Mundo de ficçãoIniciar sessãoNo dia do próprio casamento, Paige Bellini tomou a pior decisão de sua vida. Filha única de um poderoso candidato à presidência, ela cresceu cercada por privilégios, riqueza e proteção. Mas tudo desmorona quando seu pai anuncia que ela se casará com um homem que nunca viu. Um desconhecido. Um CEO tão poderoso quanto misterioso. Recusando-se a entregar seu futuro a um estranho, Paige elabora um plano desesperado para fugir horas antes da cerimônia e começar uma nova vida ao lado do homem que ama. Para isso, ela simula o próprio sequestro. O plano era simples: desaparecer, receber o dinheiro do resgate e fugir. Mas algo dá terrivelmente errado. Porque o homem que atende ao seu pedido não está interessado em ajudá-la. E quando Paige percebe que foi sequestrada de verdade, já é tarde demais. Agora, presa em um jogo cruel cujas regras desconhece, ela se vê obrigada a assinar um contrato de casamento válido por um ano. Uma assinatura em troca da vida do homem que ama. Sem alternativa, ela aceita. Durante doze meses, Paige será obrigada a viver sob o mesmo teto que o homem que a odeia mais do que qualquer outra pessoa no mundo. Um homem frio, cruel e obcecado por vingança. E o pior: determinado a fazê-la pagar por um pecado que ela desconhece. Enquanto seu pai assiste impotente à própria queda e segredos enterrados começam a vir à tona, Paige percebe que nada em sua vida era o que parecia. E o que Alessandro não esperava é que, ao dar a Paige um contrato de um ano, ela lhe devolveria uma vida inteira de arrependimentos. E quando algumas feridas se tornam profundas demais, é impossível curá-las.
Ler maisPOV Paige Bellini
— Você irá se casar com Alessandro de Lucca Montrelli. — disse o meu pai.
Ergui a cabeça, deixando de lado os rabiscos que eu teimava em fazer na folha e o encarei. Meu pai sustentou meu olhar, tentando parecer sério.
Dei uma gargalhada, peguei minhas folhas, botei numa pasta e levantei. Antes que eu pudesse passar pela porta, ele me pegou pelo braço:
— Eu não estou brincando, Paige. Aliás, eu nunca falei tão sério na vida.
Olhei para os dedos dele firmes no meu braço e hesitei antes de dizer:
— Você não faria isso comigo.
— Realmente eu não faria. Mas isso mudou no momento em que eu soube que você está de romance com o filho do meu motorista.
Como ele soube? Não, não tinha como!
— Se era para chamar a minha atenção, saiba que conseguiu.
Respirei fundo e decidi confessar:
— Ok, eu realmente estou apaixonada por Lisandro.
Meu pai apertou ainda mais o meu braço e riu, com ironia:
— Você não sabe o que é amor, Paige. E juro que nunca ficará com alguém feito Lisandro.
Ele não pareceu surpreso. Ou seja, certamente sempre soube o que estava acontecendo.
Preferi ignorar e sair. Geralmente dava certo. Mas não daquela vez.
Meu pai puxou-me até o sofá e me jogou nele. Caí sentada, atordoada. Era a primeira vez que ele agia daquela forma.
— Estou farto das suas tentativas de manchar a minha reputação.
— Pai... eu... não faço isso.
— Mimei você demais, Paige. Fiz por você coisas das quais eu não me orgulho. Mas não vou deixar que destrua o meu sonho de ser o presidente do país.
— Desde quando Lisandro te prejudicaria nisso? Como você mesmo disse, ele é só “o filho do motorista”.
— Era — ele me corrigiu — O pai e a mãe dele foram demitidos hoje pela manhã.
Levantei, atordoada:
— Como assim? Para onde você os mandou?
— Tentei mandá-los para o quinto dos infernos. Mas estava cheio. Então os joguei no subúrbio, num lugar o qual você jamais ousaria pisar os pés.
— Você não pode fazer isso. — falei, entredentes, sentindo meus olhos arderem de raiva.
— Eu posso fazer o que eu quiser, Paige.
— Não vou me casar com esse homem que sequer conheço. Você não tem direito de fazer isso comigo.
— Alessandro apoiará a minha candidatura caso você aceite. E se eu o tiver ao meu lado, serei o próximo presidente.
Ele falava de forma tão fria e firme que senti minhas mãos tremerem levemente e as folhas de papel que eu segurava se espalharam pelo sofá.
— Eu sou a sua filha e não uma moeda de troca.
— Estou farto de fazer tudo por você, Paige. Quero que cresça. E se para isso tiver que afastá-la de mim, tudo bem.
