Mundo de ficçãoIniciar sessãoOlivia Carter acreditava estar vivendo o dia mais feliz de sua vida. Vestida de noiva e cercada pelas pessoas que amava, ela caminhou até o altar pronta para dizer "sim". Mas o homem que prometeu amá-la para sempre nunca apareceu. Minutos depois, Olivia descobriu a pior verdade de todas: seu noivo havia fugido com sua melhor amiga. Humilhada diante de centenas de convidados e com o coração em pedaços, ela decide recomeçar. Um novo emprego parece ser a oportunidade perfeita para reconstruir sua vida e esquecer o passado. Até conhecer Alexander King. Bilionário. Frio. Intimidante. E seu novo chefe. Alexander é o tipo de homem que controla tudo ao seu redor, exceto os sentimentos que começa a desenvolver por sua assistente. Olivia, por sua vez, jurou nunca mais confiar em ninguém. Mas entre reuniões, viagens de negócios e noites de trabalho até tarde, a atração entre eles se torna impossível de ignorar. Quando segredos do passado ameaçam separá-los e a ex-noiva de Alexander reaparece reivindicando seu lugar ao lado dele, Olivia precisará decidir se vale a pena arriscar o coração mais uma vez. Porque amar seu chefe pode custar seu emprego. Mas fugir desse amor pode custar sua felicidade. Ele era o homem que ela deveria evitar. Ela era a mulher que ele não deveria desejar. E, às vezes, o amor nasce exatamente onde não deveria existir.
Ler maisO cheiro de café recém-passado era uma das poucas coisas capazes de trazer conforto para Olivia Carter.
Naquela pequena casa de paredes claras, onde o reboco já começava a se soltar nos cantos e o telhado antigo cantava quando o vento batia forte, o aroma se espalhava pela cozinha como um abraço que ninguém mais lhe oferecia. Olivia estava parada diante do fogão, mexendo distraidamente uma panela de aveia enquanto observava a chuva fina descer pelo vidro embaçado da janela. Monterrey costumava ser quente naquela época do ano. Mas naquela manhã o céu havia esquecido disso. Cinza. Silencioso. Vazio. Exatamente como ela. Fazia seis meses desde o casamento. Seis meses desde que Ethan fugira com Sophie — sua melhor amiga, sua dama de honra, a mulher que segurava o buquê enquanto destruía tudo. Seis meses desde que a vida de Olivia desmoronara diante de centenas de convidados com roupas bonitas e expressões horrororizadas. Às vezes parecia ter acontecido ontem. Outras vezes parecia ter sido em outra vida. Em outra versão dela — aquela que ainda acreditava que as coisas boas não terminavam sem aviso. — Liv? A voz infantil cortou o silêncio. Ela virou-se imediatamente. Miguel apareceu na porta da cozinha com o pijama azul já gasto nos joelhos e os cabelos castanhos apontando para direções improváveis. Dez anos. Os olhos escuros percorriam o ambiente com aquela cautela nova que doía de ver — um movimento lento, calculado, como se ele precisasse mapear o espaço antes de se mover por ele. Olivia sorriu. Um sorriso verdadeiro, desses que surgiam antes que ela tivesse tempo de decidir. Porque Miguel era, talvez, a única coisa no mundo capaz de fazer isso. — Bom dia, campeão. — Está chovendo? — Ele inclinou a cabeça, ouvindo. — Um pouquinho. — Eu ouvi, mas queria ter certeza. O coração de Olivia apertou sem avisar. Nos últimos meses, Miguel vinha se guiando cada vez mais pelos sons. Pelos cheiros. Pelas vozes. Porque a visão dele estava piorando — devagar, teimosamente, sem dar trégua. Os médicos chamavam aquilo de retinite pigmentar. Um nome complicado para uma realidade cruel demais para caber em qualquer nome. A cada consulta, Miguel enxergava um pouco menos. E ninguém sabia quando viria o fim daquele processo. Só sabiam que viria. — Consegue ver a chuva? — perguntou ela com cuidado, medindo cada palavra. Miguel hesitou. Apenas um segundo. Mas Olivia aprendera a ler nesses segundos. — Mais ou menos. Ela forçou o sorriso a continuar no lugar. — Então eu descrevo. Os olhos dele acenderam. — Sério? — Claro. Senta aqui. Ele se acomodou na cadeira de sempre, encostando os cotovelos na mesa desgastada, e esperou — com aquela paciência que as crianças não deveriam precisar ter. — O céu está cheio de nuvens grandes e cinzentas, daquelas bem fofas, sabe? As árvores estão balançando de leve. — Ela olhou pela janela. — E tem um passarinho tentando se esconder da chuva naquele galho torto do vizinho. — Como ele é? — Pequeno. Meio encolhidinho. — Qual a cor? Olivia engoliu em seco. — Amarelo. Miguel fechou os olhos. Os lábios se apertaram levemente, como se ele estivesse fazendo alguma coisa importante por dentro — guardando a imagem, talvez. Pintando-a na memória antes que a memória fosse tudo o que sobrava. Olivia desviou o olhar para a panela. Porque havia momentos em que a dor