Mundo ficciónIniciar sesión" O tempo que hoje você agradece por perder é o mesmo que, no futuro, vai anseiar por ter de volta."
Dentro de um táxi, Maya agradeceu ao motorista.
— Chegamos. — Disparou em tom empolgado.
— Você mora aqui? — perguntou Lucas, enquanto analisava o espaço à sua volta.
— Sim — afirmou com a mesma empolgação de antes. Em seguida, acrescentou: — Venha, você pode escolher o quarto que quiser.
Lucas concordou.
Assim que entraram na casa, uma senhora de aproximadamente cinquenta e poucos anos os recebeu. Os olhos dela brilhavam — um misto de surpresa, alegria e alívio. Abraçou Maya com força e disse, emocionada:
— Não posso acreditar que você está bem... Isso é um verdadeiro milagre!
Ergueu as mãos aos céus e agradeceu a Deus. O anjo observou a cena e sorriu de canto. Ainda havia pessoas de fé — e aquilo o cativava.
Maya apresentou Lucas, mas não explicou o que realmente havia acontecido. Disse apenas que ele era seu segurança e que a acompanharia em todos os lugares. A mulher o recebeu de braços abertos. Não fez nenhuma pergunta, apenas olhou para Maya e comentou:
— Gosto mais dele do que do outro.
Maya sorriu sem graça, mas não teve tempo de responder. A mulher os levou até a cozinha, dizendo que precisavam comer, pois com certeza estavam famintos.
Quando se deram conta, estavam sentados diante de uma mesa farta, com todas as opções possíveis de comida. Antes de se sentar, Maya abraçou a senhora mais uma vez, agradeceu e disse:
— Eu realmente não sei o que faria da minha vida sem você, Dadá.
A mulher retribuiu o abraço com carinho. Enquanto isso, Lucas observava discretamente, tentando entender quem ela era e por que tratava Maya com tanto amor.
Percebendo a dúvida nos olhos dele, ainda abraçada com a senhora, Maya explicou:
— Desde que meus pais morreram, a Dadá foi quem cuidou de mim. Era a governanta da nossa casa. O tempo passou, e ela virou minha segunda mãe.
Lucas não se pronunciou, embora fosse nítido que havia um amor verdadeiro entre elas. Antes que Maya pudesse dizer mais alguma coisa, a senhora se afastou e ordenou:
— Muito bem, agora coma! Você parece ainda mais magra do que da última vez que te vi. Precisa se cuidar.
Maya esboçou um sorriso genuíno e, erguendo as duas mãos como quem se rende, sentou-se à mesa.
Enquanto faziam a refeição, a governanta atualizou Maya sobre alguns acontecimentos e mostrou um jornal.
— Geremy vai se casar com Jenny daqui a um mês — disse.
Um enjoo tomou conta do estômago de Maya. Como puderam fazer aquilo tão rápido? Mal podia acreditar no que estava lendo.
— E não é só isso — acrescentou Dadá. — Depois que você desapareceu, ele assumiu o controle da empresa. Está agindo como se fosse o dono.
— E os acionistas aceitaram isso? — Retrucou Maya, indignada.
— Bom… não tiveram muita escolha. Ele era seu noivo e você a presidente. Assim que sumiu, ele disse que precisava assumir ou a empresa iria à ruína.
Uma faísca surgiu nos olhos de Maya, que ficaram subitamente furiosos. Respirou fundo, tentando conter a raiva, e falou com firmeza:
— Escuta, Dadá. Ninguém além de você pode saber que eu voltei.
Dadá a olhou, atenta, enquanto ela continuava:
— De acordo com a notícia, a festa de noivado será daqui a uma semana. Eu vou fazer uma surpresa para eles.
— Mas, menina… isso não é perigoso? — perguntou a senhora, preocupada.
— De forma alguma. Eu ficarei bem.
Mais tarde, Maya apresentou a mansão para Lucas.
O quarto de Maya ficava no andar de cima; era a suíte principal. Enquanto mostrava os detalhes, ela acrescentou:
— A propósito, você pode escolher seu quarto. Qualquer um que quiser.
Lucas olhou ao redor, apontou uma porta de frente para o quarto de Maya e falou:
— Esse aqui.
Maya olhou e respondeu:
— Esse é um quarto pequeno. Tem outros maiores e bem mais confortáveis. Você ainda não conhece a casa toda, então vou te dar mais uma chance. Pode escolher o que quiser.
Lucas insistiu:
— Eu quero esse.
E antes que Maya contestasse, acrescentou:
— É perfeito. É perto do seu. A regra é que eu cuide de você, então esse aqui está ótimo.
