Líria escolheu errado.
Soube disso no instante em que o silêncio da floresta se ajustou à sua presença — não como acolhimento, mas como uma avaliação.
Não foi um silêncio vazio. Era vivo. Denso. Como se cada tronco, cada raiz exposta, cada sombra entre as folhas se inclinasse levemente para observá-la. A floresta não a expulsava. Tampouco a recebia. Apenas… media. Pesava. Comparava o que ela era agora com o que jamais deveria ter sido.
As fronteiras humanas não eram apenas linhas invisíveis traçadas entre árvores. Eram cicatrizes antigas. Lugares onde o mundo dos homens roçava o dos lobos sem jamais se misturar de verdade. Trilhas abandonadas, clareiras engolidas pela vegetação, caminhos que outrora haviam sido usados para caça, fuga ou guerra.
Ali, o ar parecia diferente. Mais rarefeito. Mais atento.
Até o vento parecia hesitar antes de atravessar certos pontos.
Era ali que os conflitos começavam.
— Não é uma patrulha comum — disse Aren, o lobo designado para acompanhá-la.
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