Mundo de ficçãoIniciar sessãoMaia Tramell nunca teve o luxo de sonhar. Entre contas acumuladas, uma família que depende dela e a pressão de sobreviver em uma cidade grande, Maia aprendeu cedo que o mundo não é gentil com mulheres pobres. Durante o dia, ela luta para conquistar seu espaço na faculdade de arquitetura. À noite, toma decisões que jurou que nunca tomaria… tudo para manter sua família de pé. Christopher Griffin é o tipo de homem que sempre consegue o que quer. Bilionário, CEO da Art Life e conhecido por sua personalidade fria, controladora e obsessiva, ele construiu um império antes dos trinta anos. Poderoso, irresistível e acostumado a comandar tudo ao seu redor, Christopher jamais imaginou que perderia o controle justamente por causa de uma garota de olhos verdes que apareceu em sua vida da forma mais improvável possível. O que começa como uma atração intensa e perigosa rapidamente se transforma em uma obsessão impossível de ignorar. Mas quando Maia descobre que o homem com quem passou a noite é também o seu novo chefe, ela decide manter distância. Christopher, porém, não aceita facilmente um “não”. Entre os corredores da universidade, os luxuosos escritórios da Art Life e um romance proibido no ambiente de trabalho, Maia e Christopher vão se envolver em um jogo perigoso de desejo, orgulho e sentimentos reais. Porque alguns encontros mudam tudo. E algumas pessoas chegam na nossa vida para destruir todas as regras que juramos seguir.
Ler maisChovia fraco quando Maia destrancou o pequeno portão de madeira da casa.
A madeira velha rangeu assim que ela empurrou a entrada, e o cheiro de terra molhada tomou conta do ar imediatamente. Era sempre assim depois de um dia chuvoso. O quintal parecia respirar junto com ela.
Os saltos altos afundaram levemente no caminho de pedras que ela mesma havia colocado meses atrás assim que alugou essa casa, num domingo inteiro de sol forte e música baixa tocando no celular.
A casa ficava em um bairro um pouco afastado da zona sul da cidade. Longe dos prédios luxuosos, dos restaurantes caros e dos hotéis onde passava grande parte das noites fingindo pertencer àquele mundo.
Ali, ninguém imaginaria quanto dinheiro alguns homens pagavam para passar algumas horas ao lado dela.
E Maia gostava disso.
Gostava do anonimato.
Do silêncio. Da simplicidade.A casa era pequena, antiga e simples, mas o quintal era o único luxo do qual ela se recusava a abrir mão.
Mesmo que significasse trabalhar mais.
Mesmo que significasse aceitar encontros que odiava.Porque aquele lugar… era a única coisa que ainda fazia ela sentir que existia alguma parte intacta dentro dela.
A chuva fina escorria pelas folhas largas da bananeira no canto do terreno. Perto do muro havia um pinheiro alto que fazia sombra durante quase toda a tarde, e mais perto da varanda ficava a pequena horta suspensa feita de tijolinhos aparentes que ela mesma construiu depois de assistir vídeos na internet durante madrugadas insones.
Manjericão.
Alecrim. Cebolinha. Hortelã.Ela cuidava de tudo sozinha.
Às vezes chegava em casa às três da manhã e ainda assim molhava as plantas antes de dormir.
Como se aquilo mantivesse alguma parte dela viva.
O salto ficou abandonado perto da varanda antes mesmo que ela acendesse as luzes da sala. Os pés doíam. O maxilar também. Ela nem percebeu o quanto estava apertando os dentes durante o encontro até sentir o gosto metálico da tensão descendo pela garganta.
Por alguns segundos, Maia apenas ficou parada no meio do quintal observando a chuva fraca cair sobre as folhas.
Tentando voltar a ser ela mesma.
Porque aquela mulher que entrava em restaurantes usando vestidos caros, perfume marcante e um sorriso perfeitamente calculado… não era exatamente ela.
Era uma versão construída.
Uma necessidade.
Uma personagem.
Ela caminhou até o banheiro, tirando os brincos devagar. O reflexo no espelho ainda parecia o de outra pessoa. Boca vermelha. Olhar afiado. Postura impecável.
Megan.
Esse era o nome que usava nos encontros.
Às vezes Maia pensava que Megan sobreviveria ao fim do mundo antes dela.
Abriu a torneira e lavou o rosto lentamente até a maquiagem escorrer pela pia branca. Era sempre naquele momento que a armadura começava a cair.
Sem o batom.
Sem os cílios postiços. Sem a voz baixa e provocante.Restava só ela.
Cansada.
Muito cansada.
Depois do banho, colocou uma camiseta velha da faculdade e prendeu o cabelo ainda molhado. O cheiro de café antigo misturado com terra úmida preenchia a casa. Livros estavam espalhados pela mesa da cozinha ao lado de folhas de projetos da faculdade, algumas canetas e um vaso pequeno de lavanda.
Ela gostava disso.
Gostava de coisas simples.
Luz baixa.
Chuva na janela. Terra molhada. Silêncio.Gostava de fingir que tinha uma vida normal.
Sentou na cama e puxou o diário da gaveta.
A capa já estava desgastada nos cantos.
Abriu em uma página em branco.
“Hoje eu fui Megan outra vez.”
A caneta parou por alguns segundos.
“E acho que estou ficando boa demais nisso.”
Maia mordeu o interior da bochecha antes de continuar escrevendo.
