A rotina retomava seu ritmo, indiferente ao caos que pulsava dentro de mim. Tudo seguia igual, o som das portas batendo, o tilintar dos baldes, o cheiro úmido das paredes antigas e, ainda assim, algo em mim gritava que nada mais seria o mesmo. nem esperança, nem medo, nem o que realmente me movia por dentro. Mas, por um instante, só um instante, o pensamento de que logo estaríamos livres bastou para me fazer respirar de novo.
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A lavanderia era abafada e cheirava a sabão de coco. Jesus! Eu odiava esse cheiro. O vapor subia das bacias metálicas, grudando na pele e tornando o ar pesado. As paredes brancas pareciam estavam sempre impecavelmente limpas, e o som constante da água batendo contra o tecido criava um tipo de transe monótono, o som do cativeiro.
Infelizmente lavávamos tudo a mão, Gregor dizia que máquinas de lavar e coisas eletrônicas era um retrocesso e uma distração desnecessária para nós mulheres. Então aqui, fazíamos tudo de forma manual. Lavar cortinas, lençóis…
Quando