Mundo de ficçãoIniciar sessãoEle é o herdeiro de um império bilionário. Frio, estratégico e acostumado a controlar tudo ao seu redor, Edward Fitzgerald nunca permitiu que emoções interferissem em seus planos. Para ele, relacionamentos são descartáveis e o amor é uma fraqueza que não pode se dar ao luxo de ter. Até que uma exigência ameaça seu controle. Seu avô impõe uma condição definitiva para a sucessão: ele precisa se casar e construir uma família. Do outro lado está Dayse Whithmore. Discreta, competente e determinada a manter a própria vida sob controle, ela vê tudo desmoronar após uma traição devastadora. Em uma noite impulsiva, marcada pela dor e pela necessidade de esquecer, ela se envolve com um estranho intenso… e acorda no dia seguinte sem lembrar de nada. Tentando seguir em frente, Dayse comete um erro impensável: assina um contrato sem revisar. O prejuízo é milionário. Sua carreira está por um fio. Mas o verdadeiro choque ainda está por vir. Na sala de reuniões, ela descobre que o homem da noite anterior não é apenas uma lembrança confusa, ele é Edward Fitzgerald. Seu chefe. Enquanto o pânico ameaça dominá-la, Edward enxerga naquela situação uma oportunidade perfeita. Frio, calculista… e interessado. A proposta vem sem espaço para recusa: — Case-se comigo. Eu resolvo o problema. Um contrato pode salvar sua carreira. Um casamento pode garantir o império dele. Mas, em um jogo onde tudo começou com uma noite esquecida, o maior risco não é a mentira… É descobrir o que acontece quando o controle começa a escapar.
Ler maisA primeira coisa que Dayse Whitmore fez depois de descobrir que sua vida havia desmoronado foi entrar em um bar em Manhattan.
A segunda foi pedir uma vodka dupla.
E a terceira foi não perceber que, desde o instante em que entrou, já havia sido escolhida.
Manhattan pulsava naquele dia, mas nada ali parecia vivo o suficiente para competir com o caos dentro dela.
As luzes dos prédios refletiam nos vidros dos carros que passavam em fluxo constante pelas avenidas. Ao mesmo tempo, a música que escapava dos bares próximos se misturava ao ruído contínuo da cidade.
Tudo isso criava aquela atmosfera típica das noites urbanas: a sensação de que, em meio à multidão e ao caos iluminado da cidade, sempre existe alguém tentando esquecer alguma coisa.
Era exatamente isso que Dayse Whitmore estava tentando fazer.
Quando empurrou a porta do bar, o ar quente e carregado de perfume, álcool e as vozes animadas, a envolveu imediatamente, como se o lugar inteiro estivesse convidando qualquer pessoa que entrasse ali a deixar seus problemas do lado de fora, pelo menos por algumas horas.
Ela caminhou até o balcão com passos firmes, embora por dentro estivesse muito menos segura do que aparentava. Se sentou no banco alto, apoiou a bolsa ao lado e respirou fundo antes de falar.
— Vodka — pediu, passando a mão pelos cabelos escuros que caíam sobre os ombros. — E não economize.
O barman ergueu uma sobrancelha, a observando rapidamente, como quem já reconhecia o tipo de noite que aquela mulher pretendia ter.
— Pura?
Dayse soltou um suspiro que carregava mais cansaço do que lucidez.
— E, dupla.
O copo foi colocado diante dela e, sem hesitar, ela o ergueu e virou o líquido transparente de uma só vez, sentindo o álcool descer queimando pela garganta até o estômago, onde se espalhou como uma pequena chama reconfortante.
Era exatamente o que precisava.
Por alguns segundos, permaneceu ali, olhando para o reflexo distorcido do espelho atrás das garrafas, tentando ignorar a lembrança da discussão que ainda ecoava na sua cabeça.
A traição, as mentiras, e as promessas quebradas.
Ela fechou os olhos por um instante.
— Outra — disse, empurrando o copo vazio para frente.
O segundo copo ainda estava sendo servido quando ela sentiu que estava sendo observada. Não era apenas alguém a olhando por acaso, era um olhar mais demorado, observador, pesado o suficiente para fazer um arrepio surgir na sua espinha.
Dayse virou o rosto devagar e foi quando o viu.
