A dor não veio como um golpe.
Veio como algo que parecia expansão.
Líria acordou com a sensação de que algo dentro dela havia crescido demais para caber no próprio corpo. Não houve ardência. Não houve febre. Era como se cada veia carregasse uma luz fria, pulsando em ritmos que não pertenciam ao coração humano.
Ela tentou se mover.
O mundo respondeu antes.
O ar ao redor pareceu pesar, como se tivesse sido empurrado para fora do lugar. As peles estendidas na cama de pedra da casa de Kael tremularam suavemente, mesmo sem vento. O fogo baixo na lareira estalou mais alto, reagindo a uma presença que não era da chama.
— Líria… — a voz veio distante.
Ela piscou, tentando focar sua visão.
Kael estava ali.
Sentado ao lado da cama, os cotovelos apoiados nos joelhos, as mãos cerradas com força suficiente para fazer os tendões saltarem sob a pele bronzeada. Os cabelos curtos e negros estavam desalinhados, como se ele tivesse passado a noite inteira passando as mãos por eles. Os olhos — s