3. De volta ao trabalho
Branca OliveiraFazia uma semana que eu tinha enterrado minha mãe e meu filho. E para falar a verdade eu nem sei onde eu começava e onde eu terminava. Por dentro eu era só dor. Um vazio que não acabava nunca. O hospital me encaminhou para uma terapeuta, que me disse que voltar as pequenas rotinas talvez aliviasse um pouco a falta que eu sentia todos os dias. Mas a verdade era uma só. Nada ajudava, nada fazia sentindo para mim.Mesmo assim, coloquei o crachá no pescoço e entrei no hospital. O mesmo que sempre marcaria a pior tragédia da minha vida.As pessoas que trabalhavam comigo, passavam por mim sussurrando, a pena estampada nos olhos de cada um. A forma de uma dor que elas não tinham nem ideia de como era.Quando entrei em minha sala, percebi que não havia quase nada de papelada em minha mesa, e percebi que as meninas do meu setor, se organizaram com as demandas, o que me deu um mínimo de alívio."Branca, que bom que está de volta." Clara, minha chefe, falou me abraçando, mas não
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