Nada aconteceu.
E foi isso que tornou tudo mais perigoso.
A manhã nasceu como tantas outras no território da matilha de Kael. A luz atravessou as copas altas, filtrada por folhas antigas, pousando sobre a pedra e o musgo com a mesma suavidade de sempre. Os lobos seguiram suas rotinas — patrulhas se alternaram, caçadores retornaram com presas, vozes baixas se misturaram ao som constante da floresta viva.
Nada parecia fora do lugar.
Mas o mundo raramente anuncia quando decide mudar de eixo.
Líria acordou cedo, porque o corpo já não aceitava o repouso como antes. Havia nela uma vigília permanente, uma sensação estranha de que dormir era um luxo que não lhe pertencia mais.
Sentou-se devagar na cama de pedra e pele.
O primeiro gesto foi sempre o mesmo.
Os dedos tocaram o braço.
A marca estava lá.
Não ardia. Não doía. Não pulsava com urgência.
Brilhava.
Um brilho lunar constante, suave demais para chamar atenção à distância, intenso demais para ser ignorado por quem estivesse p