O gesto ainda pairava no ar quando o lobo se deu conta do que havia feito.
Ele endireitou o corpo como se tivesse sido puxado por um fio invisível, os olhos arregalados, a respiração irregular. O silêncio ao redor não era de conformismo — era de choque coletivo.
Ninguém falava.
Ninguém se movia.
Porque ninguém sabia como reagir.
Líria sentiu primeiro o peso dos olhares. Não era hostilidade aberta. Era algo mais denso, mais perigoso: a consciência súbita de que ela havia ultrapassado um limite que nem sabia existir.
— Eu… — o lobo tentou dizer algo, mas as palavras morreram antes de nascer.
Outro recuou um passo.
Outro inclinou a cabeça, quase imperceptivelmente. Não por escolha — por reflexo.
Líria sentiu o coração disparar.
— Não — sussurrou para si mesma. — Não, isso não deveria…
Ela não havia feito nada. Não ordenara. Não exigira. Ainda assim, algo nela respondeu — e o corpo do outro reconheceu.
A marca em seu braço pulsou sob a manga da roupa como se tivesse ouvido o p