4. Reencontro

Branca Oliveira

Me levantei assim que ele entrou no quarto. O choque veio primeiro, o julgamento dele veio logo depois. Ele me olhou como se eu fosse um problema que alguém tinha deixado ali por descuido.

“O que você está fazendo aqui?”, ele disparou, fechando a porta com força.

A minha mente ainda estava tentando entender a presença dele. Eu respirei, tentando não desmoronar ali mesmo.

"Você é o pai da Aelyn?", murmurei, porque não sabia por onde começar.

Ele deu uma risada curta, cruel.

“Óbvio. Mas claro que vai fingir surpresa. Deve ter ensaiado esse teatrinho por dias.”

“Meu nome é Branca Oliveira, eu sou assistente soc—”

“Assistente social.” Ele me cortou com desdém. “Impressionante. Você realmente preparou bem essa farsa. Fingiu a briga no bar para chamar atenção, fingiu desinteresse, e agora aparece aqui como se fosse parte da equipe da minha filha.”

Eu senti o chão girar.

“O quê? Eu não fazia ideia de que sua filha estava internada aqui! Eu trabalho nesse hospital há seis anos, é tudo uma amarga coincidência.”

Ele levantou a mão na minha direção, como se mandasse que eu calasse a boca.

“Para com isso. Eu não tenho paciência para mulheres tentando tirar proveito de situações vulneráveis.”

“Proveito?” Minha voz saiu trincada. “O senhor está me chamando de quê, exatamente?”

“Não vou falar na frente da minha filha, mas a senhora entendeu muito bem. Saia antes que eu peça sua remoção.”

Um fogo se alastrou por dentro de mim. Eu estava há dias sem dormir, tinha perdido a minha família e ele... ele ousava dizer que eu estava ali por interesse?

“Eu não vim atrás de você!” Minha voz subiu, e eu não consegui controlar. “Eu vim porque esse é o meu trabalho. Porque ninguém da sua preciosa agenda atendeu as outras assistentes. Eu vim aqui fazer o que você não fez até agora: ajudar sua filha.”

Aelyn me olhava assustada. Isso só aumentou o nó na minha garganta.

“Assinar um papel não faz de você um pai presente”, eu continuei, sem filtro. “E o senhor me tratar como se eu fosse algum tipo de ameaça não muda o fato de que eu sou a única pessoa que conseguiu conversar com ela hoje.”

Ele deu um passo para frente, e seu olhar ficou gelado.

“Cadê a segurança deste hospital quando se precisa? Uma oportunista entrando no quarto da minha filha e ninguém faz nada? Sabe que posso te denunciar por isso. Eu não autorizei ninguém ficar sozinha com a minha filha sem a minha supervisão.”

“Eu NÃO estou me aproveitando de nada!” Minha voz falhou de raiva e dor acumulada. “Eu só estou fazendo o meu trabalho e o senhor o está atrapalhando! O senhor não sabe nada sobre mim.”

O peito dele subiu, mas ele não recuou.

“Nem quero saber. Fique longe de nós.”

Aelyn começou a chorar.

Ele foi até mim num impulso, agarrou meu braço e me puxou para fora do quarto.

“Olha o que você fez.” A respiração dele batia quente no meu rosto. “Ela não pode se exaltar dessa maneira. É tão profissional que chateou a minha filha.”

“Eu não fiz nada! Você está distorcendo tudo porque não consegue controlar uma situação que não gira ao seu redor!”

Ele apontou o dedo para mim, firme, implacável.

“Se aproxime da minha filha novamente e eu garanto que sua carreira termina hoje.”

“Pare de me ameaçar.” Minha voz estourou. “O senhor acha que eu me importo com carreira depois do que vivi? Eu não tenho mais nada a perder. Nada! E não vai ser um homem arrogante, paranoico e completamente fora de si que vai me intimidar.”

Ele apertou meu braço novamente.

“Você não me conhece Branca Oliveira. Não sabe do que eu sou capaz pela minha filha.”

“Deus me livre conhecer. Você está colocando sua filha em risco com esse comportamento doentio! Eu mesma vou acionar o conselho tutelar para garantir que ela está em segurança!”

“Você só pode estar brincando com a minha cara...” ri de sua expressão, mas minha vitória durou pouco. Os alarmes no quarto de Aelyn invadiram o ar e a equipe médica entrou correndo nos barrando na porta.

Ele se virou para mim como se eu fosse o epicentro de todo mal do planeta.

“Isso é culpa sua.”

“É claro que não é!”, respondi, a voz quebrada no limite. “Mas o senhor é incapaz de enxergar qualquer coisa além da própria arrogância.”

A porta se abriu. A médica me encontrou com os olhos.

“Branca! Entra, rápido!”

Ele jogou o braço na minha frente, me segurando com força, quase esmagando meu braço.

“Ela não vai chegar perto da minha filha!”

“Me solte!”, eu gritei, a dor latejando. “Você está me machucando!”

A médica ergueu a voz.

“Aelyn está pedindo por ela. A menina só quer a Branca.”

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