O quase

Ana

O carro seguia pelas ruas iluminadas da cidade, e o silêncio entre a gente era tão denso que dava pra cortar com uma faca.

Não era um silêncio desconfortável… era outro tipo.

Aquele que vem carregado de tudo o que a gente quer dizer, mas tem medo de deixar escapar.

Eu olhava pra janela, fingindo interesse nos postes, nos faróis, em qualquer coisa que não fosse ele.

Mas era impossível ignorar o reflexo dele no vidro — a postura relaxada, a mão apoiada no volante, o jeito tranquilo demais pra
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