UMA BABÁ ME SALVOU: QUANDO O AMOR CURA

UMA BABÁ ME SALVOU: QUANDO O AMOR CURAPT

Romance
Última atualização: 2026-01-07
Tônia Fernandes   Atualizado agora
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Resumo
Índice

Isabella sempre acreditou que sua vida seguia um caminho seguro. Filha de um engenheiro e de uma arquiteta à frente de uma grande construtora no Brasil, ela e o irmão, Gabriel, estudavam nos Estados Unidos enquanto os pais administravam os negócios à distância. Mas quando o cenário político brasileiro se torna instável e ameaçador, decisões difíceis precisam ser tomadas. Para proteger a família e o patrimônio construído ao longo de décadas, os pais de Isabela decidem se mudar definitivamente para os Estados Unidos, afastando-se de um sistema que já não oferece segurança nem previsibilidade. Em Birmingham, Michigan, a família recomeça com discrição. Longe dos holofotes, Isabella escolhe trilhar o próprio caminho. Formada em psicopedagogia, ela aceita um emprego em um orfanato local, movida pela convicção de que cuidar de crianças é mais do que uma profissão — é um chamado. É ali que ela conhece uma menina de apenas três anos. Pequena, frágil e com olhos que parecem carregar uma dor maior do que o próprio corpo, a criança chora todos os dias, chamando por alguém que não vem: — Mamãe… Isabella logo descobre que a menina está no orfanato há exatamente seis meses. Foi abandonada sem documentos, sem explicações, sem despedidas. Desde então, ninguém apareceu para procurá-la. Ninguém perguntou seu nome. Ninguém quis saber de seu destino. A única coisa que a criança faz é esperar. O que Isabela ainda não sabe é que aquela menina não foi esquecida — foi perdida. Ela é Rose Shaper Davenport, filha de Robert Neword Davenport, um dos bilionários mais influentes do setor empresarial americano. Após um sequestro brutal que tirou a vida de sua esposa, Lisie Shaper Davenport, Robert foi levado a acreditar que também havia perdido a filha naquela tragédia.

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Capítulo 1

PRÓLOGO

A SAÍDA DA CRECHE

72 horas antes do silêncio

— O fim de tarde que parecia comum

O portão da creche se abriu com um familiar rangido, um som que, em muitos dias, simbolizava o fim do dia.

—Lise atravessou o portão apressadamente, com o casaco ainda aberto, as mãos frias e a mente um passo atrás.

Embora o vento do lado de fora fosse cortante, o interior exalava um calor acolhedor, imerso no aroma do lanche e no murmúrio animado de vozes infantis, um lembrete constante de que a vida ali continuava a pulsar.

— Ela aprendera a apreciar aquele barulho, que simbolizava momentos simples e felizes, como os risos espontâneos durante as brincadeiras e os pequenos desabafos das crianças.

A creche se tornou um espaço onde a normalidade da vida insistia em prevalecer, especialmente após o sequestro frustrado de sua serenidade, o luto silencioso e o medo que nunca admitia em voz alta.

—Aquele ambiente oferecia a ela um ponto de sustentação em tempos incertos, onde o caos do exterior era suavizado pela rotina e pela inocência das crianças ao seu redor.

Seus olhos se fixaram quase que involuntariamente no canto do tapete colorido, como se seu corpo já soubesse onde encontrar o que realmente importava.

Sentada com as pernas cruzadas, cercada por bloquinhos de montar, a menina tentava erguer uma torre torta; sua língua aparecia no canto da boca, evidenciando o esforço concentrado de quem ainda descobre o mundo peça por peça.

— Lise parou por um breve momento, absorvendo aquele pequeno milagre — uma vida completa e inteira, alheia às sombras que a rondavam, onde cada bloco se tornava uma nova possibilidade, cada risinho uma nova história.

A menina levantou o olhar.

— Mamãe!

A palavra surgiu como um fio esticado entre as duas.