— Não estou falando de crescimento ou amadurecimento, pai. Estamos falando do quão você prioriza a sua candidatura mais que a própria filha.
— Pense o que quiser. Em um mês, casará com Alessandro.
Eu ri, com escárnio:
— Vai me entregar a um velho em troca do seu nome na história do país? Eu sou a sua única filha, sou tudo que você tem.
— Não consigo mais te controlar, Paige. Se eu não der um basta, você arruinará a minha candidatura.
— Eu amo Lisandro.
Ele riu, sem humor:
— Poupe-me de seu discurso barato de garota apaixonada. Você jamais ficará com Lisandro.
Abaixei a cabeça, tentando processar tudo que estava acontecendo:
— E se eu não aceitar? — claro que eu não aceitaria, mas gostaria de saber até onde meu pai estava disposto a ir por conta do preconceito que tinha por Lisandro ser pobre.
— Se não aceitar, eu irei cortar sua mesada e todos os cartões. Então, pode viver de amor com Lisandro, numa casa de dois cômodos, um banheiro e tendo que trabalhar para sustentar a família.
— Existe casa de dois cômodos? — meu pensamento saiu em voz alta.
Ele riu, com desdém:
— Você sobreviveria um dia com Lisandro. O mundo dele jamais se comparará ao seu, Paige.
— Por que você escolheu esse Alessandro, pai? Foi para me dar uma lição? Por que não o filho do senador Vasconcellos? Por que não o primogênito do governador?
Aqueles homens eu conhecia muito bem e poderia facilmente fazer um acordo com eles e vivermos um casamento de fachada, cada um fazendo o que bem entendesse.
— Quem disse que eu o escolhi?
Arqueei uma sobrancelha, sentindo um frio percorrer a minha espinha.
— Pai...
— Alessandro De Lucca Montrelli escolheu você, Paige. Ele me ofereceu apoio político e amparo financeiro para as campanhas. Em troca você fica casada com ele por um ano.
— Um... ano?
— Sim, um ano. É o tempo que necessito para ganhar a eleição e que ele precisa para agradar ao avô.
— Isso é ridículo. — eu ri, ainda incrédula com o que estava acontecendo.
— Alguma vez passou pela sua cabeça que pudesse escolher seu próprio marido? Pessoas como nós se casam por conveniência, Paige. Temos impérios a preservar e isso só é possível com alianças políticas ou financeiras.
— Me recuso a aceitar.
Ele gargalhou e foi em direção à porta de saída:
— Você não está em condições de aceitar ou não. — Virou-se para mim antes de fechar a porta — Não entenda como um pedido, Paige. É uma ordem.
Fiquei ali, naquele sofá, olhando para os livros que cobriam as paredes do chão ao teto da biblioteca da minha casa.
Eu tinha uma boa relação com o meu pai. Tínhamos nossas desavenças, mas geralmente ele sempre encobria as porras que eu fazia e me perdoava. No entanto, no momento que decidiu ser o presidente, meu pai ficou obsessivo. E passou a viver 24 horas do dia em função disso.
E não, eu não me envolvi com Lisandro para chamar a atenção e sim porque ele me amava, me via como eu realmente era e se preocupava comigo.
Peguei meu celular e digitei “Alessandro De Lucca Montrelli”.
Não havia uma única fotografia sequer daquele homem. Ele não tinha redes sociais, nunca tinha concedido uma entrevista ou se envolvido em escândalos. Nem sequer suas propriedades podiam ser fotografadas. Parecia um fantasma.
A maioria das reportagens não falavam sobre ele e sim sobre a Maison Montrelli, a empresa em que era o CEO.
"Maison Montrelli ultrapassa marcas históricas e torna-se a empresa de joias e pedras preciosas mais valiosa do mundo."
"Fortuna de Alessandro Montrelli cresce mais de duzentos bilhões em apenas um ano."
"Especialistas chamam fundador da Maison Montrelli de o homem que transformou pedras em império."
Uma matéria me chamou a atenção. Explicava que Alessandro havia fundado a Maison Montrelli aos vinte e poucos anos, começando com a compra e revenda de pedras raras. Em menos dez anos, havia construído um conglomerado presente em dezenas de países, controlando minas, lapidação, leilões internacionais e algumas das joalherias mais exclusivas do planeta.
CEO INVISÍVEL. Era a definição dele em algumas páginas da internet.
Rolei as páginas. Faturamento anual recorde, detentor de um dos maiores patrimônios do mundo. E ainda assim, nenhuma imagem.
E aquilo me intrigou.
