E foi aí que a vergonha veio como uma onda avassaladora. Porque não era só dor que eu sentia. O meu corpo reagira. Eu tinha reagido. Meu peito arfava ainda com lembranças do momento, e eu odiava cada fibra de mim mesma por isso. Porque se Deus me livre ele continuasse eu o deixaria. Eu iria até o final.
— Maldita… — sussurrei para o espelho, os olhos marejados. — O que há de errado com você, Isabel?
A água corria, abafando meu murmúrio. Entrei no box e deixei que a água escaldante caísse sobre minha pele. O calor trouxe alívio, mas também trouxe a lembrança do toque dele, da forma como a mão firme se alternava entre violência e um cuidado quase traiçoeiro. Era como se meu corpo guardasse cada gesto dele. Eu fechei os olhos, apertando as pálpebras, e a imagem dele surgiu tão clara que quis gritar.
Era errado. Era sujo. Ele tinha me feito chorar, me humilhou diante de Gregor, me reduzir a uma sombra do que eu acreditava ser. E, ainda assim, meu corpo traía meu ódio. Sentir, era uma