Arthur passou o resto da tarde sentado à mesa, os cotovelos apoiados no tampo de madeira, sem conseguir focar nos papéis espalhados.
A luz do abajur criava sombras nas bordas do escritório, e o som da chuva contra os vidros parecia mais alto que o habitual.
Por horas, não moveu nada além do olhar.
Só ficava ali, respirando devagar, tentando conter a pressão que pesava no peito.
O gosto do beijo ainda estava na memória.
O calor dela no corpo, como uma marca que não desaparecia.
E, por mais que t