Mandei uma mensagem para Lisandro e Lucy:
Precisamos nos ver. Urgente. Mesmo local de sempre.
POV Paige BelliniOlhei-me no espelho pela enésima vez. Seria um desperdício usar aquele modelo para um casamento inexistente. O vestido tinha sido confeccionado de última hora, feito por Oscar de la Renta. Meu pai certamente tinha pago uma pequena fortuna para isso. Tinha alguns detalhes em pedras preciosas, enviadas pelo próprio dono da Maison Montrelli, Alessandro, meu futuro marido, para que quase esposa ficasse deslumbrante.Enfim... eu realmente fiquei deslumbrante. Mas infelizmente ele nunca me veria ao seu lado no altar. Toquei as pedras. Sabia que tinham um valor significativo. Vender cada uma delas garantiria alguns meses de hospedagem num bom hotel. Eu até não me importaria se fosse quatro estrelas. Três? Nem pensar! Manter minha qualidade de vida era imprescindível. E como eu era importante para o meu pai, o valor do resgate seria generoso. Para mim, óbvio. Era triste o que meu pai estava me obrigando a fazer. Mas no fim, ele ficaria ainda mais em evidência e aquilo o aj
Recebi uma ligação de Bianca:— Alessandro, me diga que é mentira o que eu li na internet.— Depende do que você está falando.— Casamento? Não, não pode ser. Isso é engano, não é mesmo?— Desde quando eu te devo satisfações?— Eu achei... que a gente tinha alguma coisa. — ela murmurou.— E temos: eu te fodo e você gosta. Quer melhor que isso? — Eu... não acredito que esteja me tratando dessa forma.— Eu nunca te prometi nada. — Você não é o tipo de homem que casaria, Alessandro. Quando conheceu essa garota? A conheci quando eu tinha 28 anos. E daria tudo para que ela nunca tivesse entrado na minha vida. — Era isso? — perguntei, abrindo o notebook — você está tomando o meu tempo. E eu irei me casar em algumas horas.— Jamais deixarei que essa mulher entre na sua vida, Alessandro. Você é meu?— Onde está a sua nota fiscal de que sou sua propriedade? — Eu... eu...— Poupe-me das suas choradeiras. Mas se quer uma boa notícia: poderá continuar a frequentar a minha casa. E adivinhe? O
POV Alessandro De Lucca Montrelli— Alguma chance de revertermos isso, doutor? — perguntei assim que ele saiu do quarto.— Infelizmente não, Alessandro. — Um ano! Lhe dê um ano a mais e eu te pago o quanto quiser. O médico meneou a cabeça, comprimindo os lábios antes de me encarar:— Sinto muito, Alessandro. Ele não resistirá muito tempo. Cerrei os punhos, sentindo a dor atravessar meu corpo. Meu avô era tudo que me restava. E estava com os dias contados. Um ano era o prazo máximo que eu teria junto dele. Antes o médico se fosse, alertei:— Não esqueça que a partir de agora, você reside aqui. — Sim, Alessandro. Eu já aceitei a sua oferta. E não ousaria quebrar o nosso acordo. — Assinou o contrato de confidencialidade? — quis me certificar de que tudo estava conforme o planejado.— Sim, assinei. Mas... você sabe que, como médico, tenho ética profissional, não é mesmo?Eu ri, sem humor:— Estou disposto a pagar pela sua ética, doutor Lucian. Sei que tudo tem um preço. E eu, dinhei
Os dois arregalaram os olhos, incrédulos com o quanto meu plano era perfeito.— Enquanto não pagam o seu resgate... será que poderia pagar a conta, senhora? — disse a atendente. — Caso contrário, terei que sequestrar a comida de vocês e chamar a polícia.Polícia? Não, nem pensar. Um escândalo ali, junto de Lisandro, faria meu pai ficar furioso e isso arruinaria a sua reputação. E isso sim faria o meu pai ficar furioso. Peguei a minha carteira e entreguei a bolsa para a mulher. Uma Hermès preta, básica, mas que valia mais do que todo aquele lugar. Ela arqueou uma sobrancelha:— Não aceitamos o pagamento em bolsas. — Mande avaliar, garota — Lucy disse, irritada — essa bolsa paga essa espelunca toda e ainda sobra troco.A atendente olhou para mim e depois para a bolsa e levou, certamente para mandar avaliar. Eu duvidava que alguém ali sabia o exato valor da minha bolsa. — Você está louca, Paige! — Lisandro disse. — seu pai te mataria.— Prefiro morrer a casar com um homem que eu nunc





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