Capítulo 28

O gesto ainda pairava no ar quando o lobo se deu conta do que havia feito.

Ele endireitou o corpo como se tivesse sido puxado por um fio invisível, os olhos arregalados, a respiração irregular. O silêncio ao redor não era de conformismo — era de choque coletivo.

Ninguém falava.

Ninguém se movia.

Porque ninguém sabia como reagir.

Líria sentiu primeiro o peso dos olhares. Não era hostilidade aberta. Era algo mais denso, mais perigoso: a consciência súbita de que ela havia ultrapassado um limite que nem sabia existir.

— Eu… — o lobo tentou dizer algo, mas as palavras morreram antes de nascer.

Outro recuou um passo.

Outro inclinou a cabeça, quase imperceptivelmente. Não por escolha — por reflexo.

Líria sentiu o coração disparar.

— Não — sussurrou para si mesma. — Não, isso não deveria…

Ela não havia feito nada. Não ordenara. Não exigira. Ainda assim, algo nela respondeu — e o corpo do outro reconheceu.

A marca em seu braço pulsou sob a manga da roupa como se tivesse ouvido o p
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