O retorno de Viena para Londres deveria ter sido o repouso do guerreiro, mas o envelope que aguardava Lara na escrivaninha de carvalho da mansão Valla tinha o cheiro de tabaco barato e maresia — um cheiro que a transportou, instantaneamente, para os dias mais sombrios de sua infância.
A caligrafia era apressada, quase um garrancho, mas as palavras eram inconfundíveis: "Lara, a pequena flor de Yorkshire cresceu e encontrou um jardim rico. O sangue fala mais alto que o ouro. Encontre-me nas docas de Rotherhithe ao cair da noite. Venha sozinha, ou o segredo que eu carrego sobre o nosso pai será vendido para o maior lance."
O nome assinado era Julian Sterling. O irmão que Lara acreditava ter morrido de febre amarela nas colônias penais da Austrália há cinco anos. O irmão que fora o motivo original das dívidas de jogo do pai, o jovem que destruíra o que restava da honra da família antes de ser deportado.
Lara sentiu os joelhos fraquejarem. Ela se apoiou na mesa, o papel tremendo entre seus