“O cliente de hoje não tirava os olhos de mim. Homens ricos sempre olham como se estivessem comprando alguma coisa, mas esse era diferente. Ele me observava como se tentasse decifrar cada movimento que eu fazia”
Ela soltou o ar devagar.
“O pior é que eu consegui atuar perfeitamente.”
Perfeitamente.
Ela escreveu aquilo e sentiu vontade de rir.
Era engraçado pensar que a menina que saiu aos 16 anos da casa dos pais e que distribuía panfletos no centro da cidade para ter o que comer agora sabia exatamente:
como sorrir, como tocar, como inclinar a cabeça, como fazer um homem acreditar que era especial.Tudo aprendido para sobreviver.
Seu celular vibrou em cima da cama.
Uma mensagem.
Número desconhecido.
Ela franziu a testa.
“Você ficou ainda mais bonita depois que te fodi.”
O ar pareceu sumir do quarto.
Maia leu a frase duas vezes.
Depois uma terceira.
O estômago afundou lentamente.
Porque ela nunca dava seu número pessoal.
Nunca.
E naquele instante, sentada na própria cama, ouvindo a chuva bater no telhado da pequena casa enquanto o cheiro de terra molhada invadia o quarto…
Pela primeira vez em muito tempo…
Maia sentiu medo de verdade.
Estava na cozinha preparando um leite morno para dormir quando escuto meu celular tocar.Chris: Estou no portão.Franzi a testa, surpresa.Desliguei o fogo rapidamente e saí de fininho pela porta dos fundos, tomando cuidado para não acordar ninguém.Quando abri o portão, vi um carro preto estacionado em frente de casa.A janela do motorista abaixou lentamente.Christopher.Com uma carranca.E uma expressão nada amigável.— Entra.Que mandão.Quase dei meia-volta e o deixei ali sozinho só para contrariá-lo.Mas a minha curiosidade jamais me deixaria dormir sem saber por que ele estava ali.Entrei no carro.— O que você está fazendo aqui?— Que mensagem foi aquela?Franzi a testa.— Mensagem? — perguntei confusa. — Como assim?Christopher se aproximou até ficar com o rosto quase colado ao meu.— “Foi ótimo te conhecer melhor”?Ele sorriu de canto.— Deixa eu te mostrar o prazer que foi… e o quanto ainda vai ser.Antes que eu conseguisse responder qualquer coisa, ele segurou delicadament
Acordei no meio da madrugada.Por alguns segundos fiquei olhando para o teto da sala, tentando entender o motivo de ter despertado.Tudo estava silencioso.As crianças dormiam abraçadas no colchão improvisado.Mamãe estava encolhida debaixo do cobertor.Maicon roncava baixinho do outro lado da sala.Um sorriso pequeno escapou dos meus lábios.Era uma bagunça.Mas era a minha bagunça.Levantei devagar, tomando cuidado para não acordar ninguém.Atravessei a sala na ponta dos pés e empurrei a porta dos fundos.O ar fresco da madrugada acariciou meu rosto imediatamente.Respirei fundo.Fui até o pequeno banco de madeira que ficava em frente à horta e me sentei.A lua iluminava parte do quintal.As folhas do manjericão balançavam devagar com o vento.O cheiro de terra úmida era suave.Fechei os olhos por alguns segundos.Tentei apenas respirar.Apenas existir.Mas era impossível.Meu pensamento sempre voltava para ele.Victor.As palavras dele ainda ecoavam na minha cabeça.“Se você não vi
Depois do almoço, tentei voltar para a rotina normalmente.Trabalho.Projetos.Prazos.Mas minha cabeça continuava cheia.Mesmo assim, eu estava tentando aproveitar cada momento em que conseguia esquecer.Quando finalmente chegou o fim do expediente, eu já estava cansada.Não apenas fisicamente.Era como se minha mente estivesse trabalhando sem parar desde o momento em que acordei.Christopher percebeu.Ele sempre percebia.— Você está quieta hoje.Olhei para ele enquanto entrávamos no elevador.— Só estou cansada.Ele não pareceu completamente convencido.Mas não insistiu.Essa era uma das coisas que eu gostava nele.Ele sabia quando perguntar.E sabia quando apenas ficar comigo.No caminho até minha casa, ficamos em silêncio.Mas não era um silêncio ruim.A música tocava baixo no rádio.A cidade passava pela janela.Pessoas andando pelas calçadas.Luzes dos prédios acendendo aos poucos conforme a noite chegava.E por alguns minutos eu consegui apenas existir.Quando chegamos em fren
POR MAIAO almoço terminou rápido demais.Ou talvez eu só tivesse gostado demais de esquecer do resto do mundo por algumas horas.Christopher fazia isso comigo.Ele conseguia me distrair.Fazer minha mente desacelerar.Fazer eu esquecer que existiam problemas esperando por mim assim que eu saísse daquela mesa.Depois que terminamos, ele fez questão de pagar a conta, mesmo quando eu insisti que poderia dividir.— Maia.O jeito que ele falou meu nome me fez parar.— O quê?— Para de tentar carregar tudo sozinha.Fiquei em silêncio.Porque aquela frase parecia simples.Mas ele não fazia ideia do quanto tinha acertado.Desviei o olhar.— Eu só estou acostumada.Christopher me observou por alguns segundos.Aquele olhar dele que parecia enxergar mais do que eu dizia.— Talvez esse seja o problema.Meu peito apertou.Porque uma parte de mim queria acreditar nele.Queria acreditar que eu não precisava resolver tudo sozinha.Mas a outra parte ainda estava presa na realidade.Eu tinha problemas





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