era grande demais para ter para onde ir. — O café está pronto? A voz da avó surgiu antes dos passos. Dona Carmen entrou na cozinha apoiando-se na bengala com a autoridade de quem sabe que a casa só funciona porque ela ainda está de pé. Aos setenta e cinco anos, com o cabelo branco preso em um coque frouxo e os olhos que não perdiam nada, ela continuava sendo a fortaleza daquelas paredes. Depois que os pais de Olivia morreram — um acidente numa estrada molhada, uma curva, um segundo — foi Carmen quem ficou. Quem criou os netos. Quem pagou as contas quando mal havia dinheiro para pagar. Quem nunca, em momento algum, deixou que a casa virasse uma ruína por dentro. — Está sim, vovó. — Graças a Deus. — Ela se sentou com o cuidado de quem sabe o valor dos ossos. — Porque sem café eu não sou responsável por mim. — Nem eu — disse Miguel. Carmen ergueu uma sobrancelha. — Você tem dez anos. — Mas gosto de café. — Isso explica porque você não para quieto nem dormindo. Os três riram. E por alguns minutos — só alguns — parecia uma manhã comum. Uma família qualquer. Sem dívidas acumuladas na gaveta. Sem exames marcados para a semana seguinte. Sem corações que ainda doíam em lugares que pareciam ter cicatrizado. Mas a realidade sempre encontrava o caminho de volta. Olivia abriu a geladeira. Ficou parada na frente dela por um instante, como se esperasse que algo tivesse mudado desde a última vez. Não havia mudado. Leite. Três ovos. Um pedaço de queijo que estava chegando no fim. Nada mais. Seu salário na padaria cobria o básico — às vezes. As consultas de Miguel consumiam o que sobrava. Os remédios vinham depois. Os exames depois dos remédios. E as contas atrasadas esperavam pacientemente na fila, crescendo a cada mês com juros que ela já havia parado de calcular porque calculá-los não ajudava em nada. *Preciso encontrar algo melhor.* O pensamento era tão antigo que já tinha textura. *Preciso.* Uma batida na porta. — Eu atendo! — Miguel já estava de pé. — Devagar nas cadeiras! Mas ele já havia sumido pelo corredor com aquela agilidade que desafiava qualquer coisa que os médicos pudessem dizer. Olivia o seguiu. Na soleira estava Ofélia — cinquenta anos, cabelos entre o castanho e o grisalho, sorriso do tipo que não precisa de esforço. Morava na casa ao lado havia mais de vinte anos e conhecia cada pessoa da rua pelo nome, pelo problema e pelo prato favorito. Desde que os pais de Olivia morreram, tornara-se uma espécie de presença permanente — não por obrigação, mas porque era o tipo de pessoa que ficava. — Bom dia, meus amores. Miguel abriu os braços antes mesmo que ela terminasse a frase. Ela trouxe pão doce. Carmen declarou que era um anjo. Ofélia concordou sem falsa modéstia. Logo estavam os quatro à mesa, com o café fumegando e a chuva batendo baixinho lá fora, e por um tempo a conversa foi sobre assuntos que não pesavam. Até que Ofélia pousou a xícara e olhou para Olivia com aquela expressão de quem guarda uma coisa boa para o momento certo. — Tem uma vaga aberta onde eu trabalho. Olivia ergueu os olhos. — Assistente executiva. — Ofélia falou devagar, como se estivesse servindo algo quente. — A anterior pediu demissão. — Fugiu — corrigiu Carmen. — Um pouco dos dois. — O chefe é bravo? — quis saber Miguel. — Segundo a lenda, sim. — Que lenda? — A de que ninguém dura muito tempo trabalhando diretamente para ele. Olivia sentiu algo se mover dentro dela. Pequeno. Quase suspeito. — Que empresa é essa? — Grupo King. O nome não precisava de explicação. Em Monterrey — em qualquer lugar do México — os King eram daquelas coisas que todo mundo conhecia sem ter escolhido conhecer. Família antiga, dinheiro mais antigo ainda. Empresas, hotéis, construtoras, investimentos. O tipo de sobrenome que aparecia em placas e em jornais e em conversas que as pessoas tinham sobre pessoas que nunca iriam conhecer. — Você trabalha para os King? — Sou telefonista lá há quinze anos. — Ofélia disse isso com uma dignidade tranquila. — A vaga é para trabalhar diretamente com o Sr. Alexander King. O CEO. — Eu não tenho experiência como assistente executiva. — Tem experiência administrativa. — Pouca. — E inteligência de sobra. Olivia baixou os olhos. Fazia tempo — quanto tempo? — desde que alguém falara dela assim. Não com pena. Não com aquele cuidado excessivo que as pessoas usavam desde o casamento que não aconteceu. Mas como alguém *capaz*. Como alguém com futuro. — Eu não sei, Ofélia. — Tem currículo? — Tenho. — Então me entrega. — Assim? — Assim. Eu levo para o recrutamento hoje mesmo. Olivia ficou em silêncio. Pensou nas chances. Pensou nas dezenas de candidatas com experiência de verdade, com MBA, com referências de outros CEOs difíceis. Pensou em como seria