O dia amanheceu sem pedir licença. Um céu pálido, quase indiferente, cobria São Paulo enquanto a cidade despertava para mais uma rotina comum. Para Ágata, porém, o tempo havia parado no instante em que Filipe deixou de estar ao alcance dos braços.
Ela não dormira. Nem realmente ficara acordada. O corpo estava ali, sentado à mesa da cozinha, café frio intocado, mas a mente percorria cenários que ela se obrigava a interromper antes que virassem pânico. Aprendera, à força, que o medo podia ser útil apenas até certo ponto. Depois, ele virava inimigo.
Henrique voltou pouco depois das sete. Não bateu. Entrou com a chave, o rosto sério, os olhos atentos como se ainda estivesse em movimento mesmo parado.
Ágata se levantou no mesmo instante.
— Você sabe onde ele está? — perguntou, sem rodeios.
Henrique não respondeu de imediato. Colocou o celular sobre a mesa, tirou o casaco, respirou fundo. Aquele silêncio era calculado. Ele sabia que cada palavra teria peso.
— Sei onde José esteve ontem à no