Mundo de ficçãoIniciar sessãoErick já teve tudo: uma carreira promissora, um casamento dos sonhos e uma mulher que parecia perfeita. Ângel, uma top model deslumbrante cujo nome era pura ironia. Porque, por trás do rosto angelical, se escondia o verdadeiro demônio. Depois de dois anos de um relacionamento infernal, ela o abandonou sem olhar pra trás. Meses depois, o divórcio chegou, e com ele, a dor do fracasso. Agora, anos mais tarde, Erick não é mais apenas o diretor de investimentos que ela desprezou, ele é o CEO de uma das maiores empresas de engenharia civil do país. E quando descobre que Ângel vai estar presente num evento que sua empresa patrocina, ele decide que não vai aparecer sozinho, nem por baixo. É aí que surge Melanie, uma jovem aprendiz doce, atrapalhada e determinada, que luta para manter as contas em dia. Ao descobrir que ela está passando por dificuldades, Erick faz uma proposta ousada: ele ajuda financeiramente, e em troca, ela finge ser sua namorada. O que era pra ser um simples acordo profissional vira um jogo perigoso de aparências, química e segredos. E quando as emoções começam a se misturar com o contrato, Erick percebe que, dessa vez, o risco não é perder um investimento é perder o próprio coração.
Ler maisPrólogo — Erick
O nome dela ainda tem gosto amargo na minha boca. Ângel. O anjo que me levou ao inferno. Havia uma ironia quase poética nisso. Enquanto ela sorria para as câmeras, vendendo perfeição em capas de revista e desfiles internacionais, eu assistia, do outro lado do espelho, a mulher real, fria, calculista, ambiciosa até o último fio de cabelo loiro. Era linda, sim. Devastadoramente linda. Mas até o veneno mais mortal vem em frascos de vidro impecável. Durante dois anos, vivi entre o êxtase e o caos. Ela me amava como quem destrói. E eu, cego, deixei. O amor dela não era abrigo, era labirinto. E quando me dei conta, estava sozinho no centro dele, cercado por promessas quebradas e lembranças que ardiam. Ela foi embora como quem sai de um quarto em chamas, sem olhar para trás. Nenhum bilhete. Nenhum “adeus”. Apenas silêncio e, dias depois, a notificação fria de um divórcio. Eu assinei. Sem ler. Sem pensar. Assinei porque o orgulho fala mais alto que o desespero. E depois, o tempo fez o que o tempo sempre faz: lapidou as ruínas e transformou a dor em combustível. Eu deixei de ser apenas o diretor de investimentos que ela desprezou. Hoje, sou o CEO da Multi Engenharia, uma das maiores empresas de construção civil do país. Tenho uma cobertura em São Paulo, ações espalhadas em três continentes, e uma fila de pessoas que fariam qualquer coisa por cinco minutos da minha atenção. E ainda assim, às vezes, quando o relógio marca duas da manhã e o silêncio pesa mais que o sucesso, eu me pego pensando nela. Não com saudade. Mas com aquela curiosidade venenosa de saber se ela ainda lembra o gosto do meu beijo. Por ironia do destino, ou talvez por obra do universo, que adora brincar com as cinzas, o nome dela voltou a cruzar o meu caminho. O evento beneficente da Fundação D’Avila, patrocinado pela minha empresa, anunciou sua presença na lista de convidados. Top model, capa da Vogue, palestrante sobre empoderamento feminino. Quase ri. A mulher que um dia me fez acreditar que o amor era um investimento seguro agora discursava sobre poder. Bonito isso. Cínico, mas bonito. E foi ali que decidi: se ela vai estar lá, eu também vou. Mas não sozinho. Nem por baixo. A diferença entre o homem que ela abandonou e o homem que vai aparecer naquele salão é simples: agora eu jogo com as cartas à mostra e com a vantagem de quem já não sente nada. — Senhor Ribeiro? — a voz da minha secretária me arrancou dos pensamentos. — Diga, Ananda. — A nova estagiária chegou. Posso mandar entrar? Olhei para o relógio. Eram quase três da tarde. Eu já devia estar encerrando o expediente, já que amanhã eu viajo logo cedo, mas alguma parte de mim gostava de testar o nervosismo dos recém-chegados. — Mande entrar. Ouvi a porta se abrir com um estalo discreto. E, em seguida, passos leves, incertos. Quando ergui os olhos, vi uma garota parada à frente da mesa e por um instante, o contraste entre nós me arrancou um meio sorriso. Ela devia ter, no máximo, vinte e poucos anos. O cabelo castanho preso num coque desalinhado, e uma pasta contra o peito como se