Acordei cedo, antes mesmo do primeiro sinal de movimento nos corredores. O sono tinha sido uma sombra rasa, interrompida pelas mesmas imagens que insistiam em voltar: os olhos dela, cravados em mim quando se ajoelhou, submissão forçada e, por trás dela, uma chama que não combinava com aquele corpo dobrado no chão. Não era desejo, não era piedade. Era um incômodo, e eu odiava ser incomodado.
Passei a mão pelo rosto, tentando afastar a lembrança. Por anos, construí a vida inteira sobre controle.