Mundo de ficçãoIniciar sessãoUm contrato. Um casamento sem amor. Uma única noite que mudou tudo. — Nem pense em engravidar, se isso acontecer eu mando tirar, eu não quero um filho com você. Essas foram as palavras de Eduardo Monteiro para Helena, sua esposa, após a primeira e única noite de paixão, eles estavam casados a cerca de três anos. O que começou com um contrato de casamento frio e impessoal, apenas um negócio assinado e depois um aperto de mão. Para Helena Vasconcelos seria a salvação da empresa da família e a quitação de todas as dívidas ou a miséria, para Eduardo uma forma de se blindar contra o fantasma do passado que o atormentava chamado Viviane Teles sua ex-noiva, que o abandonou sem explicações. O que começou como um acordo, para Helena se transformou em amor e alimentou a esperança que Eduardo um dia viesse a amá-la, mas ele se tornava cada vez mais frio e distante, cada vez mais ausente de casa. Agora grávida, o fim do contrato se aproximando e o medo de que Eduardo cumprisse a palavra, Helena resolve abandonar tudo para salvar não só os filhos gêmeos que carregava, mas também seu coração. Mas quando Helena foi embora levando esse segredo e quando Eduardo descobre, já é tarde demais, então ele parte em uma busca desesperada pela mulher que só então admitiu que amava e os filhos que ele um dia havia dito que não queria.
Ler maisHelena Vasconcelos
— Deve haver algum jeito… — disse Helena Vasconcelos, olhando fixamente para os papéis espalhados sobre a mesa.
Ela estava no banco tentando renegociar as dívidas. O prazo final se aproximava, e ela simplesmente não tinha recursos para quitar os empréstimos.
— Sinto muito, senhorita — respondeu o gerente, com um tom compreensivo. — Sem o pagamento até o vencimento, a dívida será considerada inadimplente e o banco terá de executar as garantias do contrato.
— Mas, se isso acontecer… — a voz de Helena vacilou — …vou perder a casa e a empresa da minha família.
— Eu entendo sua situação — disse ele, com pesar. — Porém, sem uma proposta de pagamento ou entrada para renegociação, o processo segue automaticamente para execução das garantias.
Helena abaixou os olhos, desanimada.
Ela e a mãe haviam feito de tudo para manter os negócios que o pai deixara. Mas as dívidas acumuladas, somadas à crise no setor de rochas ornamentais, havia sufocado a empresa pouco a pouco.
Na tentativa desesperada de salvar o negócio, Helena ofereceu tudo o que possuía como garantia: a própria casa, a empresa da família e até o carro.
Helena levantou-se devagar da cadeira. Recolheu os papéis com as mãos trêmulas, agradeceu ao gerente com um leve aceno de cabeça e saiu.
*****
Eduardo Monteiro
Alguns passos adiante, um homem que observava o movimento do banco e percebeu a cena.
Eduardo Monteiro acompanhou a jovem com os olhos enquanto ela atravessava o salão e saía pela porta giratória de vidro.
Ele não tinha dúvida que conhecia de algum lugar. Mas de onde?
Guiado por um impulso, caminhou até a mesa do gerente com quem Helena falara instantes antes.
O gerente levantou-se surpreso ao vê-lo se aproximar. Eduardo Monteiro era o proprietário do Banco Nexus e aquela era uma de suas raras visitas.
— Aquela jovem que acabou de sair — disse ele, apontando discretamente para a porta por onde Helena havia desaparecido — quem era?
O gerente pareceu surpreso com a pergunta.
— O nome dela é Helena Vasconcelos, senhor. Veio tentar renegociar alguns empréstimos da empresa da família.
— E o que aconteceu?
O gerente suspirou.
— A situação dela é muito complicada. As dívidas venceram, as garantias já estão todas comprometidas. Se não houver pagamento ou entrada para renegociação, o sistema vai encaminhar o contrato para execução das garantias.
Eduardo ficou em silêncio por alguns segundos, então estendeu a mão.
— Me mostre os papéis.
O gerente prontamente entregou a pasta. Eduardo abriu os documentos, folheando rapidamente, depois a fechou com calma.
— Deixe isso comigo — disse em tom firme. — Eu mesmo vou resolver esse caso.
O gerente piscou surpreso e ficou olhando Eduardo se afastar com passos firmes.
Enquanto isso, do lado de fora do banco, Helena Vasconcelos descia os degraus sem imaginar que, naquele exato momento, o destino começava silenciosamente a mudar.
