O navio que trazia os Valla de volta à Inglaterra cortava as águas cinzentas do Canal da Mancha com uma determinação que espelhava o estado de espírito de Arthur. No convés, ele observava os penhascos brancos de Dover surgindo no horizonte, mas não sentia o aperto no peito que costumava acompanhá-lo ao retornar à sua jurisdição. Londres não era mais o tribunal onde ele precisava provar sua existência; era apenas o cenário onde ele finalizaria os termos de sua liberdade.
Lara estava ao seu lado, o rosto bronzeado pelo sol das colônias, uma beleza que agora possuía uma têmpera de aço. Ela não usava o espartilho rígido que a etiqueta londrina exigia, e seu olhar não buscava mais a aprovação de Arthur. Eles eram, pela primeira vez em sua história, dois pilares de igual altura.
Assim que desembarcaram, a primeira parada de Arthur não foi a mansão em Mayfair, mas as celas de detenção temporária para onde Julian Sterling fora levado após sua tentativa de chantagem.
Arthur entrou na sala de v