O inverno em Yorkshire tinha uma maneira peculiar de testar a resiliência das almas. O vento uivava pelas frestas das janelas da mansão Sterling como um fantasma faminto, e a neve cobria as colinas com um manto que era, ao mesmo tempo, belo e isolador. Para Arthur e Lara, aquele deveria ser o tempo da colheita do silêncio, o momento de desfrutar da paz conquistada a duras penas. Mas, como Arthur bem sabia em sua experiência jurídica, o passado nunca é enterrado de forma profunda o suficiente para que não possa ser desenterrado por uma mão gananciosa.
A carta chegou em uma manhã de terça-feira, trazida por um mensageiro cujas roupas cheiravam a cavalo e ao desespero das estradas lamacentas. Não era um envelope comum; era de um papel pardo, áspero, selado com um lacre de cera preta que Arthur não reconhecia.
Ao abri-la no calor de seu escritório, Arthur sentiu um calafrio que nada tinha a ver com a temperatura externa.
“Sr. Valla,” dizia a letra inclinada e agressiva. “Acredito que o se