A lua errada não se escondia naquela noite.
Ela pairava acima da floresta como um olho aberto demais, grande demais, brilhando com uma intensidade que não pertencia a nenhuma fase conhecida. Não era cheia — e ainda assim iluminava como se fosse. Não era eclipse — e ainda assim carregava a sensação de algo fora do lugar, deslocado do tempo correto.
Sob sua luz, o círculo de pedra despertou.
Era antigo.
Mais antigo que a maioria das matilhas.
Mais antigo que Kael.
As pedras formavam um anel irregular no coração de uma clareira ampla, cada uma marcada por símbolos gastos pelo tempo, entalhes feitos por mãos que já haviam se tornado pó. Algumas pedras eram altas como homens; outras, baixas e arredondadas, cobertas de musgo e fissuras profundas. Entre elas, o chão estava nu, duro, pisado por gerações de decisões que nunca haviam sido leves.
Ali, decisões não eram discutidas.
Eram decretadas.
Mais de cem lobos estavam presentes.
A presença coletiva era sufocante.
Alguns mantinham