O Peso de Um Beijo

Às vezes, o maior risco não é confessar um amor proibido, mas sufocá-lo."

Algum tempo depois, os dois mal conseguiam se olhar.

Maya não entendia exatamente o que havia acontecido, mas, em seu íntimo, temia uma nova punição.

Lucas, por sua vez, se desculpou:

— Eu não sei o que está acontecendo comigo. Me desculpa. Isso não vai mais se repetir.

Maya tentou aparentar normalidade, mas por dentro sentia uma pontada, sabendo que algo tão bom talvez não se repetisse.

Lucas  fitou-a por um momento, ainda desconcertado, e disse:

— Vamos... Acho que não tem mais ninguém por ali e assim os dois voltaram para o hotel.

A noite pareceu mais longa do que todas as outras.

Lucas tentava não pensar mais naquele beijo, mas as lembranças vinham com força, de forma constante.

Maya, em seu quarto, pressionava o travesseiro contra o rosto toda vez que os pensamentos a invadiam — numa tentativa frustrada de silenciar a própria mente. Mas não adiantava.

Assim que o dia amanheceu. Já era sábado.

Maya foi até o banco na tentativa de conseguir as imagens. Lucas a acompanhou, mas não disse uma palavra durante todo o trajeto.

Assim que chegaram, Maya confirmou suas suspeitas:

Janny havia aberto a conta em seu nome.

Lembrou-se de quando pintaram o cabelo da mesma cor, e Janny perguntou se estavam parecidas.

Não podia acreditar. Já fazia um ano.

Como não desconfiou de nada?

Mas ainda havia uma dúvida: como ela conseguiu os documentos?

Essa parte ainda não fazia sentido.

A assinatura nos papéis era quase perfeita — exceto pelo sobrenome.

Maya sempre assinava "Kallister" com uma leve curvinha no "r".

Era um detalhe sutil, quase imperceptível, mas ali estava a diferença.

Pegou todas as provas e agradeceu ao gerente.

Por um momento, sentiu-se aliviada: conseguiria provar sua inocência — e ainda desmontar a farsa de Geremy e Janny.

Porém, assim que chegou ao carro, o clima pesou.

Lucas mal a olhava.

Aquilo a incomodava profundamente.

Numa tentativa de puxar assunto, Maya disse:

— Só tem voo amanhã à tarde… Vamos ter que passar mais um tempinho aqui.

— Por mim, tudo bem.

Depois disso, silêncio total.

Horas depois, Maya estava deitada em uma poltrona no quarto.

Mil pensamentos rondavam sua mente.

Em todos eles, Lucas aparecia.

De repente, uma indignação:

Por que ele estava tratando ela daquele jeito?

Foi ele quem a beijou!

Aquilo não parecia justo.

Jogando a almofada de lado, Maya se levantou apressada e atravessou o corredor. 

No quarto, Lucas acabava de sair do banheiro quando ouviu as batidas furiosas na porta.

— Só um minuto! — gritou.

Mas as batidas continuaram.

Quem seria e por que tanta urgência?

Pensou em Maya.

Um misto de preocupação o invadiu.

Mesmo só de toalha, abriu a porta o mais rápido que pôde.

Assim que a porta se abriu, Maya ficou parada, sem saber para onde olhar. As bochechas arderam instantaneamente.

Seus olhos foram inevitavelmente para o abdômen de Lucas, ainda com gotículas de água que denunciavam o banho recente.

Por Deus... Como alguém podia ser assim? Pensou, incapaz de desviar o olhar.

Lucas percebeu o silêncio e o olhar perdido dela, e, pela terceira vez, perguntou:

— Não vai me responder?

Maya, ainda meio sem reação, levantou os olhos para o rosto dele e respondeu:

— O quê?

Um quase sorriso apareceu no rosto de Lucas:

— Você bateu aqui apressadamente… Está tudo bem? Aconteceu alguma coisa? Foi isso que perguntei.

— Não... Não aconteceu nada. Está tudo bem — respondeu, passando a mão pelos cabelos, tentando manter a compostura.

Antes que Lucas falasse, ela se adiantou:

— A gente precisa conversar.

Lucas olhou-a sério.

No fundo, sabia do que se tratava.

E também sentia que deviam ter essa conversa.

— Entre — disse, assentindo com a cabeça.

Maya entrou e se sentou em uma das poltronas.

— Aguarde só um momento, vou me trocar e já volto — disse ele.

— Ok — concordou, aliviada.

Sabia que, se ele continuasse vestido daquela forma, não conseguiria se concentrar.

Pouco depois, Lucas voltou, ainda secando os cabelos com a toalha. Vestia uma camiseta cinza e uma calça leve.

Sentando-se na poltrona ao lado, perguntou:

— O que queria falar?

Maya parou por um momento.

Sem pensar muito, disparou:

— Por que me beijou?

Lucas ficou desconcertado.

Abaixou a cabeça, retirou a toalha do cabelo e a envolveu em uma das mãos e, após alguns segundos, respondeu no mesmo tom:

— Porque eu gosto de você.

Maya paralisou.

Não esperava aquela resposta.

Achava que ele inventaria uma desculpa qualquer.

Jamais imaginaria que ele fosse tão direto.

— Como assim? O quê? — gaguejou.

Lucas se levantou, deu alguns passos em sua direção, e se ajoelhou diante dela —

Um dos joelhos tocando o chão, o outro dobrado em apoio.

Olhou nos olhos dela e disse:

— É exatamente isso que você ouviu. Eu me apaixonei por você.

Maya o olhava, imóvel.

Como se qualquer palavra pudesse atrapalhar aquele momento.

Lucas continuou:

— Eu sei que não devia ter feito aquilo. Eu sei que é errado. Mas eu realmente não esperava por isso. Depois do beijo, eu não sabia como agir. Por isso me afastei… Me desculpa. Se quiser, a gente pode fingir que nada aconteceu.

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