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O dia mais doloroso da minha vida

Oliver Stewart

Três dias se passaram, eu saí do hospital ontem e fiquei com minha família. O mais doloroso de tudo isso é ouvir os choros desesperados de Zoe, enquanto chama por sua mamãe e saber que ela nunca mais será atendida.

Ninguém, nenhum colo consegue acalma-la.

Amélia chora junto com ela de desespero ao saber que não pode fazer nada para substituir Chloe.

Jordan cantarola para Zoe com sua voz mais grave que o normal e por alguns breves minutos ela até se acalma, mas em segundos ela se desespera novamente.

Eu?

Eu estou um inválido numa cadeira de rodas com uma das pernas cheio de ferragens por ter sido esmagada no acidente, por sorte e por dinheiro, a cirurgia foi feita no mesmo instante que cheguei ao hospital e agora eu já poder estar em casa, não muda o fato de nem conseguir acolher a minha própria filha.

Um dos meus braços imobilizados me impedem de pegá-la e as vezes, Zoe me olha como se tivesse medo de mim e isso me destrói.

Toda vez que seus olhinhos me olham assustada, meu coração despedaça no peito.

E hoje, para tudo ser ainda pior, é o dia menos esperado por todos nós.

O funeral de Chloe.

Agora estamos no cemitério, o dia está nublado mesmo que seja verão e o sol deveria estar aquecendo a pequena cidade de Banff, mas não. O céu parece estar triste junto conosco, logo o céu que deveria estar feliz por ter o amor da minha vida.

Muitas pessoas que tiveram a honra de lhe conhecer estão aqui com os olhos vermelhos de tanto chorar. Chloe foi uma mulher extremamente adorável e amada em sua curta vida.

Como Jordan disse, Zoe está sentindo toda a dor da perda, mesmo sem conseguir entender. Ela não consegue dormir direito, não se alimenta como antes, demora aceitar a mamadeira e quando aceita não mama nem meia mamadeira. Ela chora o dia inteiro e pede por sua mamãe sempre que me olha.

Como se ela soubesse que o culpado dessa história toda, sou eu.

Meu coração se parte toda vez que ela chama por Chloe. Eu sei que ela espera ser atendida e ser abraçada pelos braços que ela ficava quase o dia todo, mas eu também sei que ela nunca mais será atendida.

Neste instante, estamos todos no cemitério, em volta do caixão do amor da minha vida. A mulher pela qual eu me apaixonei, pedi em casamento e me casei. A mulher que me deu o privilégio de ser chamado de papa, a mulher que eu tanto amei.

Tanta dor...

Tantas lágrimas...

E tanto arrependimento da minha parte por não ter prestado atenção naquela pista, porque eu tenho certeza, que se eu tivesse atento, ela ainda estaria aqui.

— Me dê Zoe um pouco, filho. — dona Regina oferece ajuda e entrego minha pequenina.

Estou cansado, hoje mesmo, ela não quis sua titia ou seu titio, quis apenas a mim.

Regina é nossa governanta há anos, é como uma mãe para mim, ainda mais depois que nossos pais faleceram, mas ao entregar minha menina, ela se desespera abrindo-se a chorar.

— Está tudo bem, eu aguento — Estico meu único braço bom para pegá-la novamente, mesmo cansado e com dor.

— Confie em mim, menino. — Me olha balançando Zoe. — Eu sei acalmar um bebê, fique tranquilo.

— Papa...

Ela se afasta com minha garotinha em seus braços, enquanto pede por mim em gritos desesperados e isso me destrói ainda mais. Eu nem sei o que mais dói.

Meu braço enfaixado.

Minha perna cheia de ferros e feridas.

Ou minha filha chamando por mim e eu estando inválido para lhe socorrer.

Eu confio em Regina, eu sei que ela consegue, ela já provou isso no últimos dias quando conseguia acalmar Zoe, mesmo depois de todos tentar. Ela tem jeito com crianças, seria estranho se não tivesse, já que está com nossa família desde que nasci.

Jordan é o primogênito, porém quando nasci, minha mãe precisou de ajuda e foi ali que Regina chegou na nossa família. Trabalhou como babá por anos, até mesmo depois que Amélia nasceu até que depois de grandes, em vez de partir, aceitou a proposta de ser a governanta do nosso lar.

Aos poucos, escuto Zoe parar de chorar e isso acaba me acalmando também.

— Quero ir embora, não aguento mais ouvir eu sinto muito. — reclamo aflito.

— Maninho, eles sempre vão dizer, aguente firme. — Amélia aperta minha mão tentando passar um pouco de calmaria.

Ela é a caçula, mas sabe ser uma das melhores companhias. Ela consegue me fazer sorrir mesmo quando tudo está desabando, consegue fazer Zoe dormir muito mais fácil que eu, ela literalmente luta contra os choros e o sono de Zoe até vencer e é a única de nós três que consegue ver o lado bom das pessoas e sempre ver o amor, seja onde for.

Amélia, sem dúvidas será a minha maior e melhor companhia nesses primeiros meses.

Eu preciso aprender a viver sem Chloe.

Preciso aprender a ser um pai solteiro.

Eu tenho que aprender acalmar a minha filha, já que antes Chloe sempre aparecia e pegava Zoe colocando-a para mamar, enquanto eu observava a conexão que as duas tinham.

Eu preciso aprender a ser o melhor pai do mundo para Zoe, porque eu prometi para o amor da minha vida que não deixaria Zoe.

E ela era a melhor.

Era tudo o que nossa menina precisava, mas...

Por que o céu precisou de mais uma estrela?

Já tem tantos pontinhos brilhantes.

A cerimônia foi linda, tantas palavras bonitas em despedida do meu grande amor e sim, eu irei guardá-las dentro do meu ser, no fundo do meu coração como uma forma de conforto.

Eu sei que os dias serão cinzentos por muito tempo a partir de agora.

Eu sei que preciso ser o melhor pai para Zoe.

Preciso manter a memória de Chloe viva.

Não posso me esquecer do seu lindo sorriso ou da sua linda voz, enquanto cantava.

E mesmo sabendo que não posso me esquecer, é também o meu maior medo.

Esquecer o quanto eu era apaixonado pela voz dela quando me dizia eu te amo, Ollie.

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