Quando o Passado B**e à Porta

"Quando tentarem enterrar a sua verdade, lembre-se: você não é raiz para ficar presa à terra; é semente que sempre voltará a florescer."

No salão, Geremy agradecia aos convidados pela presença. Jenny, ao seu lado, sorria. Ele dizia que aquele era um momento especial, falava sobre a união das famílias e como isso traria uma estabilidade única às empresas. Depois de várias palavras bonitas — de um discurso, obviamente, ensaiado. —Aplausos ecoaram no salão.

Nesse momento, Maya entrou, de braços dados com Lucas, enquanto todos aplaudiam. Os aplausos cessaram imediatamente. Todos olhavam, incrédulos. Repórteres filmavam e fotografavam. Geremy perdeu a cor, enquanto Jenny empalideceu. Ambos olhavam para Maya, que sorria e cumprimentava a todos, como se nada estivesse acontecendo.

Ao chegar perto do palco, Maya soltou o braço de Lucas, deu alguns aplausos lentos e, com um sorriso sarcástico, falou de forma compassada:

— Pa-rá-bens...

Geremy não sabia como reagir. Jenny também. Aquilo era impossível.

— O que foi, gente? — disse Maya. — Estão me olhando como se tivessem visto um fantasma…

Nesse momento, vários repórteres cercaram Maya. Perguntas vinham de todos os lados:

— O que houve?

— Onde você estava?

— Você realmente traiu Geremy e fugiu?

— Quem é esse homem?

— É verdade sobre o rombo na empresa?

Maya não podia acreditar. Então essa era a desculpa que ele havia dado?

— Houve um engano, pessoal — disse, tentando manter a compostura. — Eu estava viajando a trabalho. Mas nenhuma dessas informações é verdadeira. Depois darei uma entrevista a vocês.

Vendo que ela estava desconfortável, Lucas se posicionou à frente dela e pediu, com firmeza, que os repórteres se afastassem. Com muito custo, eles recuaram.

— Você não pode fazer isso aqui.

— Vamos conversar. Agora.

Disse Geremy.

— Pra quê? — respondeu Maya, séria.

Temendo um escândalo, Geremy insistiu:

— Por favor, Maynha...

Uma fagulha tomou os olhos de Maya, que de repente ficaram irreconhecíveis:

— Nunca mais me chama assim. — Falou com um tom tão gélido que até Lucas se espantou.

Temendo que ela fizesse algo, Lucas a abraçou rapidamente e disse em seu ouvido, com uma voz doce e calma:

— É o suficiente... Vamos sair daqui.

Maya ficou imóvel. Seus olhos estavam tenebrosos. Ela olhava para Geremy e Jenny como se, de fato, fosse matá-los. Lucas repetiu, ainda a abraçando:

— Vamos. Eu levo você.

A voz doce dele a trouxe de volta dos pensamentos obscuros que a consumiam. Então ela assentiu. Mas antes de sair, disse em alto e bom som:

— Quero você fora da minha empresa.

Depois que chegaram em casa, Maya ainda tremia. Lucas pediu que Dadá fizesse um copo de água com açúcar e, enquanto ela tomava, disse:

— Você não pode ficar assim. Precisa reagir.

Mil pensamentos rondavam a cabeça de Maya — em todos eles, Geremy a chamava de Maynha.

— Como ele pôde? — repetia ela, enquanto lágrimas rolavam. — Eu vou matá-lo…

Lucas arregalou os olhos.

— Você não pode fazer isso! Enlouqueceu? — disse, segurando-a pelos braços. — Tem noção do que está dizendo?

— Sim, eu tenho noção! — Maya exclamou, a voz tomada pela raiva. — Ele tentou me matar. É justo que eu faça o mesmo!

A expressão sombria tomou conta de seu rosto mais uma vez. Lucas a encarou por alguns segundos, tentando entender: seria só um impulso tomado pelo ódio, ou ela teria mesmo coragem de cometer tal ato?

A verdade é que Maya estava se transformando. Aquele olhar frio e gélido a deixava irreconhecível. Por um instante, ele realmente acreditou que ela fosse capaz de fazer aquela besteira.

— Escuta aqui! — Ele exclamou, olhando fixamente nos olhos dela. — Você não pode fazer isso. Você é diferente deles. Tem noção do que acabou de dizer? Se fizer isso, o Pai não vai te perdoar… e eu não vou mais poder seguir com você. É isso que você quer?

As palavras de Lucas acertaram como uma flecha. A expressão de Maya mudou. Ela abaixou os olhos, respirou fundo e, enquanto enxugava as lágrimas, murmurou:

— Desculpa. Eu… eu não sei o que houve comigo.

Lucas a abraçou com suavidade, como se quisesse protegê-la de si mesma.

— Vai ficar tudo bem. Eu prometo.

Maya ficou em silêncio. Era a segunda vez que ele a abraçava naquela noite. Sentia que era para confortá-la… mas ele parecia diferente nos últimos dias. Mais presente. Mais… próximo.

Na manhã seguinte, Maya chamou Lucas e foram para a empresa. Assim que chegaram, um alvoroço tomou conta do local. Pessoas os olhavam com julgamento, apontavam e cochichavam.

 Maya foi informada de que havia um rombo de mais de cinco milhões na conta da empresa — e, segundo os dados, o dinheiro teria sido transferido para uma conta no exterior em seu nome. Tentou explicar que nunca havia visto aquela conta antes, mas os acionistas estavam revoltados. Afinal, a conta era dela. Como poderiam acreditar que não fora ela quem desviou o dinheiro?

Geremy aproveitou-se da situação, apontando o dedo e inflamando ainda mais os ânimos. Dizia que, se a aceitassem de volta, ela roubaria o que lhes restava. Insistia que não podiam permitir isso.

Lucas assistia à cena como um guarda-costas: não intervinha, apenas observava como Maya lidava com a situação.

Foi então que uma ideia surgiu. Maya disse em voz firme:

— Ok, a conta é minha e foi aberta em Londres. Então eu vou até lá recuperar esse dinheiro.

Geremy se exaltou:

— E quer mesmo que a gente acredite nisso? Ainda que devolva, o que garante que não fará outra vez?

— Eu já disse que não fui eu! Nunca vi essa conta antes. Mas se vocês dizem que é minha, então vou até lá, trarei o dinheiro de volta e também as imagens das câmeras de segurança. Certamente ficaram registrados o dia e a hora em que essa conta foi aberta. Quero ver com os meus próprios olhos o que realmente está acontecendo.

Geremy empalideceu. Gaguejando, disse:

— Isso não será necessário…

— Como não? Vocês estão me acusando de algo que eu não fiz. Nada mais justo do que eu provar minha inocência. Farei isso ainda este mês. E enquanto estiver fora, você ficará afastado da empresa. Não poderá tomar nenhuma decisão em meu lugar.

Os acionistas concordaram. Geremy não teve alternativa. Maya saiu decidida, e Lucas a seguiu em silêncio.

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