Mundo ficciónIniciar sesiónEle perdeu tudo em uma única madrugada… Dante Ferraz construiu sua vida sobre controle, poder e frieza. Viúvo e consumido pela culpa, ele aprendeu a manter todos à distância porque amar, para ele, sempre significou perder. Ela nunca desistiu de amar. Helena Duarte foi descartada pelo homem que dizia amá-la ao descobrir que não poderia engravidar. Sozinha, ela se reinventou e seguiu em frente, mais forte do que a dor que tentou destruí-la. Até Luna. Uma criança esquecida pelo mundo… e rejeitada pelo único homem que deveria protegê-la. Quando Helena e Dante se cruzam, nada permanece intacto. Ele vê nela uma ameaça ao seu controle. Ela vê nele um homem quebrado demais para cuidar de uma criança inocente. Mas o destino os prende no mesmo caminho. Entre conflitos, desconfiança e verdades dolorosas, uma convivência forçada começa a transformar tudo ao redor — inclusive aquilo que eles mais tentam negar. Porque às vezes o amor não chega com leveza. Ele invade. Desafia. E destrói todas as certezas. E quando dois corações marcados pelo passado se chocam. Eles se quebram de vez, ou aprendem que recomeçar pode ser a única forma de sobreviver ao amor.
Leer másA chuva caía fina, quase silenciosa... como se o mundo estivesse prendendo a respiração junto comigo.
Estacionei o carro em frente ao portão do abrigo desligou o motor, mas não tive coragem de sair de imediato. Meus dedos permaneciam presos ao volante, rígidos, como se soltar significasse atravessar um ponto sem volta. E talvez fosse. Fechei meus os olhos por um segundo. Meses de espera, entrevistas, perguntas invasivas, avaliações que pareciam medir cada pedaço da minha alma... Como se precisasse provar, o tempo todo, que era suficiente para amar. Suficiente para cuidar. Suficiente para ser mãe... mesmo sem poder gerar. Meu peito apertou. Hoje não era só mais um dia. O dia em que eu conheceria a criança que poderia chamar de filha. Parece até surreal falar assim: Filha. A palavra ecoou dentro de mim, carregada de tudo que já foi negado... e de tudo que ainda insistia em construir. Passei a mão pelo rosto, sentindo a pele fria. Medo. Ansiedade. Esperança. Tudo misturado de um jeito quase insuportável. — Vai dar certo... — sussurrou, mais como um pedido do que como uma certeza. Infelizmente vem a voz do Felipe falando: Você é uma mulher incompleta, nunca poderá ser uma mulher por completa.... Jogo esses pensamentos Preciso acreditar nisso. Mesmo depois de tudo. Vou mostrar que sou uma mulher completa e que ele estava errado, sempre esteve. Engoli o nó na garganta, pego minha bolsa e saio do carro. A chuva tocou minha pele como um choque leve, trazendo-me de volta ao presente enquanto caminho até o portão de ferro. Cada passo parecia mais pesado que quando levantei a mão para tocar a campainha, o som brusco de um carro freando cortou o silêncio me assustando me viro. Um carro preto parou quase atravessado na rua, como se tivesse chegado ali com urgência ou fúria. A porta se abriu com força e então um homem saiu. Não sabia explicar o que senti naquele instante. Mas algo dentro de mim... se retraiu forte. O homem parecia carregar uma tempestade inteira nos ombros. Alto. Postura rígida. Movimentos precisos, duros. Cada passo dele não era apenas firme... Era pesado assim como a tempestade. Como se estivesse pisando sobre algo que nunca deixou para trás. E então vi seus olhos. Escuros, profundos e frios como a tempestade. E cheios de algo que não reconheceu antes mesmo de entender. Dor. Mas não uma dor qualquer. Era uma dor transformada em raiva. Ele não me olhou. Passou direto, como se nada ao redor importasse, e parou diante do portão como se aquele lugar fosse um inimigo. Prendi a respiração sem perceber. A diretora surgiu do outro lado da grade. — Senhor Ferraz, eu já expliquei que — antes que ela terminasse ele a interrompeu — Explique de novo.— A voz dele... Baixa. Controlada. Mas carregada de algo perigoso. Franzi levemente a testa. Ferraz. O nome soou familiar... mas foi rapidamente engolido pelo que veio em seguida. Ele se aproximou da grade, os dedos fechando com força no ferro. — Eu quero saber por que continuam me ligando para falar sobre aquela criança. Aquela criança. Não uma criança. Como se fosse um problema. Senti algo se contrair dentro do peito. A diretora suspirou, cansada. — Porque ela não tem ninguém, senhor Ferraz. E o senhor é o único familiar vivo. O silêncio que veio depois... pesou. Pesou como se o ar tivesse ficado denso demais para ser respirado. — Eu já deixei claro — ele disse, cada palavra sendo medida — que não quero nada que tenha a ver com essa criança. Aquilo me atingiu como um golpe. Por um segundo, tudo em mim reagiu. Não com raiva. Mas com algo mais profundo. Algo que eu conhecia bem demais. Rejeição. Olhei para ele de verdade pela primeira vez. E foi então