Ana
Eu estava deitada na cama fazia horas, mesmo sem ter percebido o tempo passar. O quarto estava naquela meia-luz amarela do abajur, e eu ali, travada, com o poema na mão de novo. Aquele papel já estava até meio amassado de tanto eu ficar dobrando, abrindo e encarando como se fosse um enigma de filme.
As letras eram fininhas, tortas, inclinadas pra um lado, algumas borradas… claramente coisa de criança. Não era letra de adulto fingindo simplicidade. Era letra real de criança pequena. Talvez