma futura Sra. Valla não se curva sob o peso de um vestido, ela o domina. Ele deve ser uma extensão de sua vontade, não apenas uma cobertura para sua pele.Lara suspirou, tentando não se mover enquanto o tecido azul-celeste, da cor do gelo sob o sol, era ajustado à sua cintura com uma força que quase lhe roubava o fôleg
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