Ele estava alguns metros afastado, encostado casualmente no balcão com um copo na mão, observando-a com uma expressão curiosa que misturava confiança e um certo tipo de arrogância.
Era alto, muito alto, com o tipo de força que chamava atenção mesmo quando ele permanecia parado.
Era o tipo de homem cuja presença parecia ocupar mais espaço do que realmente ocupava. Vestia uma camisa branca impecável, com as mangas dobradas até os antebraços, revelando músculos firmes sob a pele. No pulso, um relógio caro chamava atenção, enquanto seus olhos verdes percorriam o ambiente com calma, como se estivessem analisando cada detalhe ao redor.
Quando percebeu que ela havia notado seu olhar, ele ergueu levemente o copo em sua direção, num gesto silencioso de brinde, e então começou a se aproximar devagar.
— Parece que você está tentando se afogar em vodka. — disse enquanto se aproximava.
Dayse arqueou uma sobrancelha, virando o corpo de leve no banco para encará-lo.
— E você parece estar tentando puxar conversa… sem saber se deveria.
Um sorriso lento surgiu no canto da boca dele.
— Eu nunca faço nada sem saber exatamente o que estou fazendo.
Ela inclinou a cabeça, analisando.
— Isso soa mais como arrogância do que como confiança.
— Normalmente são a mesma coisa.
Ele se aproximou um pouco mais parando ao lado dela, próximo o suficiente para que ela percebesse o perfume dele, um aroma sofisticado que imediatamente chamou sua atenção.
— Problemas? — ele perguntou, como se já soubesse a resposta.
Dayse soltou uma risada leve, mas sem suavidade.
— Você sempre aborda mulheres assim? Como se estivesse avaliando um investimento?
— Só quando vale a pena.
Ela estreitou os olhos.
— E você já decidiu se vale a pena?
Ele não hesitou.
— Desde o momento em que você entrou.
Dayse sorriu e dando mais um gole na sua bebida.
— Você é perigosamente confiante. — ela disse, mas havia um brilho diferente no olhar.
— Eu prefiro o termo preciso. Normalmente, eu não erro.
Ela se inclinou levemente em direção a ele.
— E eu prefiro homens menos previsíveis.
Ele sorriu.
— Então você vai se decepcionar.
— Ou talvez não — ela rebateu, com os lábios quase curvando em desafio.
Foi a vez dele beber o seu drink sem desviar os olhos de Dayse nem por um segundo.
— Me responda, por que essa expressão de quem claramente está considerando colocar fogo em tudo só para ver o que sobra depois?
Ela o encarou por alguns segundos antes de responder.
— Porque transformar tudo em cinzas ainda parece mais simples do que organizar o caos que eu chamo de vida.
O comentário fez com que ele soltasse uma risada.
— Imagino. Pessoas que pensam demais costumam preferir soluções radicais.
Ela o observou por um instante, curiosa.
— E você? — perguntou. — Por que está aqui?
Ele deu de ombros com naturalidade.
— Porque hoje eu precisava de uma distração à altura… e você acabou chamando minha atenção.
Houve um breve silêncio entre os dois, do tipo que carrega expectativa. Então ele comentou, analisando o rosto dela com atenção.
— Você é oriental?
Dayse inclinou levemente a cabeça.
— Metade.
— Interessante…
Ela estreitou os olhos.
— Isso foi uma cantada?
Ele sorriu novamente, dessa vez com uma expressão ainda mais confiante.
— Não. Foi apenas uma observação.
Ela também acabou sorrindo.
— Você é muito convencido.
— E você está muito bêbada para perceber que isso está funcionando.
Dayse riu. E naquele instante percebeu que, pela primeira vez naquela noite, estava se sentindo menos triste.
Ele estendeu a mão.
— Edward.
Ela hesitou apenas por um segundo antes de apertar a mão dele.
— Dayse.
Os dedos dele permaneceram segurando os dela por um instante a mais do que o necessário, o toque foi firme e quente o suficiente para fazer seu corpo reagir.
— Prazer — ele disse.
Ela inclinou levemente o rosto.
— Ainda iremos descobrir.
A noite continuou com mais bebidas, mais proximidade e mais risadas. E em algum momento, sem que nenhum dos dois percebesse exatamente quando, o espaço entre eles simplesmente deixou de existir.
Quando saíram do bar, já estavam de mãos dadas.
