O tempo tem um som próprio.
Não o som dos segundos em um relógio, nem o dos dias passando no calendário — mas um som interno, quase imperceptível, que vibra dentro de quem espera.
Era esse som que Júlia ouvia naquela manhã nublada de domingo, uma semana depois de ter deixado a casa onde viveu por seis anos.
A cidade ainda dormia.
Amanda tinha saído cedo para resolver coisas do jornal, e o apartamento estava mergulhado em um tipo de silêncio que não era vazio — era cheio demais.
Cheio de lembran