— A criança abandonou os blocos e correu, com passinhos rápidos e desajeitados, batendo as mãos em seu corpo em busca de equilíbrio.

Lise se agachou para recebê-la e, ao sentir o impacto da filha contra suas pernas, a envolveu em um abraço que combinava força e delicadeza, como se estivesse moldando um momento perfeito em sua memória.

Não era exagero; era instinto de mãe.

— O calor do corpinho contra seu peito desmoronou, por um instante, a muralha que Lise construía dia após dia para poder viver.

Ela inalou o aroma familiar da filha: sabonete infantil, cabelo limpo, um toque de massinha de modelar — um cheiro repleto de promessas.

— Era um cheiro que trazia à mente as tardes tranquilas em que se sentavam juntas, lado a lado, criando mundos de fantasia a partir de simples blocos de montar.

— Minha vida… — sussurrou, beijando o topo da cabeça, demorando-se o suficiente para que o beijo se tornasse uma oração. — Você se comportou?

— Eu comi tudinho — a menina esticou o “o” como se fosse uma medalha. — Dormi um pouquinho, e a tia falou que eu desenhei bonito.

Apesar do sorriso de Lise, uma sensação de aperto lhe preencheu o peito.

— A professora se aproximou, trazendo a mochila da criança.

— Ela esteve tranquila o dia todo. Brincou bastante, dormiu bem... só chorou um pouco mais cedo, dizendo que sentia saudade da mamãe.

Essas palavras da professora pesaram no coração de Lise. Conhecia bem essa saudade, uma dor que a acompanhava em cada dia que passava.

— No entanto, a menina não sabia enganar a si mesma, como muitas vezes Lise fazia.

— Amanhã eu chego mais cedo — prometeu, não apenas como uma gentileza, mas como um pacto íntimo, uma promessa de estar mais presente.

No vestiário, Lise se moveu com a paciência de quem carrega a culpa de viver longe.

Tirou o casaco leve da filha e vestiu o mais grosso, fechando o zíper devagar para não machucar sua pele delicada.

— Prendeu os cabelos em dois lacinhos vermelhos que lhe conferiam um ar ainda mais infantil, como se quisesse preservar cada traço da sua infância.

A menina observava tudo com seriedade, segurando um ursinho de pelúcia, seu fiel amigo.

— Mamãe… a gente vai pra casa?

— Vai, meu amor. Vamos jantar, tomar um banho bem quentinho… e depois você dorme, como uma princesa após um longo dia de brincadeiras.

A criança bocejou, um bocejo tão grande que parecia desproporcional ao seu rosto pequeno, quase como se estivesse tentando engolir seus próprios sonhos.

— O papai vai estar lá?

A pergunta, simples e inocente, soou natural, mas atravessou Lise como se alguém tivesse mexido em uma ferida antiga.

Para muitas mães, momentos como esse, em que uma criança expressa uma necessidade de certeza, podem ser um lembrete doloroso de fragilidades passadas. — Ela respirou fundo, segurando o impulso de estremecer, e manteve o sorriso no rosto, lembrando-se de que as crianças não devem carregar o peso das dores dos adultos.

— Vai sim, o papai sempre está com a gente.

A menina parecia satisfeita com a resposta e encostou a cabeça no peito da mãe.

Lise, com um amor protetor transparecendo em seu olhar, fechou os olhos por um momento, desejando que o mundo respeitasse aquela fragilidade.

— Era como se quisesse proteger não apenas a filha, mas também a própria esperança que ainda habitava seu coração.

Do lado de fora, o estacionamento estava dominado pelo frio e uma luz pálida de fim de tarde.

— O céu apresentava um azul opaco, como se a noite tivesse pressa.

Lise caminhou até o carro com a filha no colo, não porque fosse necessário — a menina já era grande o suficiente para ir andando —, mas para sentir o peso real do que protegia.

— Essa ação, embora simples, era um reflexo de seu desejo de preservar aquelas pequenas e preciosas memórias.

