Mundo de ficçãoIniciar sessãoOliver Stewart
—"Ela é minha filha, eu sei que ela vai me odiar um dia, mas tem que ser assim."
Essas foram as palavras que eu gritei há dois anos, depois de chegar em casa e ser retrucado pelos meus irmãos por matricular Zoe num internato feminino. Amélia e Jordan quase me deserdaram, eles me repudiaram e eu podai sentir o ódio no olhar deles, mas teve que ser assim.
Ela é minha filha, eu mando nela.
Zoella estava com três anos e por mais que eu tentasse, eu não estava conseguindo conciliar as viagens da empresa e cuidar dela ao mesmo tempo. Ela precisava da minha atenção, mas eu precisava do dinheiro para cuidar e dar uma boa vida para ela, dessa forma, precisava manter firme no trabalho.
E por mais que meus irmãos não apoiaram, teve que ser assim e não me arrependo.
Só lamento por ter ficado tanto tempo longe.
Nesses últimos dois anos, eu visitei a minha filha apenas três vezes e em todas as vezes, tive que voltar a Europa o mais rápido possível, sendo obrigado a receber os olhares dolorosos dos meus irmãos.
Entretanto, depois de pensar muito, eu resolvi retornar para o Canadá, tudo se ajeitou com a nova filial que abri por aqui e enfim, talvez eu possa retornar a minha vida normal e para casa. Para minha menina.
— Senhor Stewart, seu carro chegou.
— Obrigada Marina, já irei descer.
Marina é a arrumadeira do apartamento onde me hospedei durante esses últimos dois anos aqui em Londres e agora que estou voltando para casa, sei que vou sentir falta dela. Eu tenho certeza de que Zoe iria gostar dela, assim como Chloe.
Ao fechar a mala, observo a foto em cima do criado mudo, a última foto que tiramos juntos.
O sorriso de Chloe era tão lindo e agora é como se ainda fosse possível ouvir sua risada ou sentir o seu cheiro, e nos seus braços a nossa menina.
— O papai está chegando, meu amor. — toco a foto antes de devolver ela no seu lugar.
Deixo tudo organizado e saio do apartamento que irá ficar fechado até que eu retorne algum dia no futuro com minha menina. Eu sei...
Ela vai amar Londres.
E um dia preciso trazer ela aqui.
O caminho até o aeroporto é tranquilo, apenas o trânsito comum dessa enorme cidade que torna uma simples viagem até o aeroporto num longo e demorado passeio pela cidade.
E talvez seja a ansiedade, mas isso parece estar demorando mais que o normal.
Eu não vejo a hora de ver a minha garotinha.
[...]
— Ollie... que saudade.
— Amélia, também estou com saudades — ela pula nos meus braços com um sorriso no rosto me abraçando e olhando um pouco mais vejo Jordan se aproximar com a feição fechada.
— Jordan? — lhe olho ansioso assim que se aproxima e sorrio.
— Seja bem-vindo de volta, Oliver.
Tiro o sorriso do rosto e apenas lhe olho.
Ao que parece, ele ainda não me perdoou já que me chama pelo meu nome, em vez do apelido que ele mesmo me deu quando éramos pequenos e ele não sabia falar o meu nome.
— Obrigado, irmão. — agradeço. — Estou ansioso para ver minha pequena. Como ela está? — forço um sorriso mesmo vendo que ele não mudou nada na sua expressão.
— Linda, inteligente, sapeca e muito ansiosa para te ver. — Amélia responde com um sorriso no rosto, parecendo empolgada.
— Estava contando os minutos para ver ela.
— É uma pena, só podemos buscar ela amanhã. — Jordan toma a fala de Amélia sem nenhum contentamento.
— Como assim? Eles não vão liberar ela?
— Conhece as regras né, Ollie? — Amélia parece triste.
— Mas eu cheguei e quero ver a minha filha. — rugo a testa.
— Ela também quer te ver, pergunta do pai todos os dias, mas regras são regras. — Jordan tenta encerrar a conversa.
— Vamos direto para o internato. — puxo as malas em direção ao estacionamento.
— Não... — Meu irmão rebate. — Você vai esperar até amanhã de tarde, Zoe logo vai dormir.
— E por que você está assim? — prendo a mandíbula e lhe olho furioso.
— Oliver, ela pergunta por você todos os dias, ansiosa para ver o pai que ela tanto ama mesmo que você só tenha conseguido magoar ela durante tanto tempo. Onde estava que não conseguia nem mesmo fazer uma ligação? — ele diz parecendo ter raiva nos olhos.
— Irmão...
— Não, agora vamos para casa e amanhã iremos buscar Zoe. — diz quase gritando e apontando o dedo na minha cara me deixando furioso e pronto para quebrar a minha regra que é manter a calma com a família.
— Jordan, não é hora nem lugar para vocês brigarem. — Amélia entra no nosso meio falando ainda mais alto chamando atenção de nós dois, quando tudo o que eu queria era socar a cara de Jordan por dizer o que posso ou não fazer.
Merda...
Ela é minha filha.







