A chuva fina caía atrás da janela do apartamento em Nova Petrópolis. O vidro estava embaçado, e Guilherme não se preocupava em limpá-lo. Apenas observava, sentado no sofá, um copo de whisky pela metade na mão esquerda. Não bebia para esquecer — isso ele já tinha entendido que era impossível — mas porque beber tornava a lembrança suportável. Ou, pelo menos, anestesiava as bordas cortantes dela.
Doze anos.
Doze anos desde o dia 17 de abril.
Doze anos desde a fuga.
Doze anos desde que ele, cov