Quando a porta do quarto do motel se fechou atrás deles, nenhum dos dois tinha qualquer intenção de parar.
O beijo veio rápido, intenso, urgente, como se os dois estivessem tentando afogar em desejo tudo aquilo que estavam tentando esquecer.
E por algumas horas, funcionou
O que nenhum dos dois sabia, é que aquela noite que deveria ser apenas um erro conveniente entre dois estranhos, não seria esquecida.
Muito menos perdoada.
"No fim, não são os grandes acontecimentos que permanecem. São as pessoas que continuam escolhendo ficar."Os anos passaram. Nem rápido, nem devagar. Simplesmente passaram, como a vida costuma fazer quando estamos ocupados demais vivendo para perceber o tempo correr.A Mansão Fitzgerald continuava de pé.As árvores do jardim haviam crescido. A piscina continuava sendo palco de guerras aquáticas absolutamente desnecessárias. Augustus reclamava mais do que antes, Margaret continuava fingindo não perceber, Clara seguia transformando qualquer reunião de família em um grande evento, e Adrian ainda tentava sobreviver a tudo isso.Os anos passaram, David e Valentin chegaram aos dezesseis anos, mas uma coisa jamais mudou: Marina continuava correndo atrás dos filhos, Daniel continuava jurando que um dia teria controle sobre a própria casa e ninguém mais acreditava nessa promessa.Porque algumas coisas simplesmente nunca mudavam.Outras mudavam completamente.Edward Fitzgerald observava tudo i
"Às vezes a felicidade não chega de uma vez. Ela se constrói devagar, até que um dia percebemos que estamos vivendo exatamente aquilo que sempre sonhamos."O sol brilhava intensamente sobre os jardins da Mansão Fitzgerald.A piscina refletia o céu azul sem nuvens enquanto risadas infantis ecoavam por toda a propriedade, misturando-se ao som da água, das conversas dos adultos e da música suave que tocava ao fundo.Helena Fitzgerald corria ao redor da piscina com a energia inesgotável dos seus sete anos.Julian corria logo atrás.Os gêmeos de Marina e Daniel também.E, em algum momento dos últimos vinte minutos, uma guerra de pistolas d'água havia começado sem que nenhum adulto soubesse exatamente quem tinha dado início.Mas todos sabiam quem provavelmente tinha incentivado.Clara.— Eu juro que não fui eu! — protestou ela imediatamente quando Marina lançou um olhar acusador em sua direção.— Eu nem perguntei nada.— Mas pensou.— Porque eu te conheço.Clara colocou uma das mãos sobre a
"Todo pai acredita que está preparado para ver a filha crescer. Até o dia em que ela volta da escola com uma flor."Helena Fitzgerald tinha cinco anos quando decidiu criar a primeira crise emocional séria da vida adulta de Edward Fitzgerald.E, para piorar a situação, ela sequer percebeu que estava fazendo isso.Porque, na cabeça de Helena, aquele havia sido apenas mais um dia normal de aula.Na cabeça de Edward?Era praticamente uma emergência nacional.Tudo começou em uma terça-feira aparentemente tranquila.Dayse estava sentada no sofá da cobertura revisando alguns documentos enquanto Edward respondia e-mails da empresa em um tablet, algo que fazia cada vez menos desde que Helena aprendeU a invadir seu escritório apenas para exigir atenção.A campainha tocou.Poucos segundos depois, Helena entrou correndo pela sala.A mochila quase escorregava dos ombros, os cabelos escuros estavam levemente bagunçados e um enorme sorriso iluminava seu rosto.— Mamãe!— Oi, meu amor.— Papai!— Oi,
"Alguns presentes não cabem debaixo da árvore. Eles sentam à mesa conosco."A Mansão Fitzgerald nunca esteve tão cheia.As luzes douradas iluminavam cada corredor, os enormes pinheiros decorados ocupavam os principais salões da propriedade e praticamente todas as superfícies disponíveis haviam sido tomadas por guirlandas, laços vermelhos, velas aromáticas e enfeites que Margaret vinha colecionando há décadas.Segundo Augustus, a casa parecia ter sido sequestrada pelo espírito natalino.Segundo Margaret, aquilo se chamava bom gosto.Segundo Edward, era mais seguro concordar com a avó e Augustus, após cinquent
Último capítulo