fosse um escudo. Vestia uma calça social simples e uma camisa branca que, claramente, não fora feita sob medida. Não havia nada de extraordinário nela. E, ainda assim, havia algo desarmante. — Boa tarde, senhor Ribeiro. — a voz saiu suave, trêmula. — Eu sou a Melanie. Melanie Duarte. — Eu sei quem é. — apoiei o cotovelo sobre a mesa, estudando-a como quem analisa uma equação complexa. — A nova aprendiz, certo? Ela assentiu, mordendo o lábio inferior. — Sim, senhor. É… é uma oportunidade incrível trabalhar aqui. Eu… agradeço muito por… — Respira. — interrompi, sem alterar o tom. — Está parecendo que vai desmaiar. Ela piscou rápido, surpresa. — Desculpe. É que… é o meu primeiro emprego de verdade. — E o primeiro susto também, imagino. — inclineime ligeiramente para frente. — Dica profissional: não peça desculpas por respirar. Aqui, fraqueza tem cheiro, e quem sente esse cheiro, morde. Ela pareceu engolir as palavras, e por um segundo, percebi a pontada de medo misturada à determinação nos olhos dela. Interessante. Enquanto ela falava, sobre a faculdade, o estágio, os sonhos modestos de crescer na área, eu observava mais do que ouvia. Os gestos pequenos, as pausas, a forma como desviava o olhar e depois voltava, teimosa. Era o tipo de inocência que o mundo ainda não conseguiu corromper. E talvez por isso chamasse tanto atenção. Quando ela terminou, fiz um breve silêncio. — Está contratada. — Mas, o senhor nem me entrevistou direito. — Não preciso. — dei de ombros. — Já vi o suficiente. Ela arregalou os olhos, confusa. — O suficiente pra quê? — Pra saber que vai me ser útil. Ela piscou, desconcertada, e eu deixei o peso das palavras pairar no ar antes de continuar: — Relaxe, senhorita Duarte. Não é uma ameaça. É um elogio. — me levantei, contornando a mesa com calma. — Ananda vai te mostrar a área de projetos amanhã cedo. Hoje, quero que descanse. Amanhã será um dia longo. Ela assentiu, claramente aliviada, mas antes que virasse as costas, acrescentei: — Ah, Melanie… Ela parou na porta. — Sim, senhor? — Não se atrase. Odeio desperdício de tempo. Ela abriu um pequeno sorriso, tenso, e saiu. Quando a porta se fechou, fiquei alguns segundos olhando o espaço vazio que ela deixou. Um eco suave de perfume barato ainda pairava no ar. Algo simples, doce, quase familiar. Suspirei, e um canto da boca se ergueu num sorriso cínico. Melanie Duarte. Doce, ingênua, esforçada. Tomara que eu não me arrependa da decisão, essa Garota pode me ser útil, inteligente. Precisa ser comprometida com o trabalho, apesar de não ter experiência, tem currículo. Assim que saí da empresa a primeira coisa que vi foi um outdoor com a foto daquela a quem vou esmagar.Erick Narrando Há algum tempo, o RH veio até mim com uma proposta. Um projeto social, segundo eles. Parceria com instituições, oportunidade para jovens entre 18 e 23 anos, primeiro contato com o mercado corporativo. Estagiários.— Precisamos da sua autorização final, Erick — disseram.Assenti sem dar muita atenção. Sinceramente, aquilo não estava no topo das minhas prioridades. Estágio nunca foi algo que me interessasse acompanhar de perto. Para mim, resultado sempre falou mais alto do que discurso bonito.O problema é que o RH voltou. Uma vez. Duas. Três.— A empresa vai concorrer a uma premiação estadual com esse projeto — explicaram, insistentes.Foi aí que aceitei.Não por caridade.Por estratégia.A primeira etapa ficou totalmente nas mãos deles: análise de currículo, perfil psicológico, entrevistas iniciais. A segunda etapa, no entanto, seria comigo. Do meu jeito.No fim da tarde, deixaram uma pasta sobre minha mesa. Currículos impressos, relatórios anexados, avaliações detalha
Melanie Narrando Hoje fiz algo que eu não fazia há muito tempo. Fugi para a cama da minha mãe no meio da noite, como quando eu era criança e o mundo parecia grande demais para eu enfrentar sozinha.Ela sentiu quando eu me deitei ao lado dela. Minha mãe sempre sente. Abriu os olhos ainda sonolenta e passou a mão nos meus cabelos.— Melzinha, o que houve, filha?Engoli em seco.— Cheguei e você já estava deitada, não jantou com a gente, e agora está aqui — ela continuou, com a voz carregada de preocupação.Foi ali que eu decidi falar. Não dava mais para guardar.— Mãe, eu fui demitida — disse, sentindo a voz falhar. — Disseram que eu atrapalho as pessoas. Que eu sou desorganizada, que não gostam do meu trabalho.As palavras saíram pesadas, como se eu estivesse arrancando algo de dentro de mim. Aquilo doeu mais do que eu queria admitir. Não porque perdi o emprego, isso já tinha acontecido antes, mas porque mexeu com algo mais fundo, com a minha autoestima, com a sensação de nunca ser su