que viu. Não apenas a frieza. Mas o que estava por trás dela. Um abismo. — Ela é sua sobrinha — insistiu a diretora. — Não. A resposta veio imediata. Sem emoção. — Ela é o erro de uma tragédia que eu já enterrei. O meu estômago revirou. Erro. A palavra ecoou em minha mente como uma lembrança que nunca cicatrizou. Por um segundo... não estava mais ali. Estava de volta ao passado. Àquela sala. Àquela voz. "Eu quero uma família completa." O ar faltou. E antes que pudesse se controlar... — Crianças não são erros. As palavras saíram. Firmes. Carregadas de algo que nem tentou esconder. Ele virou o rosto lentamente. E então... me olhou. O impacto foi imediato. Os olhos dele a prenderam no lugar. Escuros. Intensos. Vivos de um jeito perigoso. Senti o meu coração acelerar, mas não recuou. A chuva caía entre nós, como uma barreira invisível... e ainda assim insuficiente.A senhora Tereza suspira antes de falar, como se já soubesse que eu não gostaria da resposta.- Hoje não vai ser possível, Helena... - diz com cuidado. - Já está ficando tarde, e esse é o horário das atividades das crianças. Preciso manter a rotina delas.Sinto o peito apertar.Olho na direção do corredor, como se, de alguma forma, eu ainda pudesse ver a Luna.- É rápido... eu só queria... - paro no meio da frase, engolindo o restante. A vontade de vê-la.De ter certeza de que ela está bem.De sentir aquele sorriso de novo.A senhora Tereza se aproxima um pouco mais.- Eu sei - fala com doçura. - Mas você já deu um passo enorme hoje. Agora... precisa ter paciência.Paciência.Essa palavra nunca pareceu tão difícil.Solto o ar devagar.- Eu volto amanhã.- E ela vai estar aqui - responde com um pequeno sorriso.Assinto.Mas, antes de sair, não resisto:- Cuida bem dela, por favor.A senhora Tereza segura minha mão por um segundo.- Como se fosse minha.E isso... me dá um pouco de paz.
Tiro a roupa pelo caminho e entro direto no banho. A água quente cai sobre mim... Mas não leva nada embora. Nunca leva. Saio, me seco de qualquer jeito. E me jogo na cama. O corpo cede. Cansado. Mas a mente... Ainda luta. E antes que o sono me leve completamente... Uma imagem surge. Uma mini cópia da minha irmã que eu nem mesmo cheguei a ver. Viro o rosto no travesseiro, irritado. — Droga... Mas o cansaço vence. E, pela primeira vez no dia... Eu apago. Sem controle. Sem saber que... aquela criança que eu tento ignorar... já começou a ocupar um espaço que eu jurei nunca mais abrir. Acordo com a cabeça latejando. Forte. Pesada. Como se alguém estivesse martelando por dentro. — Caralho... — resmungo, passando a mão no rosto. Fecho os olhos de novo por um segundo. Péssima ideia. A dor piora. Solto o ar com irritação. — Foi uma ótima ideia beber, Dante... — ironizo para mim mesmo. Mas, no fundo... Eu sei, eu precisava daquilo. Precisava desligar. Mesmo que fosse à força.
— Tem uma mulher... — começo, a voz mais baixa. E só isso... Já é mais do que eu gostaria de admitir. — Ela veio me enfrentar... por causa da criança.Minha voz sai mais dura do que eu esperava. Breno franze a testa imediatamente.— Que mulher é essa? — ele se inclina um pouco na minha direção. — E essa criança... é a filha da sua irmã?Engulo seco. Só de falar já me irrita.Já me expõe.Mas Breno...Sempre foi um dos poucos que não recuaram diante do que eu me tornei.— A mulher é uma louca — digo, sem paciência. — Está se metendo onde não foi chamada.Viro mais um gole do copo.— Disse que vai lutar pela criança.Breno fica em silêncio por um segundo.Me analisando.— Dante... — ele começa, mais sério agora — você está mesmo ouvindo o que está dizendo?Reviro os olhos, irritado.— Não começa.— Eu vou começar, sim.A firmeza na voz dele me faz olhar.— Essa menina é a única família que te restou.As palavras dele batem. Mas eu me fecho.— Você já perdeu seus pais... sua esposa... su
Depois que aquela mulher sai da minha sala...O silêncio não traz alívio.Traz incômodo.As palavras dela ainda ecoam.Você é um monstro.Um dia você vai se arrepender.Aperto o maxilar.— Louca... — murmuro, passando a mão no rosto.Ela não sabe de nada.Não sabe o que eu perdi.Não sabe o que aquilo me custou.Se quer cuidar da criança... Que cuide. Eu não vou me envolver.Não vou.Mas, por mais que eu repita isso... Algo dentro de mim não se cala.E isso me irrita ainda mais.Pego o celular com mais força do que o necessário.As chaves do carro.Não consigo ficar ali.— Cancela minha agenda — digo ao passar pela mesa do meu assistente. — Só volto amanhã.Ele me olha surpreso, mas não questiona.— Sim, senhor.Entro no elevador.As portas começam a se fechar... Mas travam. Abrem novamente.E Breno entra.Meu amigo.Um dos poucos que ainda atravessam a minha muralha.— Como vai, Dante? — ele pergunta, me analisando. — Dia difícil?Solto uma risada seca.Sem humor.— Você não faz idei





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