*****
Eduardo entrou em sua sala reservada na agência e fechou a porta com calma. O espaço era amplo, iluminado pelos paineis de vidro, moderno e clean.
Colocou a pasta sobre a mesa e abriu novamente os documentos.
As folhas revelavam números preocupantes: empréstimos acumulados, garantias comprometidas, prazos vencendo.
Pegou o telefone interno.
— Murilo, peça ao gerente que venha até minha sala.
Minutos depois, Murilo entrou com o gerente
— O senhor pediu para me chamar?
Eduardo colocou a pasta sobre a mesa e a empurrou levemente na direção dele.
— Suspenda qualquer procedimento de execução dessas garantias.
O gerente arregalou os olhos.
— Suspender, senhor?
— Sim. — A voz dele era calma, mas firme. — Vamos reestruturar essa dívida.
— Entendo… quer que eu prepare uma proposta de renegociação?
Eduardo levantou-se e caminhou até a janela, olhando o movimento da rua lá embaixo.
— Antes preciso de algumas informações, por enquanto deixe como está. — respondeu ele. — É só.
— Com licença, senhor.
O gerente saiu discretamente, mas sua mente estava confusa, nunca uma dívida fora tratada daquela forma e se perguntou se o senhor Monteiro conhecia Helena, se ela o conhecesse, provavelmente teria apelado diretamente para ele.
Eduardo permaneceu diante do painel de vidro, depois virou-se para seu assistente.
— Murilo, quero um levantamento completo da empresa Vasconcelos Rochas Ornamentais: patrimônio, produção, mercado, tudo.
O assistente assentiu.
— E mais uma coisa — continuou Eduardo, virando-se novamente para ele.
— Sim, senhor.
— Descubra onde posso encontrar Clara Vasconcelos.
Murilo, o jovem assistente não demonstrou qualquer reação, ele estava ali para cumprir ordens sem questionar.
— Mais alguma coisa, senhor.
— Não pode ir.
— Com licença, senhor.
Eduardo permaneceu de pé diante da grande janela e uma imagem do passado surgiu em sua mente, agora lembrava de onde conhecia aquela moça.
*****
Helena
Lá fora, sem imaginar o que se passava no banco Nexus, Helena caminhava pela calçada tentando conter o choro. Ela entrou no carro e segurou firmemente o volante e finalmente as lágrimas caíram livremente, acreditava que acabara de perder tudo.
Helena dirigiu de volta para casa. O carro avançava pelas ruas da cidade, mas sua mente parecia distante, presa às palavras que ainda ecoavam.
“Execução das garantias.”
Quando finalmente entrou pelo portão da antiga casa da família, o peso da realidade pareceu ainda maior. A construção ampla, cercada por um pequeno jardim, não tão bem cuidado como outrora, havia sido orgulho de seu pai durante anos.
Helena desligou o carro, respirou fundo e tentou recompor o rosto antes de entrar. Assim que abriu a porta, na sala, sentada próxima à janela, estava sua mãe.
Clara Vasconcelos levantou os olhos imediatamente ao ver a filha entrar. O rosto de Helena, por mais que tentasse disfarçar, já dizia tudo.
— Filha… — disse ela, levantando-se devagar. — O que aconteceu no banco?
Helena tentou responder, mas a voz falhou. Colocou a bolsa sobre a mesa e respirou fundo, lutando contra as lágrimas.
— Eles… eles não aceitaram renegociar… sem uma entrada — conseguiu dizer, quase num sussurro. — Disseram que, se não pagarmos até o vencimento, vão executar as garantias.
O silêncio que se seguiu pareceu pesado demais dentro da casa. A mãe sentiu um aperto no coração, absorvendo o golpe.
— Então… a empresa…
Helena assentiu lentamente.
— E a casa também. Tudo está no contrato.
Por alguns segundos, nenhuma das duas falou. Apenas se abraçaram no meio da sala, tentando encontrar força uma na outra.
— Nós fizemos tudo que podíamos — disse Clara, com a voz embargada. — Seu pai teria orgulho de você.
Helena fechou os olhos, respirou fundo e secou o rosto.
— Ainda não acabou — disse Helena, tentando reunir coragem. — Eu vou procurar investidores… talvez vender parte da empresa… qualquer coisa.
A mãe a observou com ternura e preocupação.
— Você sempre foi forte como seu pai.
Helena tentou sorrir, mas o sorriso veio frágil.
— Eu preciso ser.
Naquele momento, nenhuma das duas sabia que, em outra parte da cidade, alguém já começava a mover as peças que poderiam mudar completamente o destino da família Vasconcelos.
