A noite ainda não havia se dissipado por completo quando Ysolda veio até ela.
Líria estava sentada à margem do pátio de pedra, os pés descalços tocando o chão frio, o corpo envolto em panos simples que escondiam mais do que protegiam. O sangue já havia sido limpo, as feridas tratadas pela loba curandeira, mas a exaustão permanecia entranhada em seus ossos. A marca em seu braço, agora claramente visível mesmo sob o tecido, pulsava com um brilho suave, constante — como uma respiração que não lhe pertencia inteiramente.
Ela sentiu antes de ver.
A presença de Ysolda não era ruidosa como a de outros anciãos. Não havia rosnado implícito, nem aura esmagadora. Era algo mais frio. Mais antigo. Como uma lâmina enterrada fundo demais para ser vista, mas sempre pronta para cortar.
— Você venceu — disse Ysolda, como cumprimento.
A voz era baixa, firme, carregada de uma autoridade que não precisava se impor. Líria ergueu os olhos devagar. A fêmea mais velha do Conselho estava diante dela em fo