Melanie Narrando Acordei cedo, como sempre. O corpo desperta antes mesmo do despertador tocar, costume de anos. Fiz minha rotina matinal sem pressa, algo raro e precioso. Agora não preciso mais levar os meninos para a escola, eles cresceram, ganharam asas, e eu ganhei esse pequeno silêncio da manhã. Consegui tomar café da manhã sentada, olhando o relógio sem desespero, respirando fundo antes de enfrentar o dia.O café foi simples: pão com manteiga, café preto bem forte. Enquanto comia, já organizava mentalmente o que me esperava no trabalho. Cozinha não perdoa distração. Lavei a xícara, peguei a bolsa e saí.Moro em Osasco. Quem conhece sabe que nada é perto e tudo exige paciência. Primeiro ônibus até o centro. O ponto já estava cheio, gente com cara de sono, outros olhando o celular, alguns cochilando em pé. Quando o ônibus chegou, veio lotado como sempre. Entrei espremida, segurei firme no ferro e deixei o balanço do caminho me levar.O trânsito estava pesado. Ônibus parando a cada
Melanie Narrando Me chamo Melanie Duarte, tenho 21 anos e moro em Osasco, São Paulo. Sou nascida e criada aqui, conheço cada rua, cada barulho de ônibus passando cedo demais, cada vizinho que fala alto demais. Minha vida nunca foi fácil, mas também nunca foi vazia. Foi dura. E, muitas vezes, injusta.Eu não tenho pai. Ou melhor tive.Meu pai morreu de câncer quando eu tinha treze anos. Meus irmãos tinham sete e três. Até hoje dói lembrar disso. Ele era tudo pra mim. Meu porto seguro. Meu abrigo. Ele me chamava de Melzinha, dizia que eu era o pote de mel dele. Quando ele sorria, parecia que o mundo ficava menos pesado.Quando ele ficou doente, a casa mudou. O silêncio tomou conta. As contas aumentaram. O medo passou a morar com a gente. Eu via minha mãe tentando ser forte, mas chorando escondida no banheiro. Eu vi meu pai emagrecer, perder a força, mas nunca perder o carinho.— Cuida da sua mãe e dos seus irmãos pra mim, Melzinha — ele disse uma vez, segurando minha mão.Eu prometi. E
Erick Narrando Meu nome é Erick Ribeiro, tenho 37 anos e chego à empresa todos os dias às oito da manhã, sem um minuto de atraso. Não por obrigação. Por disciplina.O prédio ainda está despertando quando meu carro para na vaga reservada. O segurança se endireita no mesmo instante.— Bom dia, senhor Erick.Não respondo com palavras. Um aceno curto é suficiente. Aqui dentro, respeito não se pede. Se impõe.O elevador sobe em silêncio. Meu reflexo no espelho devolve a imagem de um homem que não nasceu pronto, mas foi moldado na dor, no esforço e na perda. Quando as portas se abrem no último andar, o andar inteiro entra em alerta. Teclados param por um segundo. Conversas morrem no meio da frase. Cabeças se erguem.— Bom dia, doutor Erick — dizem em coro contido.Passo reto. Meus passos ecoam no piso de mármore como um aviso. Sou o CEO. O dono. O homem que começou pequeno e hoje comanda tudo isso.Entro na minha sala e deixo o paletó sobre a cadeira. A parede de vidro me permite ver cada
Prólogo — Erick O nome dela ainda tem gosto amargo na minha boca. Ângel. O anjo que me levou ao inferno. Havia uma ironia quase poética nisso. Enquanto ela sorria para as câmeras, vendendo perfeição em capas de revista e desfiles internacionais, eu assistia, do outro lado do espelho, a mulher real, fria, calculista, ambiciosa até o último fio de cabelo loiro. Era linda, sim. Devastadoramente linda. Mas até o veneno mais mortal vem em frascos de vidro impecável. Durante dois anos, vivi entre o êxtase e o caos. Ela me amava como quem destrói. E eu, cego, deixei. O amor dela não era abrigo, era labirinto. E quando me dei conta, estava sozinho no centro dele, cercado por promessas quebradas e lembranças que ardiam. Ela foi embora como quem sai de um quarto em chamas, sem olhar para trás. Nenhum bilhete. Nenhum “adeus”. Apenas silêncio e, dias depois, a notificação fria de um divórcio. Eu assinei. Sem ler. Sem pensar. Assinei porque o orgulho fala mais alto que o desespero. E de
Último capítulo