Abriu a porta traseira, acomodou a filha na cadeirinha e conferiu o cinto uma, duas, três vezes, como se cada verificação garantisse que nada de ruim pudesse acontecer.

Ajustou o casaco da menina, puxou as mangas para cobrir as mãos, tocou a testa e beijou as bochechas.

— Esses gestos eram um ritual de amor que não apenas aqueciam o corpo, mas também a alma.

— Dorme, meu amor, quando você acordar, já estaremos em casa.

— Mamãe…

— Oi?

— Você promete?

A pergunta carregava três anos e um mundo inteiro.

— Era um questionamento que refletia a inocência e os medos que acompanham a infância, um lembrete de que as promessas, mesmo as mais simples, têm um peso imenso.

Lise engoliu em seco. Era um momento que exigia sinceridade e coragem, pois prometer segurança em um mundo tão incerto era um ato de amor.

— Eu prometo.

Fechou a porta com cuidado e contornou o carro. Ao se sentar no banco do motorista, notou um leve tremor em suas mãos.

— Respirou fundo por alguns segundos, buscando estabilizar-se antes de enfrentar a jornada de volta. Sabia que precisava estar alerta.

Ligou o motor e uma música suave começou a tocar no rádio, criando uma atmosfera calma.

— Lise colocou o carro em movimento, deixando a creche para trás enquanto as notas da melodia flutuavam no ar.

A rua era familiar, mas tinha um ar diferente. Os espelhos dos carros pareciam mais escuros, os faróis brilhavam com mais intensidade, e o som dos pneus no asfalto soava mais alto, como se o mundo estivesse amplificado à sua volta.

De repente, o telefone vibrou no console. Lise olhou de lado, mas não reconheceu o número desconhecido e decidiu ignorar. “Depois”, pensou, recordando-se do quanto havia prometido retornar para casa.

— Havia sempre um depois, um momento para resolver as urgências e abraçar sua rotina novamente.

Seguiu em frente, cruzando uma avenida mais ampla. O tráfego estava lento, típico do fim do dia, e ela murmurou um pedido de paciência.

— No banco de trás, a menina dormia, a cabeça tombada para o lado, com o ursinho firme contra o peito, reafirmando a inocência daquela infância.

Lise olhou pelo retrovisor, o rosto da filha estava sereno, como se não houvesse mal algum no mundo ao redor.

— Foi nesse instante, quando se entregou àquele amor simples e puro, que o sinal fechou abruptamente.

Ela freou, e o carro parou completamente. Então, um impacto surgiu por trás, abrupto e veloz.

— Não foi forte o suficiente para destruí-la, mas foi o suficiente para jogar para frente, enquanto o cinto segurava seu corpo e seu coração disparava em seu peito.

— Que droga… — exclamou, mais surpresa do que furiosa. Olhou pelo retrovisor, tentando identificar quem havia batido.

— Um carro escuro havia colidido levemente com seu para-choque, um evento que parecia trivial à primeira vista.

— Não havia nada grave, apenas mais um acidente rotineiro que poderia acontecer a qualquer motorista.

O sinal ainda estava vermelho, e Lise respirou fundo, o instinto a levando a pegar o celular.

— Pronta para registrar a placa do infrator e agir de acordo com o protocolo habitual em situações assim, ela se sentia confiante, apesar da surpresa.

Foi então que a porta do motorista se abriu abruptamente, como se a pessoa dentro do veículo não se importasse em oferecer um pedido de desculpas.

Uma mão grande agarrou seu braço com força, provocando uma dor aguda que se espalhou rapidamente.

— Sai, daí agora , se quiser viver!

A palavra não foi um pedido, mas uma ordem direta. Lise congelou por um instante, um momento crucial onde se decide entre agir ou se submeter.

— Quando a adrenalina começou a fluir, seu instinto de proteção tomou conta.

— O quê? — ela puxou o braço com determinação. — Você está louco? Tem uma criança!

Tentando evitar o contato, suas mãos buscavam a trava da porta traseira, desejando trancar o veículo e proteger sua filha.

