O dia amanheceu sem pedir licença. Um céu pálido, quase indiferente, cobria São Paulo enquanto a cidade despertava para mais uma rotina comum. Para Ágata, porém, o tempo havia parado no instante em que Filipe deixou de estar ao alcance dos braços.
Ela não dormira. Nem realmente ficara acordada. O corpo estava ali, sentado à mesa da cozinha, café frio intocado, mas a mente percorria cenários que ela se obrigava a interromper antes que virassem pânico. Aprendera, à força, que o medo podia ser úti