A chuva caía fina, quase silenciosa... como se o mundo estivesse prendendo a respiração junto comigo.Estacionei o carro em frente ao portão do abrigo desligou o motor, mas não tive coragem de sair de imediato.Meus dedos permaneciam presos ao volante, rígidos, como se soltar significasse atravessar um ponto sem volta. E talvez fosse.Fechei meus os olhos por um segundo.Meses de espera, entrevistas, perguntas invasivas, avaliações que pareciam medir cada pedaço da minha alma... Como se precisasse provar, o tempo todo, que era suficiente para amar.Suficiente para cuidar.Suficiente para ser mãe... mesmo sem poder gerar. Meu peito apertou.Hoje não era só mais um dia.O dia em que eu conheceria a criança que poderia chamar de filha. Parece até surreal falar assim:Filha.A palavra ecoou dentro de mim, carregada de tudo que já foi negado... e de tudo que ainda insistia em construir. Passei a mão pelo rosto, sentindo a pele fria.Medo.Ansiedade.Esperança.Tudo misturado de um jeito qu
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