— Contudo, o homem se inclinou, invadindo seu espaço pessoal como se Lise fosse apenas um obstáculo a ser superado.

— Fica quieta, se abrir a boca você morre aqui mesmo.

O cheiro dele era de frio e couro, e sua voz era baixa e controlada — uma abordagem que se mostrava ainda mais ameaçadora do que um grito.

Em um impulso desesperado, Lise reagiu com todas as suas forças: arranhou, empurrou e tentou gritar.

— A mão dele subiu rapidamente, cobrindo sua boca com força, esmagando seus lábios contra os dentes.

Ela sentiu o gosto de sangue, uma sensação aterrorizante que a fez perceber a gravidade da situação.

Num instante, a porta do lado do passageiro se abriu.

— Um segundo homem entrou rapidamente, como se estivesse executando um movimento ensaiado, o que intensificou o pânico dentro de Lise.

Então, ela ouviu, atrás de si, o clique da porta do banco traseiro se abrindo.

— A menina se mexeu, acordando confusa devido ao impacto e às vozes ao seu redor.

— Mamãe…?

A palavra saiu de seus lábios de forma fraca e sonolenta, como um fio prestes a se romper, refletindo sua vulnerabilidade.

Lise tentou mover a cabeça e contorcer-se, buscando arrancar a mão que lhe tapava a boca. Tentou gritar, embora a pressão em sua garganta a impedisse.

— O homem sentado no banco do passageiro segurou seu rosto e, em um tom baixo, direto ao seu ouvido, proferiu uma ameaça disfarçada de argúcia:

— Se você fizer barulho… eu arranco sua filha do banco e a jogo no chão.

As palavras escaparam de seus lábios com uma calma perturbadora, mais aterrorizante do que uma simples ameaça. Era uma afirmação que ressoava com certeza.

Lise sentiu seu corpo inteiro gelar, não por covardia, mas por um cálculo sombrio: qualquer erro poderia custar a vida da menina.

— Um grito incontrolável poderia agitar o lado cruel daqueles homens.

— O homem por trás começou a manipular a cadeirinha, e, à medida que a criança começou a chorar, seu desespero rapidamente se transformou em pânico, ela não entendia a situação.

— Mamãe!

O som daquele chamado cortou Lise por dentro, como se cada grito fosse uma facada em sua alma.

— Ela tentou levantar as mãos, mas o metal frio das algemas a mantinha presa, e o estalo delas ecoou, como a porta de um mundo se fechando.

Lutou novamente, mesmo com as mãos algemadas, pois o instinto de uma mãe se manifesta em momentos de desespero, tentou chutar, se jogar para trás e morder.

— No entanto, o homem que segurava sua boca pressionou ainda mais, e a dor na mandíbula a fez sentir a gravidade da situação.

— Olha pra mim — ele ordenou, e quando ela finalmente o encarou, ele articulou cada palavra com cuidado, como se estivesse esculpindo a tensão no ar.

— Você quer salvar sua filha? Então não reaja, pois não pensarei duas vezes em acabar com vocês duas.

Lise tremia, mas dominada pela raiva e pelo terror, do banco de trás, sua filha soluçava.

— Mamãe… eu tô com medo…

Em sua posição precária, presa com sangue na boca e algemas nos pulsos, Lise fez o único movimento possível: inclinou a cabeça o máximo que conseguiu para trás, tentando alcançar sua filha com palavras reconfortantes.

— Eu estou aqui… — ela conseguiu dizer, a voz abafada e quebrada. — Eu estou aqui, meu amor.

A resposta que veio foi um choro angustiado. E, naquele segundo, antes do carro acelerar, Lise percebeu: aquilo não era um sequestro.

Quando o sinal abriu, o carro dela, agora sob o controle de outras mãos, avançou.

— O mundo que um minuto antes parecia rotineiro começou a desmoronar sob o peso da realização de que a situação era muito mais sinistra do que parecia.

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