Megan & Maia

CAPÍTULO 2 

POR MAIA

Eu deveria ter bloqueado o número.

Era o que qualquer pessoa normal faria.

Mas fiquei olhando para a mensagem por quase dois minutos inteiros, sentindo aquele desconforto estranho crescer dentro do peito.

“Você ficou ainda mais bonita depois que te fodi.”

A frase parecia pior toda vez que eu relia.

Não pelo conteúdo.

Já ouvi coisas muito mais invasivas.

Muito piores.

O problema era outro.

Ele sabia meu número.

E ninguém sabia meu número.

Nem os clientes.

Nem os homens do aplicativo.

Nem mesmo alguns amigos.

Peguei o celular outra vez, respirando fundo antes de responder.

“Como conseguiu esse número?”

Enviei.

Meu reflexo escuro apareceu na tela logo depois. Cabelo molhado. Rosto cansado. A camiseta velha da faculdade quase caindo no ombro.

Tão diferente da mulher que ele conheceu algumas horas atrás.

Megan jamais demonstraria nervosismo.

Mas eu estava nervosa.

A resposta chegou rápido demais.

“Você sabe exatamente como.”

Meu estômago gelou.

Fiquei encarando a mensagem enquanto minha cabeça tentava organizar possibilidades. O aplicativo tinha um sistema protegido. Pelo menos era o que prometiam.

Clientes conversavam por lá.

Pagamentos eram feitos por lá.

Tudo anônimo.

Era justamente por isso que eu usava.

Segurança.

Distância.

Controle.

Ou a ilusão dele.

Meus dedos hesitaram antes de digitar novamente.

“Quem é você?”

Dessa vez ele demorou um pouco mais.

O indicador de mensagem aparecia e sumia, como se estivesse pensando cuidadosamente no que responder.

Então:

“Um dos homens que construiu aquele aplicativo.”

Senti um arrepio subir pelos braços.

Li aquilo duas vezes.

Depois uma terceira.

Meu primeiro impulso foi rir.

Parecia mentira.

Um homem rico brincando de ser misterioso porque não aceitava ouvir “não”.

No encontro ele pediu o meu número pessoal e eu neguei.

Mas alguma coisa dentro de mim dizia que não era brincadeira.

“Isso não é engraçado.”

A resposta veio quase imediatamente.

“Eu não estou brincando, Maia.”

Meu coração falhou uma batida.

Porque aquele nome…

Era meu.

Não Megan.

Não o nome do perfil.

Meu nome verdadeiro.

Levantei tão rápido da cama que o diário caiu no chão.

O quarto pareceu pequeno de repente.

Pequeno demais.

Minha cabeça começou a girar enquanto eu tentava lembrar se tinha deixado escapar alguma informação durante o encontro.

Mas eu era cuidadosa.

Sempre fui.

Nunca dizia onde morava.

Nunca usava meu nome.

Nunca falava da minha vida.

Era uma regra.

A principal delas.

O celular vibrou outra vez.

“Você não precisa ficar com medo. Eu só precisava conhecer melhor a número 1 do site. ;)”

Meu maxilar travou imediatamente.

Homens perigosos sempre dizem isso.

Fui até a janela e afastei a cortina só o suficiente para olhar a rua. A chuva continuava caindo fraca sobre os carros estacionados.

Nada estranho.

Ninguém parado ali.

Mesmo assim, meu corpo continuava em alerta.

“Eu só quero conversar.”

Fechei os olhos por um instante.

Era impressionante como homens ricos confundiam interesse com direito.

Eles pagavam por algumas horas e de repente acreditavam que podiam entrar em qualquer parte da sua vida.

Na sua rotina.

Na sua cabeça.

Na sua casa.

Na sua paz.

Voltei para a cama e sentei devagar.

Eu deveria bloquear aquele número.

Deveria apagar a conversa.

Dormir.

Esquecer aquilo.

Mas alguma coisa dentro de mim já sabia…

Aquele homem não era o tipo de problema que desaparecia sozinho.

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