Esposa de mentirinha para o CEO
Esposa de mentirinha para o CEO
Por: Viih Felix
Erick

Prólogo — Erick

O nome dela ainda tem gosto amargo na minha boca. Ângel.

O anjo que me levou ao inferno.

Havia uma ironia quase poética nisso. Enquanto ela sorria para as câmeras, vendendo perfeição em capas de revista e desfiles internacionais, eu assistia, do outro lado do espelho, a mulher real, fria, calculista, ambiciosa até o último fio de cabelo loiro. Era linda, sim. Devastadoramente linda. Mas até o veneno mais mortal vem em frascos de vidro impecável.

Durante dois anos, vivi entre o êxtase e o caos. Ela me amava como quem destrói. E eu, cego, deixei.

O amor dela não era abrigo, era labirinto. E quando me dei conta, estava sozinho no centro dele, cercado por promessas quebradas e lembranças que ardiam.

Ela foi embora como quem sai de um quarto em chamas, sem olhar para trás.

Nenhum bilhete. Nenhum “adeus”.

Apenas silêncio e, dias depois, a notificação fria de um divórcio.

Eu assinei. Sem ler. Sem pensar.

Assinei porque o orgulho fala mais alto que o desespero.

E depois, o tempo fez o que o tempo sempre faz: lapidou as ruínas e transformou a dor em combustível.

Eu deixei de ser apenas o diretor de investimentos que ela desprezou.

Hoje, sou o CEO da Multi Engenharia, uma das maiores empresas de construção civil do país. Tenho uma cobertura em São Paulo, ações espalhadas em três continentes, e uma fila de pessoas que fariam qualquer coisa por cinco minutos da minha atenção.

E ainda assim, às vezes, quando o relógio marca duas da manhã e o silêncio pesa mais que o sucesso, eu me pego pensando nela.

Não com saudade. Mas com aquela curiosidade venenosa de saber se ela ainda lembra o gosto do meu beijo.

Por ironia do destino, ou talvez por obra do universo, que adora brincar com as cinzas, o nome dela voltou a cruzar o meu caminho.

O evento beneficente da Fundação D’Avila, patrocinado pela minha empresa, anunciou sua presença na lista de convidados.

Top model, capa da Vogue, palestrante sobre empoderamento feminino.

Quase ri. A mulher que um dia me fez acreditar que o amor era um investimento seguro agora discursava sobre poder. Bonito isso.

Cínico, mas bonito.

E foi ali que decidi: se ela vai estar lá, eu também vou.

Mas não sozinho. Nem por baixo.

A diferença entre o homem que ela abandonou e o homem que vai aparecer naquele salão é simples: agora eu jogo com as cartas à mostra e com a vantagem de quem já não sente nada.

— Senhor Ribeiro? — a voz da minha secretária me arrancou dos pensamentos.

— Diga, Ananda.

— A nova estagiária chegou. Posso mandar entrar?

Olhei para o relógio. Eram quase três da tarde. Eu já devia estar encerrando o expediente, já que amanhã eu viajo logo cedo, mas alguma parte de mim gostava de testar o nervosismo dos recém-chegados.

— Mande entrar.

Ouvi a porta se abrir com um estalo discreto. E, em seguida, passos leves, incertos. Quando ergui os olhos, vi uma garota parada à frente da mesa e por um instante, o contraste entre nós me arrancou um meio sorriso.

Ela devia ter, no máximo, vinte e poucos anos. O cabelo castanho preso num coque desalinhado, e uma pasta contra o peito como se fosse um escudo. Vestia uma calça social simples e uma camisa branca que, claramente, não fora feita sob medida.

Não havia nada de extraordinário nela. E, ainda assim, havia algo desarmante.

— Boa tarde, senhor Ribeiro. — a voz saiu suave, trêmula. — Eu sou a Melanie. Melanie Duarte.

— Eu sei quem é. — apoiei o cotovelo sobre a mesa, estudando-a como quem analisa uma equação complexa. — A nova aprendiz, certo?

Ela assentiu, mordendo o lábio inferior.

— Sim, senhor. É… é uma oportunidade incrível trabalhar aqui. Eu… agradeço muito por…

— Respira. — interrompi, sem alterar o tom. — Está parecendo que vai desmaiar.

Ela piscou rápido, surpresa.

— Desculpe. É que… é o meu primeiro emprego de verdade.

— E o primeiro susto também, imagino. — inclineime ligeiramente para frente. — Dica profissional: não peça desculpas por respirar. Aqui, fraqueza tem cheiro, e quem sente esse cheiro, morde.

Ela pareceu engolir as palavras, e por um segundo, percebi a pontada de medo misturada à determinação nos olhos dela.

Interessante.

Enquanto ela falava, sobre a faculdade, o estágio, os sonhos modestos de crescer na área, eu observava mais do que ouvia. Os gestos pequenos, as pausas, a forma como desviava o olhar e depois voltava, teimosa. Era o tipo de inocência que o mundo ainda não conseguiu corromper. E talvez por isso chamasse tanto atenção.

Quando ela terminou, fiz um breve silêncio.

— Está contratada.

— Mas, o senhor nem me entrevistou direito.

— Não preciso. — dei de ombros. — Já vi o suficiente.

Ela arregalou os olhos, confusa.

— O suficiente pra quê?

— Pra saber que vai me ser útil.

Ela piscou, desconcertada, e eu deixei o peso das palavras pairar no ar antes de continuar:

— Relaxe, senhorita Duarte. Não é uma ameaça. É um elogio. — me levantei, contornando a mesa com calma. — Ananda vai te mostrar a área de projetos amanhã cedo. Hoje, quero que descanse. Amanhã será um dia longo.

Ela assentiu, claramente aliviada, mas antes que virasse as costas, acrescentei:

— Ah, Melanie…

Ela parou na porta.

— Sim, senhor?

— Não se atrase. Odeio desperdício de tempo.

Ela abriu um pequeno sorriso, tenso, e saiu.

Quando a porta se fechou, fiquei alguns segundos olhando o espaço vazio que ela deixou. Um eco suave de perfume barato ainda pairava no ar. Algo simples, doce, quase familiar.

Suspirei, e um canto da boca se ergueu num sorriso cínico.

Melanie Duarte.

Doce, ingênua, esforçada.

Tomara que eu não me arrependa da decisão, essa Garota pode me ser útil, inteligente. Precisa ser comprometida com o trabalho, apesar de não ter experiência, tem currículo. Assim que saí da empresa a primeira coisa que vi foi um outdoor com a foto daquela a quem vou esmagar.

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Larissa De JesusAmei esse. Primeiro capítulo ta babado
Larissa De JesusEstava ansiosa para esse lançamento, história maravilhosa, eu amo todos os livros dessa autora maravilhosa
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