Davi sonhava com luzes.
Sonhava com estrelas desenhadas no céu noturno, com risadas abafadas entre árvores e o som suave de uma voz chamando seu nome — mas ele nunca conseguia ver o rosto. Acordava sempre com o coração apertado, como se tivesse esquecido algo precioso e estivesse tentando segurar areia nas mãos.
No hospital, tudo parecia rotineiro: fisioterapia, exames, visitas supervisionadas. Helena estava quase sempre por perto. Levava doces, jogava conversa fora, ria alto. Mas algo nela par