mais uma decepção chegar até ela. Depois olhou para Miguel. Ele estava tentando separar as passas do pão doce — uma tarefa séria, executada com concentração total, a língua levemente para fora. Dez anos. Ainda capaz de encontrar drama numa uva-passa. Olivia pensou nos exames marcados. Nos que ainda viriam. No tratamento que o médico havia mencionado — caro, experimental, mas com resultados. Nos tratamentos que ela havia prometido para si mesma encontrar um jeito de pagar, sem saber ainda qual jeito seria esse. O que ela tinha a perder? — O currículo está no meu quarto. Ofélia sorriu — devagar, como quem já sabia que seria assim. — Então vai buscar.Três anos se passaram. O tempo, esse escultor invisível, encarregou-se de assentar a poeira das antigas tempestades e transformar as feridas do passado em fundações de pura felicidade. Silveridge continuava imponente sob o céu da costa, mas, para a dinastia King e seus aliados, o mapa da vida havia sido completamente redesenhado pela força do amor e do recomeço.Na ensolarada tarde de sábado, a nova mansão de Alexander e Olívia — uma propriedade monumental, cercada por carvalhos antigos e jardins projetados no bairro mais exclusivo da metrópole — transbordava o som mais precioso do mundo: o da vida em movimento. Liv encontrava-se sentada em uma confortável poltrona de balanço na varanda gourmet, observando o vasto gramado.Aos vinte e sete anos, Olívia exibia uma beleza ainda mais madura e radiante. Suas mãos acariciavam, com um carinho calejado de puro afeto, a imensa barriga de seis meses de gestação. Ela estava grávida de uma menina, que se chamaria Aurora, para completar a luz daq
O salão de festas da mansão King transformara-se em um palácio de pura magia. Luzes flutuantes e milhares de velas suspensas em globos de vidro criavam o efeito de uma noite estrelada sob o teto monumental. Os convidados acomodavam-se ao redor da pista de dança, cujas bordas eram adornadas por cascatas de flores brancas. O aroma do champanhe francês e a alegria contagiante da celebração preenchiam cada centímetro do espaço, mas o momento mais aguardado da noite finalmente havia chegado.A orquestra sinfônica silenciou os acordes animados para dar lugar a uma melodia suave, dedilhada ao piano com uma sensibilidade profunda. Alexander estendeu a mão para Olívia, que sorriu, deslizando os dedos pelos dele. Ele a guiou até o centro da pista de espelhos. A luz do refletor principal convergiu inteiramente para o casal, isolando-os do restante do mundo.Alexander envolveu a cintura de sua esposa com o braço firme, puxando-a para junto de seu peito, enquanto a mão livre de Liv repousava com l
O sol poente da primavera de Silveridge tingia o horizonte com pinceladas de ouro e violeta, iluminando os imensos jardins da propriedade histórica dos King. O gramado perfeitamente aparado fora transformado em um cenário de contos de fadas, cercado por arranjos monumentais de orquídeas e lírios brancos que exalavam um perfume suave no ar. Centenas de convidados da alta sociedade, diplomatas e empresários de renome internacional ocupavam as cadeiras de cristal, mantendo um murmúrio elegante que cessou por completo quando as notas solenes da orquestra sinfônica começaram a ecoar sob o céu aberto.No altar de mármore sob o arco de flores, Alexander King aguardava. O CEO exibia uma presença arrebatadora em um terno de alta costura feito sob medida, em tom azul-escuro fosco. Suas mãos estavam cruzadas à frente do corpo e sua postura era a de uma fortaleza, mas o brilho intenso e a leve ansiedade em seus olhos escuros denunciavam o bater acelerado de seu coração. Ao seu lado, como padrinho
O quarto do hotel de luxo no centro de Silveridge estava mergulhado em uma penumbra abafada, cortada apenas pelos feixes de luz que insistiam em escapar pelas frestas das pesadas cortinas de veludo. Sobre a imensa cama de casal, Sophie permanecia deitada entre lençóis de seda pretos, o olhar fixo no teto revestido de gesso, sentindo o amargor de uma realidade que ela se recusara a enxergar. Ao seu lado, o som de passos firmes indicava que o homem com quem passara a noite já estava de pé.Era o mesmo empresário influente que ela exibira nos braços no dia em que tentara humilhar Olívia diante de Alexander; o mesmo homem que fora o pivô de sua decisão de abandonar Ethan, acreditando que ele seria o seu passaporte definitivo para o topo da alta sociedade.O homem vestia a calça de alfaiataria e abotoava a camisa social de grife com uma calma que beirava o sadismo. Sophie sentou-se na cama, puxando a seda preta para cobrir o corpo, os olhos injetados de uma ansiedade cortante.— Quando é q





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