Senti um aperto no peito. Era só um quarto, mas para ela representava algo quase proibido. Ela enxergava privilégios que eu não deveria ter, pequenos e insignificantes talvez, mas ainda assim um reflexo de sorte ou atenção que não deveria existir.
— É… — murmurei, quase sem fôlego —. Diferente, sim… Mas não é proteção. Apenas um pouco menos de sofrimento.
Ela desviou os olhos, os ombros caindo, e a tristeza que emanava dela parecia quase física, um peso que eu podia sentir pressionando meu próprio peito.
— Eu me sinto mal — começou, a voz fraca, quase se quebrando —. Por ter algum “benefício” por ser… a favorita do Gregor. Mas sei que as outras… — engoliu em seco — vivem muito pior.
Cada palavra era como um punhal no meu estômago. A angústia dela transbordava pelas pequenas falas, carregadas de anos de dor e injustiça que ninguém deveria suportar.
Ela passou os dedos pela cômoda, olhou pela janela, depois pousou os olhos na rosa que eu havia tirado da gaveta e colocado em um jarr