Maya riu discretamente. Sua casa era muito segura — havia seguranças por toda parte, câmeras e alarmes também. Não achava que pudesse precisar de proteção ali. Mas ainda assim, não discordou. Ela havia concordado com aquela condição, e ele só estava fazendo sua parte. Então ergueu a cabeça e disse, antes de entrar para o seu quarto:
— Então fique à vontade. Se precisar de algo, é só chamar.
Feito isso, ela foi em direção ao seu quarto. Lucas ficou parado por alguns segundos, depois, saiu para o jardim, tentando tomar um pouco de ar puro e conhecer melhor o ambiente onde passaria os próximos 12 meses.
A mansão era enorme e o jardim era extenso. Lucas andou por um bom tempo até que se aproximou da floresta que cercava os arredores da casa. Ela era composta por vários tipos de árvores; no chão, folhas secas e grama verde. Mas, à medida que avançava, tudo ficava mais denso e fechado — menos parecido com o jardim e mais com uma mata fechada. Lucas não adentrou muito. Voltou para o jardim e se aproximou do canteiro de lírios próximo a um balanço. Enquanto admirava os lírios, um clarão tomou conta do jardim. O raio de luz era forte e intenso. Em seu íntimo, Lucas soube do que se tratava.
De repente, Atiel e Muriel se materializaram à sua frente. Lucas os olhou sem esboçar surpresa. Já esperava por aquela visita — mas por um momento temeu. Qual seria a punição que eles haviam vindo anunciar?
Os anjos foram rápidos e objetivos. Saudaram Lucas e então Atiel falou:
— Você já deve imaginar o motivo da nossa visita.
Lucas assentiu com a cabeça. Muriel completou:
— Você sabe que não pode interferir na vida dos humanos. Por que fez aquilo?
Lucas não respondeu. Ele não tinha um motivo específico. Talvez porque achava que aquela moça merecia uma chance de consertar as coisas, ou porque ela não merecia passar um ano ali. Talvez tivesse sentido pena ao vê-la chorando tanto… Enfim, nenhuma conclusão.
Seus pensamentos foram interrompidos por Atiel, que falou em tom sério:
— Você não obedeceu à ordem que lhe foi dada. Interferiu na vida dessa moça. Seu tempo com ela foi reduzido pela metade. Você só poderá ficar por seis meses.
Lucas franziu o cenho, surpreso. Aquela era a punição? De fato, esperava algo mais severo — como desaparecer para sempre, ser exilado por milênios ou até mesmo perder suas asas.
Muriel, vendo o semblante dele, acrescentou:
— O Pai ordena que você não interfira mais. Caso isso aconteça novamente, a punição será bem mais severa.
Dizendo isso, os anjos se despediram e desapareceram tão rapidamente quanto haviam surgido.
Da janela do quarto, Maya observava Lucas no jardim. Achou estranho quando ele parou diante do canteiro de lírios. Ele agia como se falasse com alguém. Uma pontada de preocupação veio.
— Seria alguém do paraíso?
Ela não conseguia ver ninguém, o que reforçou ainda mais sua hipótese. Correu depressa até o jardim. Se sua teoria estivesse certa, imploraria por misericórdia. Mesmo que não pudesse vê-los, eles certamente poderiam vê-la — e isso era o suficiente.
Quando abriu a porta da mansão que dava acesso ao local em que eles se encontravam, Maya viu Lucas vindo em sua direção. Correu até ele e perguntou, aflita:
— Com quem estava falando? Era alguém do paraíso? Eles falaram da punição?
Lucas a olhou surpreso.
— Como você sabe? Conseguiu vê-los?
— Não, mas você agia como se estivesse falando com alguém — respondeu Maya.
— Sim, eram dois anjos.
A aflição aumentou.
— Então… qual foi a punição?
— Nosso tempo foi reduzido pela metade — respondeu Lucas, com um tom despreocupado.
— O quê? Como assim?
Maya perguntou com um certo peso na voz.
— Eu também não acreditei. Esperava algo mais severo. O Pai é realmente misericordioso.
Maya sorriu de canto, forçado. Estava feliz por ele não ter sido castigado de forma severa, mas… ele não se importava nem um pouco com o tempo reduzido?
Lucas percebeu as feições dela e perguntou:
— O que houve?
— Não é nada. Só estou pensando que teremos que adiantar os planos… agora só temos seis meses.
Lucas assentiu, sorrindo:
— Seis meses são mais que o suficiente. Vai dar tudo certo.
Maya concordou com a cabeça, embora não tivesse tanta certeza daquelas palavras.







