Mundo de ficçãoIniciar sessão"A vida permite que você faça suas próprias escolhas, mas te obriga a arcar com as consequências de cada uma delas."
Era 29 de maio, manhã de segunda-feira. Maya e Lucas embarcaram rumo a Londres em busca de respostas. Chegaram já à noite e se hospedaram em um hotel. O dia seguinte prometia ser intenso.
— Acha que vai encontrar alguma pista? — perguntou Lucas.
— Eu preciso encontrar — respondeu Maya com convicção.
— Então é melhor descansar. Amanhã será um longo dia.
— Eu prefiro que seja um grande dia — disse, em tom de expectativa.
Na manhã seguinte, saíram cedo rumo ao banco. Ao chegarem, o atendente olhou Maya e disse:
— Você não é a mesma mulher que abriu essa conta.
Maya explicou a situação ao gerente, que foi compreensivo. Disse que poderiam, sim, localizar as imagens das câmeras de segurança, mas como já fazia tempo, isso levaria alguns dias. Pediu um prazo de uma semana. Maya aceitou.
Ao deixarem o banco, Lucas perguntou:
— E agora?
— Agora a gente aproveita. Claro, né?
Lucas franziu a testa.
— Como assim?
— Vamos conhecer a cidade. Tem muitos lugares incríveis aqui.
Ele concordou, mesmo sem entender totalmente. E assim foi. Nos dias seguintes, visitaram juntos diversos pontos turísticos.
Em todos os lugares, Maya fazia questão de tirar fotos. Lucas não gostava muito, mas cedia após insistência.
— Por que tantas fotos? — perguntou.
— Pra guardar de lembrança.
— Não seria melhor guardar na memória?
Maya suspirou e respondeu:
— Esqueceu que, daqui a cinco meses, eu vou me esquecer de tudo?
Lucas ficou em silêncio.
— Então preciso registrar tudo enquanto posso — completou ela, virando o celular para ele e tirando mais uma foto. Ele deu um leve sorriso, mesmo duvidando que ainda estivesse naquelas imagens quando o tempo chegasse ao fim.
Na sexta-feira à noite, Lucas bateu na porta do quarto de Maya.
— Aconteceu alguma coisa? — perguntou ela, preocupada, ao sair apressada.
— Vem comigo. Quero te mostrar uma coisa — disse ele em tom misterioso.
Vendo a preocupação em seus olhos, Lucas apenas curvou os lábios num gesto tranquilo.
— Tá tudo bem.
Horas depois, estavam em um lugar completamente afastado da cidade: uma floresta densa, onde uma ponte de pedra muito alta cortava o céu. Parecia algo saído de um conto antigo. A vista era incrível. As luzes da cidade brilhavam ao longe, tingindo o céu de tons dourados e lilases.
Maya ficou encantada.
— Como você conhecia esse lugar?
— Sobrevoei os arredores e encontrei. Achei que você iria gostar.
— É maravilhoso!
— E isso não é tudo — disse ele com um brilho nos olhos.
— O quê? Ainda tem mais?
— Segura, firme.
Num impulso, Lucas a envolveu nos braços e voou. Maya deixou escapar um pequeno som, um misto de susto e encantamento.
— Aproveita a vista — sussurrou.
Ela abriu os olhos e olhou para baixo. A floresta parecia um mar verde; o rio sob a ponte brilhava com o reflexo das luzes, e a cidade ao fundo parecia mágica.
Naquele instante, Maya percebeu que Lucas estava sem camisa.
— Cadê sua blusa?
— Sempre perco quando as asas aparecem — disse, sem demonstrar o menor constrangimento.
O corpo dele era forte, definido e parecia irradiar calor. Maya se perguntou, em pensamento, se havia academia no paraíso. Mas logo tratou de afastar a ideia.
— E então, o que está achando? — perguntou ele.
— Incrível… — respondeu ela, com os olhos brilhando.
Lucas sobrevoou a floresta mais uma vez e se aproximou da ponte para descer. Mas, de repente, dois guardas apareceram.
— Maldição! — murmurou ele.
Desceu rapidamente no meio da mata, tentando não ser visto. Galhos bateram em suas asas, folhas se espalharam pelo ar e os pássaros levantaram voo em alvoroço. Antes que percebessem, os dois já estavam no chão. Por sorte, a queda foi leve.
Maya não conseguiu segurar a reação; um som divertido e inesperado escapou de sua garganta.
Lucas levou a mão até os lábios dela, pressionando suavemente para silenciá-la.
— Xiiiiii — disse ele, a respiração rente ao rosto dela. — Ninguém pode nos ver. Está tudo bem?— Estou ótima — respondeu, tentando conter o riso.
Os dois levantaram-se e Lucas ainda parecia nervoso. Maya tentou tranquilizá-lo:
— Caímos longe. Eles nem devem ter ouvido.
Lucas olhou para ela. Sua expressão divertida estava fascinante. A luz da lua realçava o brilho dos seus olhos, enquanto a respiração dela tão próxima fazia algo dentro dele se agitar. Sem pensar duas vezes, fechou os olhos e depositou seus lábios sobre os dela.
Maya ainda se mexia, tentando recuperar o fôlego da queda, quando sentiu os lábios dele encostarem nos seus. O coração dela disparou; era algo que não sabia nomear.
Não pensou em resistir. Apenas fechou os olhos e se deixou levar pelo toque dele, sentindo cada gesto com atenção, ficando completamente envolvida no beijo daquele anjo.







