A cidade seguia viva do lado de fora, indiferente ao caos que se instalara dentro de Ágata. As luzes de São Paulo piscavam como se nada tivesse sido quebrado naquela noite. Mas algo havia mudado para sempre.
Henrique se movia pelo apartamento como um estrategista em território hostil. O telefone colado ao ouvido, mensagens sendo disparadas, nomes citados com precisão. Advogados. Um delegado conhecido. Um investigador particular que devia favores antigos. Nada era aleatório. Nada era feito por impulso, embora tudo dentro dele queimasse.
Ágata observava em silêncio, sentada no sofá, abraçando os próprios braços como se pudesse impedir o corpo de se partir em dois. O choro havia cessado, mas o olhar estava distante, preso em lembranças que ela jurou ter enterrado.
José não estava apenas repetindo um padrão. Ele estava cobrando uma dívida que nunca existiu.
— Ele vai ligar de novo — Ágata disse de repente, a voz rouca. — José sempre liga quando acha que já venceu.
Henrique parou. Olhou pa