E que o nome de Helena Vasconcelos já estava novamente sobre a mesa de um homem muito mais poderoso e que não era só o dono de um banco.
Mas o impacto, para Helena, foi ainda maior.Ele estava sem camisa, vestindo apenas uma calça de pijama escura, baixa na cintura. A iluminação suave da cozinha desenhava as linhas do seu corpo, o tórax firme, os músculos bem definidos, a postura naturalmente imponente.Por um segundo, Helena simplesmente o encarou. O olhar desceu, involuntário, percorrendo o peito dele até a linha da cintura… e só então ela percebeu o que estava fazendo. Desviou rapidamente, sentindo o rosto aquecer.Eduardo, por sua vez, também não ficou imune.Seu olhar percorreu Helena com a mesma intensidade, a leveza da camisola, o tecido quase translúcido, o contorno suave do corpo dela. A expressão dele permaneceu controlada… mas a forma como ficou em silêncio dizia o contrário.A garganta dele secou e ele engoliu em seco.— Eu… eu só… — Helena começou, gaguejando levemente — desci para beber água.Eduardo ergueu uma sobrancelha, o tom vindo carregado de ironia:— Interessante… não sabia que, para isso, era nec
Eduardo e HelenaApós a recepção, Eduardo e Helena se despediram dos convidados. Sorrisos, abraços, votos de felicidade, tudo aconteceu como mandava o protocolo.Era hora de partir e os noivos se encaminharam para o carro que os levaria à nova vida juntos.— Viva os noivos! — alguém gritou.Logo, outros acompanharam. Até uma chuva de arroz foi lançada no ar, caindo sobre eles em meio a aplausos e risos. Helena esboçou um sorriso, enquanto Eduardo mantinha a postura firme, quase automática segurando a mão de Helena, como se estivesse cumprindo um papel bem ensaiado.Assim que entraram no carro e as portas se fecharam, o som da festa ficou para trás. E, com ele, também desapareceu a imagem do noivo cordial.Eduardo voltou a ser o homem frio e reservado de sempre. O trajeto seguiu em silêncio absoluto.Ele mantinha o olhar fixo à frente, expressão inalterável. Helena, ao lado, entrelaçava os dedos sobre o colo, tentando controlar a própria ansiedade. Apesar de todas as cláusulas do contr
A igreja estava iluminada por vitrais coloridos que deixavam entrar a luz suave do fim de tarde. O som do órgão ecoava suavemente, enchendo o ar de solenidade. Para Helena, aquilo era mais que paredes sagradas: era a casa de Deus, e, apesar das circunstâncias, ela não poderia aceitar unir-se de outra forma.Havia pouquíssimos convidados, além de sua mãe apenas, Célia, a secretária e amiga de longa data com o esposo. Cláudia e Amanda, amigas de infância de Helena, seu tio Renato com a esposa Glória e seus primos Bernardo e Bianca. Seus avós, Rubens e Margarida, sentados tranquilamente na primeira fila.Da parte de Eduardo além de seus pais e a avó sorridente e emocionada, umas duas dúzias de pessoas que ela nem sabia quem era. A imprensa recebeu apenas uma nota informando do casamento, mas foi proibida de comparecer e registrar. Depois da cerimônia uma foto do casal foi divulgada, mas sem detalhes do nome ou origem da noiva.Vestida de branco, com véu, Helena caminhava lentamente pel
HelenaHelena estava no conservatório, tinha acabado de dar sua última aula e se preparava para ir para casa, quando recebeu uma mensagem de Eduardo.Ela abriu a mensagem e uma fisgada de preocupação atravessou seu coração ao ler.“A data do casamento foi marcada para daqui a duas semanas. Cerimônia simples, pouquíssimos convidados, sem festa ou comemoração. Apenas um almoço na casa de meus pais por insistência de minha mãe.”Duas semanas, pensou ela, em duas semanas seria uma mulher casada.Deu um sorriso amargo e respondeu com um simples “ok”. Ela ficou esperando uma resposta, mas ela não veio.Então voltou a juntar seu material didático.*****EduardoNa torre do Grupo Monteiro, Eduardo observava a tela do celular. A resposta de Helena ainda estava ali, apenas duas letras.“Ok.”Simples. Curto. Sem emoção. Ele não conseguiu evitar a pontada de desapontamento, esperava uma ligação, uma pergunta ou talvez até um protesto.Qualquer coisa que mostrasse que aquela decisão realmente mexe










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